Estamos em tempos complicados.
Isis destrói a herança de Palmira,
E o filho do manager dos Sex Pistol,
No rio Tamisa incendeia as memórias
De quarenta anos de Punk.
Não há nostalgia,
Joe Corré diria,
Ao atear fogo a valores de 6 milhões
Em artigos e roupas pela sua mãe desenhadas,
Quando esse grupo andava em estradas.
Não queria nada em museus,
Comemorando os 40 anos.
Tal como os outros ateus,
Que por não serem do seu deus,
Tudo destruiram.
"Eu quero destruir os transeuntes",
MPLA, UDA, IRA
" Ficar bravo, destuir",
Fala assim a letra,
Da cantiga
"Anarquia no reino Unido",
Que há 40 anos acabou por surgir.
No fundo, entre uns e outros
Há uma procura de viver.
Não é só nascer.
Como em Show me how to live,
Queria que alguém me ensinasse a viver.
Uma memória de um lustro,
Que já passou por tanto susto,
Ás vezes com mais ou menos custo...
Não destruo.
Construo;
Reconstruo-me a cada dia,
Até um dia,
Em que alguém me traga também um padre,
Aqui ao anticristo que se desunha,
Que não quer abandonar nada disto,
Como Filipe II, que muito sofreu,
Antes que falecera...
Pudera!
Se em todas as suas terras
O sol nunca se punha!...
domingo, 27 de novembro de 2016
quinta-feira, 17 de novembro de 2016
sábado, 12 de novembro de 2016
E se fôssemos
- E se fôssemos para Timor?
- Para ti, môr?
- Sim, vi ontem no programa "Portugueses espalhados pelo mundo". É tão bom lá viver.
As crianças na escola choram quando as aulas terminam, pois queriam lá continuar.
Ias adorar!
- É nos antípodas! O Jet Lag desnorteia-nos. E os bichos pechonhentos, mosquitos, que provocam a malária, dengue e a encefalite japonesa? É aconselhada a vacina contra a dita encefalite, hepatites A e B e a Tifóide.
- Não fode nada! Eu sou resistente: uso repelente.
- Mas tens que usar nas partes do corpo expostas. E espalhar inseticida no quarto de dormir, duas horas antes de deitar. Ah! e dormir com uma rede anti-mosquito à volta da cama.
- Isso quase que tenho que fazer aqui: os trombeteiros ameaçam-me dos idos de março, aos frios janeiros...
- E água só mesmo engarrafada ou que tenha sido fervida ou tratada. E o gelo...
- O gelo, já sei: não me vais poder trazer um pão com o que tiver na geladeira, como o que me trouxeste da última vez - com gelo dentro!
- Não foste tu que querias um amor e uma cabana?
- Sim, mas em Timor!..
- Eu não disse já a ti, môr, que isso é impossível! Ia estragar a minha forma de vida. Ver água e não poder entrar, era um suplício maior do que tântalo poderia aguentar. Só ir para a cama duas horas depois, sem poder logo de imediato aterrar...E não poder andar descalço, a apanhar sol só com elevadíssimo protetor e ter de evitar o contacto com animais domésticos, não poder comer fruta com casca, estou em crer, môr, que era pior do que morrer. Por ti, môr, faço tudo, mas não me peças, que é para mim grande, grande dor...
E tomar medicamentos à base de aspirina, só mesmo com receita, devido à ocorrência de febres hemorrágicas como o dengue.
- Vamos, vamos lá.
- E olha que o mito da criação do país, da ilha do crocodilo em que há os poemas, rituais e outras manifestações culturais que honram o avô Lafaek, é bem mais sério do que parece. Até afeta a chelodina timorensis, este crocodylus porosus que de quase extinto nos anos setenta do século passado, se vê agora bem revigorado e às portas de Dili.
E há quem veja nisso, uma espécie de punição da Natureza contra as vítimas.
- Ah, as tartarugas de pescoço de cobra, endémicas!...
- Sim, cujos preços variam de 400 a 950 dólares.
- Sim, das trezentas espécies que existem no mundo, não é aquela que mija pela boca, como a chinesa, que assim só expele 6% a partir dos rins e lhe permite sobreviver em água salgada uma vez que não precisa de ingerir tanto líquido, caso contrário ela se envenenaria. Estás a ver como o sal faz muito mal?!
- Não faz nada! Dá sabor. Até mesmo lá em Timor.
- Por ti, môr até ia...
- Vam' bora!
- Mas agora é para Bora Bora?! Ora bolas...
- Ou então vamos para a Malásia, que tem lá a cobra maior do mundo com cerca de oito metros de comprimento e 250 quilos de peso...
- Mas essa após a postura de um ovo, morreu. Foi o stress desde a captura e quando viu que ainda conseguiu essa proeza faleceu. Por isso não destronou a Medusa.
- Aquela que transformava em pedra todo aquele que olhasse para ela. Mas que Perseu a decapitou, sua cabeça como arma usou até que a entregou à deusa Atena que a colocou em seu escudo...
- Sim, e não.
- Vamos então.
- Para ti, môr?
- Sim, vi ontem no programa "Portugueses espalhados pelo mundo". É tão bom lá viver.
As crianças na escola choram quando as aulas terminam, pois queriam lá continuar.
Ias adorar!
- É nos antípodas! O Jet Lag desnorteia-nos. E os bichos pechonhentos, mosquitos, que provocam a malária, dengue e a encefalite japonesa? É aconselhada a vacina contra a dita encefalite, hepatites A e B e a Tifóide.
- Não fode nada! Eu sou resistente: uso repelente.
- Mas tens que usar nas partes do corpo expostas. E espalhar inseticida no quarto de dormir, duas horas antes de deitar. Ah! e dormir com uma rede anti-mosquito à volta da cama.
- Isso quase que tenho que fazer aqui: os trombeteiros ameaçam-me dos idos de março, aos frios janeiros...
- E água só mesmo engarrafada ou que tenha sido fervida ou tratada. E o gelo...
- O gelo, já sei: não me vais poder trazer um pão com o que tiver na geladeira, como o que me trouxeste da última vez - com gelo dentro!
- Não foste tu que querias um amor e uma cabana?
- Sim, mas em Timor!..
- Eu não disse já a ti, môr, que isso é impossível! Ia estragar a minha forma de vida. Ver água e não poder entrar, era um suplício maior do que tântalo poderia aguentar. Só ir para a cama duas horas depois, sem poder logo de imediato aterrar...E não poder andar descalço, a apanhar sol só com elevadíssimo protetor e ter de evitar o contacto com animais domésticos, não poder comer fruta com casca, estou em crer, môr, que era pior do que morrer. Por ti, môr, faço tudo, mas não me peças, que é para mim grande, grande dor...
E tomar medicamentos à base de aspirina, só mesmo com receita, devido à ocorrência de febres hemorrágicas como o dengue.
- Vamos, vamos lá.
- E olha que o mito da criação do país, da ilha do crocodilo em que há os poemas, rituais e outras manifestações culturais que honram o avô Lafaek, é bem mais sério do que parece. Até afeta a chelodina timorensis, este crocodylus porosus que de quase extinto nos anos setenta do século passado, se vê agora bem revigorado e às portas de Dili.
E há quem veja nisso, uma espécie de punição da Natureza contra as vítimas.
- Ah, as tartarugas de pescoço de cobra, endémicas!...
- Sim, cujos preços variam de 400 a 950 dólares.
- Sim, das trezentas espécies que existem no mundo, não é aquela que mija pela boca, como a chinesa, que assim só expele 6% a partir dos rins e lhe permite sobreviver em água salgada uma vez que não precisa de ingerir tanto líquido, caso contrário ela se envenenaria. Estás a ver como o sal faz muito mal?!
- Não faz nada! Dá sabor. Até mesmo lá em Timor.
- Por ti, môr até ia...
- Vam' bora!
- Mas agora é para Bora Bora?! Ora bolas...
- Ou então vamos para a Malásia, que tem lá a cobra maior do mundo com cerca de oito metros de comprimento e 250 quilos de peso...
- Mas essa após a postura de um ovo, morreu. Foi o stress desde a captura e quando viu que ainda conseguiu essa proeza faleceu. Por isso não destronou a Medusa.
- Aquela que transformava em pedra todo aquele que olhasse para ela. Mas que Perseu a decapitou, sua cabeça como arma usou até que a entregou à deusa Atena que a colocou em seu escudo...
- Sim, e não.
- Vamos então.
sexta-feira, 11 de novembro de 2016
So long, Marianne
So long, Mariannne!
Título da bela canção
Que Leonard Cohen,
O cantor de voz grave e soturna,
Atribuiu a esta norueguesa que muito amava.
Com ela viveu na ilha grega de Hydra,
Lhe dedicou esta belíssima cantiga.
Em julho passado ela sucumbiu,
Mas ele, qual amor de António Feijó,
Garantiu-lhe que ela não ficaria muito tempo só.
E ontem, morreu!
Os oitenta e dois anos que tinha,
Nascido no seio de uma família judaica
Desloca-se de Montreal para Nova Iorque, em 66.
Lá conhece os artistas de vanguarda;
AndyWarhol, Lou Reed e até Janis Joplin,
Com quem tem uma intensa vida amorosa,
Resultando "Chelsea Hotel nº 2".
Formado em Literatura, e budista na sua procura do silêncio,
Este monge, Jikan, que significa essa mesma procura,
Teve uma vida mesmo dura.
Após um interregno de 15 anos faz-se novamente à estrada,
Após saber que o seu agente lhe comera grande parte da mesada.
Possuo vários CD's dos 14 albuns que editou este escritor,
cantor da melancólica espiritualidade que se encontrava pronto para morrer,
Só não queria que fosse desconfortável...e penso que sim, sem dor.
Dor essa que terei, ao ouvir hoje este estimado cantor e poeta,
Que pensa da forma certa:
Composição musical e literária alimentam-se mutuamente!
Foi um príncipe nas Astúrias, em 2011.
Bem haja: vou brindar com cidra até mais não,
A bebida nacional dos jovens dessa região...
Título da bela canção
Que Leonard Cohen,
O cantor de voz grave e soturna,
Atribuiu a esta norueguesa que muito amava.
Com ela viveu na ilha grega de Hydra,
Lhe dedicou esta belíssima cantiga.
Em julho passado ela sucumbiu,
Mas ele, qual amor de António Feijó,
Garantiu-lhe que ela não ficaria muito tempo só.
E ontem, morreu!
Os oitenta e dois anos que tinha,
Nascido no seio de uma família judaica
Desloca-se de Montreal para Nova Iorque, em 66.
Lá conhece os artistas de vanguarda;
AndyWarhol, Lou Reed e até Janis Joplin,
Com quem tem uma intensa vida amorosa,
Resultando "Chelsea Hotel nº 2".
Formado em Literatura, e budista na sua procura do silêncio,
Este monge, Jikan, que significa essa mesma procura,
Teve uma vida mesmo dura.
Após um interregno de 15 anos faz-se novamente à estrada,
Após saber que o seu agente lhe comera grande parte da mesada.
Possuo vários CD's dos 14 albuns que editou este escritor,
cantor da melancólica espiritualidade que se encontrava pronto para morrer,
Só não queria que fosse desconfortável...e penso que sim, sem dor.
Dor essa que terei, ao ouvir hoje este estimado cantor e poeta,
Que pensa da forma certa:
Composição musical e literária alimentam-se mutuamente!
Foi um príncipe nas Astúrias, em 2011.
Bem haja: vou brindar com cidra até mais não,
A bebida nacional dos jovens dessa região...
domingo, 6 de novembro de 2016
Casa do Camilo
Fui ontem visitar a Casa do Camilo,
A primeira no país com esse objectivo,
Não era dele, mas do marido da sua amada,
Que só tiveram paz lá, quando viram a vida dele terminada.
Ao entrar, do lado esquerdo e virado para a rua, a Noroeste
Tem os banquinhos de pedra, ditos de namorar;
Era lá que a sua amada passava longas temporadas, a registar
A ouvir o povo que passava, para ter reportório para o Mestre.
Como assim lhe chamou o nosso nobel,
Após a atribuição do seu prestigiado prémio.
- Eu tinha uma ideia dele, diferente, por vir da área do jornalismo,
Mas ao referir-se a ele, sempre desta forma que comove.
É que se por qualquer razão desaparecesse toda a cultura portuguesa,
Bastaria a obra de Camilo para fazer o restauro com a adequada clareza.
Volvidos seis lustros neste seu trabalho de guia na visita guiada,
Em que uns estão em cima, outros a fazer a entrada,
Naquela mesclada, cada um vai registando o que acha que deve;
Mas junto dele, tudo tem uma outra amplitude que me deteve.
Sabe-se amiúde, que aquele relógio de sala foi descrito em pormenor
Em EusébioMacário; que aquela acácia à entrada foi objecto de poema ao filho Jorge
Que por ele não terminou a sua vida na cadeira mais cedo;
Quando já se encontrava muito endividado e cego,
Ele que estudara medicina, ouvir do médico,
Que deveria ir para o Gerês,
E abandonando a casa pela companheira acompanhado,
Um desesperado disparo na sala é soado.
-Não é a aquela a arma da sua morte;
Essa encontra-se no Porto, na Igreja da Lapa.
Mas aquilo que eu muito adorei
Foi assistir na sala onde ele se suicidou,
A recitação a dois, em que o guia era o mestre que corrigia,
Do Soneto sobre os cento e dez amigos,
Que o abandonaram.
Estava lá em baixo, na antiga adega camiliana
Agora em exposição temporária, o original,
Por baixo da brutal lupa, quase sem igual,
A sua revolta contra esta triste Natureza Humana...
Amizade? Que amizade?...
Eu nem amigo de mim mesmo sou,
Quanto mais de um outro que já prestou,
Mas tudo, tudo passou.
E o que ficou
Foi o que reza sabiamente o aforismo açoriano:
"O que foi e que já não é, é o mesmo que nunca tivesse sido".
É assim, Camilo, é este o inevitável castigo.
A primeira no país com esse objectivo,
Não era dele, mas do marido da sua amada,
Que só tiveram paz lá, quando viram a vida dele terminada.
Ao entrar, do lado esquerdo e virado para a rua, a Noroeste
Tem os banquinhos de pedra, ditos de namorar;
Era lá que a sua amada passava longas temporadas, a registar
A ouvir o povo que passava, para ter reportório para o Mestre.
Como assim lhe chamou o nosso nobel,
Após a atribuição do seu prestigiado prémio.
- Eu tinha uma ideia dele, diferente, por vir da área do jornalismo,
Mas ao referir-se a ele, sempre desta forma que comove.
É que se por qualquer razão desaparecesse toda a cultura portuguesa,
Bastaria a obra de Camilo para fazer o restauro com a adequada clareza.
Volvidos seis lustros neste seu trabalho de guia na visita guiada,
Em que uns estão em cima, outros a fazer a entrada,
Naquela mesclada, cada um vai registando o que acha que deve;
Mas junto dele, tudo tem uma outra amplitude que me deteve.
Sabe-se amiúde, que aquele relógio de sala foi descrito em pormenor
Em EusébioMacário; que aquela acácia à entrada foi objecto de poema ao filho Jorge
Que por ele não terminou a sua vida na cadeira mais cedo;
Quando já se encontrava muito endividado e cego,
Ele que estudara medicina, ouvir do médico,
Que deveria ir para o Gerês,
E abandonando a casa pela companheira acompanhado,
Um desesperado disparo na sala é soado.
-Não é a aquela a arma da sua morte;
Essa encontra-se no Porto, na Igreja da Lapa.
Mas aquilo que eu muito adorei
Foi assistir na sala onde ele se suicidou,
A recitação a dois, em que o guia era o mestre que corrigia,
Do Soneto sobre os cento e dez amigos,
Que o abandonaram.
Estava lá em baixo, na antiga adega camiliana
Agora em exposição temporária, o original,
Por baixo da brutal lupa, quase sem igual,
A sua revolta contra esta triste Natureza Humana...
Amizade? Que amizade?...
Eu nem amigo de mim mesmo sou,
Quanto mais de um outro que já prestou,
Mas tudo, tudo passou.
E o que ficou
Foi o que reza sabiamente o aforismo açoriano:
"O que foi e que já não é, é o mesmo que nunca tivesse sido".
É assim, Camilo, é este o inevitável castigo.
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