Como eu admiro aquele gajo!
    Tenho de lhe tirar o chapéu.
    Conseguiu ver, aquilo que até hoje ninguém viu:
    A morte da sua mãe que um dia, malogradamente, o pariu.
    Sim, morreu!
    Morreu ontem de manhã muito cedo.
    Tinha noventa e um anos e vivia com a irmã em Lisboa.
    Por Alvalade, certamente, afetando aquela gente,
    Que governa clubes que são verdadeiramente de Portugal.
    É que ele tinha-se comprometido a honrar,
    Logo no dia que sabia que a mãe, haveria de matar.
    Por isso, até os bancos andam nervosos,
    Que tenham acompanhamentos psiquiátricos,
    Que metam licença por parentalidade.
    Que maldade!
    Ele que disse que havendo ou não havendo corrente elétrica,
    Era no dia dez que finalmente ia honrar;
    E eu ficando em depressão verdadeiramente patética,
    Dei-lhe os sentidos pêsames por essa brutal fatalidade.
    Está orfão! Coitado do desgraçadinho.
    Ainda eu fui o parvinho,
    Que por ser minhoto e um pouco santinho,
    Acreditei.
    Vai, vai morrer também longe como a tua mãe,
    Que um dia te pariu.
    Não sabe ela a alimária que no mundo meteu...
    Por isso, o Luís Borges que tanto sabia,
    Nunca previa quando haveria de morrer.
    E conscientemente isso dizia, que nada sabia.
    Mas este sabe! Este é de Olhão!
    Aposto que um cigano era bem capaz, se tal sabedoria detinha,
    De prever a sua, como ele previu a morte da sua querida mãezinha...



  1. Onde é que já trabalhaste?
  2. Apresentação
    Sou um comum mortal, com alma lusitana: nasci no bercinho da civilizacao, vivo no centro do universo.