Neste dia,
Penso nos que são sedentos de água.
As nações unidas decretaram em 1993,
Que passaria a ser a cada 22 deste mês.
Comemora-se hoje um quarto de século.
Após a Agenda 21, Rio-92 ou Eco 92
Que este bem deve ser preservado,
Por cada um:
Tema de noventa e quatro.
Mas se a idosa de 105 anos vendeu animais
Para que durante 15 dias pedreiros construíssem a sua pública casa de banho
Para dar no seu distrito exemplo aos demais,
a Índia hoje está em grande ganho.
Mas e as centenas de crianças que morrem a cada dia pela sua falta ou deficiente existência?
E as que são assaltadas, quicá violadas,
Pela ida à água?
Lembro-me da "fonte de guete"
Quantas vezes lá fui por ela,
Em jarro de plástico,
Pois o de barro perdia a asa,
Já que a não havia em casa?
Era a minha tarefa doméstica.
O trabalho da criança era pouco,
Mas perdê-lo era de louco!
E aquele célebre caso da menor,
Que foi abusada pelo adulto,
Que na Igreja batendo no peito,
Era de todos da aldeia o superior?
Sedentos de água.
Não só as crianças,
Até os militares de cursos pouco regrados,
Que acabam assim assassinados,
Ou a deixarem-nos estropiados...
Quem não poupa na água ou na lenha,
Não poupa nada do que tenha...
Preciso que a primavera
Venha mesmo verdadeira,
Me traga a poupa,
Para a minha beira.
Eu não me poupei a esforços,
Desde que me conheço!
Se durante muito tempo
Andei ao avesso,
Deixando muitos remorsos,
Foi por ser jumento.
A minha constituição é três quartos de água,
Água essa que tem que ser reposta.
Já que se evapora, se esgota.
E mesmo que só beba gota a gota,
Embora eu o faço em forma de frota,
Nunca pode terminar.
Lembro-me de um chefe europeu medieval,
Que dizia que nenhuma gota de água chegasse ao mar,
Afinal, o que sempre fiz na terra do Ansemondes,
Sem primeiro o homem beneficiar?
Há tanta gente a descurar,
A desperdiçar...
Não é Londres?
Hoje, especialmente hoje,
Que é o dia de comemorar
22 cisnes de mim!..
















