terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Rum

Começou-se com a troca direta
Avançou-se para a indireta com a grega moeda
Esse país, hoje parece que ela lhe escorrega.
Das mãos.
Tanto assim é que parece que se vêem gregos
Para a encontrar.

Ma também Cuba, que quer pagar à república Checa
Em rum.
Cento e trinta anos a beber por conta.
Se não aceitar será em medicamentos.

Vês porque te quero pagar em água, luz,
Comunicações, tabaco?

O pessoal anda em taco.
Precisa é de tabaco.
Ainda há pouco o avozinho que já gastou
Sete latas que tu chamavas bidões,
que 9,5 euros custava a de quilo!

Quando lhe disse quanto era,
Falou na sua exorbitância.

Então dividindo esse valor por 1000 gramas
Dá um valor irrisório.

A carteira começou por ter 30 gramas
Veio para vinte, quinze, doze e agora dez,
Aumentando sempre ao preço
Mas reduzindo à quantidade,
Para não se sentir a dificuldade.

Oferecia um maço de Além Mar ao engenheiro,
Agradeceu-me, mas disse-me que não tinha vícios...

Só o meu computador é que tem tantossssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssss
que se lhe der trela,
Coloca ssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssss
que nunca mais acabam....

Aceitas esses paras pagar a minha dívida?
Que te parece?
Tal como Cuba, tenho, desses que nunca mais acabam...































domingo, 4 de dezembro de 2016

Envelhecer

A língua obedece às leis da economia;
Li isto, um dia.
Assim mortalha, tanto pode ser o lençol
Que envolve o cadáver a ocultar
Como o papel fino, a ver-se o sol,
Que embrulha o tabaco de enrolar.

São palavras iguais,
Mas o contexto em que são inseridas,
Torna-as diferentes como as demais;
Até são palavras mais coloridas.

A isto chama-se homonímia,
Mas a paronímia, homofonia e homografia,
Fazem parte dessa libertação do falante,
Que com uma pequena alteração,
Faz a sua mensagem num instante.

Li, li também há longos tempos idos,
Que na língua eslava,
Só a entoação que o actor lhe dava,
Podia ter várias dezenas de sentidos,
Uma singela palavra.

Lembrei-me da folha do pinheiro,
Agulha, gravalha, gravanha, caruma,
Que hoje já os campos não estruma,
Ou assa a castanha,
Ou agasalha à borralha,
Com os cento e tal nomes que entulha
A cabeça de todo o meu parceiro.

Foi no manifesto de Ventotene
Que dois antifascistas destemidos
Utilizaram o papel que não queres,
Para mostrar ao mundo que a europa das mulheres
Se quisesse se libertar de guerras,
Teria que se unir em estados federativos.

Mas hoje há esses perigos.
A europa desagrega-se;
O brexit, a possível eleição,
A incerteza que espreita:
Presidente austríaco da extrema direita?!...

Por isso, tudo te põe mais velha.
Envelheces, precisas de fisioterapia,
Quando ontem ginástica tão bem te fazia...

Parabéns!