Começou-se com a troca direta
Avançou-se para a indireta com a grega moeda
Esse país, hoje parece que ela lhe escorrega.
Das mãos.
Tanto assim é que parece que se vêem gregos
Para a encontrar.
Ma também Cuba, que quer pagar à república Checa
Em rum.
Cento e trinta anos a beber por conta.
Se não aceitar será em medicamentos.
Vês porque te quero pagar em água, luz,
Comunicações, tabaco?
O pessoal anda em taco.
Precisa é de tabaco.
Ainda há pouco o avozinho que já gastou
Sete latas que tu chamavas bidões,
que 9,5 euros custava a de quilo!
Quando lhe disse quanto era,
Falou na sua exorbitância.
Então dividindo esse valor por 1000 gramas
Dá um valor irrisório.
A carteira começou por ter 30 gramas
Veio para vinte, quinze, doze e agora dez,
Aumentando sempre ao preço
Mas reduzindo à quantidade,
Para não se sentir a dificuldade.
Oferecia um maço de Além Mar ao engenheiro,
Agradeceu-me, mas disse-me que não tinha vícios...
Só o meu computador é que tem tantossssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssss
que se lhe der trela,
Coloca ssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssss
que nunca mais acabam....
Aceitas esses paras pagar a minha dívida?
Que te parece?
Tal como Cuba, tenho, desses que nunca mais acabam...
terça-feira, 20 de dezembro de 2016
domingo, 4 de dezembro de 2016
Envelhecer
A língua obedece às leis da economia;
Li isto, um dia.
Assim mortalha, tanto pode ser o lençol
Que envolve o cadáver a ocultar
Como o papel fino, a ver-se o sol,
Que embrulha o tabaco de enrolar.
São palavras iguais,
Mas o contexto em que são inseridas,
Torna-as diferentes como as demais;
Até são palavras mais coloridas.
A isto chama-se homonímia,
Mas a paronímia, homofonia e homografia,
Fazem parte dessa libertação do falante,
Que com uma pequena alteração,
Faz a sua mensagem num instante.
Li, li também há longos tempos idos,
Que na língua eslava,
Só a entoação que o actor lhe dava,
Podia ter várias dezenas de sentidos,
Uma singela palavra.
Lembrei-me da folha do pinheiro,
Agulha, gravalha, gravanha, caruma,
Que hoje já os campos não estruma,
Ou assa a castanha,
Ou agasalha à borralha,
Com os cento e tal nomes que entulha
A cabeça de todo o meu parceiro.
Foi no manifesto de Ventotene
Que dois antifascistas destemidos
Utilizaram o papel que não queres,
Para mostrar ao mundo que a europa das mulheres
Se quisesse se libertar de guerras,
Teria que se unir em estados federativos.
Mas hoje há esses perigos.
A europa desagrega-se;
O brexit, a possível eleição,
A incerteza que espreita:
Presidente austríaco da extrema direita?!...
Por isso, tudo te põe mais velha.
Envelheces, precisas de fisioterapia,
Quando ontem ginástica tão bem te fazia...
Parabéns!
Li isto, um dia.
Assim mortalha, tanto pode ser o lençol
Que envolve o cadáver a ocultar
Como o papel fino, a ver-se o sol,
Que embrulha o tabaco de enrolar.
São palavras iguais,
Mas o contexto em que são inseridas,
Torna-as diferentes como as demais;
Até são palavras mais coloridas.
A isto chama-se homonímia,
Mas a paronímia, homofonia e homografia,
Fazem parte dessa libertação do falante,
Que com uma pequena alteração,
Faz a sua mensagem num instante.
Li, li também há longos tempos idos,
Que na língua eslava,
Só a entoação que o actor lhe dava,
Podia ter várias dezenas de sentidos,
Uma singela palavra.
Lembrei-me da folha do pinheiro,
Agulha, gravalha, gravanha, caruma,
Que hoje já os campos não estruma,
Ou assa a castanha,
Ou agasalha à borralha,
Com os cento e tal nomes que entulha
A cabeça de todo o meu parceiro.
Foi no manifesto de Ventotene
Que dois antifascistas destemidos
Utilizaram o papel que não queres,
Para mostrar ao mundo que a europa das mulheres
Se quisesse se libertar de guerras,
Teria que se unir em estados federativos.
Mas hoje há esses perigos.
A europa desagrega-se;
O brexit, a possível eleição,
A incerteza que espreita:
Presidente austríaco da extrema direita?!...
Por isso, tudo te põe mais velha.
Envelheces, precisas de fisioterapia,
Quando ontem ginástica tão bem te fazia...
Parabéns!
domingo, 27 de novembro de 2016
Estamos em tempos complicados.
Isis destrói a herança de Palmira,
E o filho do manager dos Sex Pistol,
No rio Tamisa incendeia as memórias
De quarenta anos de Punk.
Não há nostalgia,
Joe Corré diria,
Ao atear fogo a valores de 6 milhões
Em artigos e roupas pela sua mãe desenhadas,
Quando esse grupo andava em estradas.
Não queria nada em museus,
Comemorando os 40 anos.
Tal como os outros ateus,
Que por não serem do seu deus,
Tudo destruiram.
"Eu quero destruir os transeuntes",
MPLA, UDA, IRA
" Ficar bravo, destuir",
Fala assim a letra,
Da cantiga
"Anarquia no reino Unido",
Que há 40 anos acabou por surgir.
No fundo, entre uns e outros
Há uma procura de viver.
Não é só nascer.
Como em Show me how to live,
Queria que alguém me ensinasse a viver.
Uma memória de um lustro,
Que já passou por tanto susto,
Ás vezes com mais ou menos custo...
Não destruo.
Construo;
Reconstruo-me a cada dia,
Até um dia,
Em que alguém me traga também um padre,
Aqui ao anticristo que se desunha,
Que não quer abandonar nada disto,
Como Filipe II, que muito sofreu,
Antes que falecera...
Pudera!
Se em todas as suas terras
O sol nunca se punha!...
Isis destrói a herança de Palmira,
E o filho do manager dos Sex Pistol,
No rio Tamisa incendeia as memórias
De quarenta anos de Punk.
Não há nostalgia,
Joe Corré diria,
Ao atear fogo a valores de 6 milhões
Em artigos e roupas pela sua mãe desenhadas,
Quando esse grupo andava em estradas.
Não queria nada em museus,
Comemorando os 40 anos.
Tal como os outros ateus,
Que por não serem do seu deus,
Tudo destruiram.
"Eu quero destruir os transeuntes",
MPLA, UDA, IRA
" Ficar bravo, destuir",
Fala assim a letra,
Da cantiga
"Anarquia no reino Unido",
Que há 40 anos acabou por surgir.
No fundo, entre uns e outros
Há uma procura de viver.
Não é só nascer.
Como em Show me how to live,
Queria que alguém me ensinasse a viver.
Uma memória de um lustro,
Que já passou por tanto susto,
Ás vezes com mais ou menos custo...
Não destruo.
Construo;
Reconstruo-me a cada dia,
Até um dia,
Em que alguém me traga também um padre,
Aqui ao anticristo que se desunha,
Que não quer abandonar nada disto,
Como Filipe II, que muito sofreu,
Antes que falecera...
Pudera!
Se em todas as suas terras
O sol nunca se punha!...
quinta-feira, 17 de novembro de 2016
sábado, 12 de novembro de 2016
E se fôssemos
- E se fôssemos para Timor?
- Para ti, môr?
- Sim, vi ontem no programa "Portugueses espalhados pelo mundo". É tão bom lá viver.
As crianças na escola choram quando as aulas terminam, pois queriam lá continuar.
Ias adorar!
- É nos antípodas! O Jet Lag desnorteia-nos. E os bichos pechonhentos, mosquitos, que provocam a malária, dengue e a encefalite japonesa? É aconselhada a vacina contra a dita encefalite, hepatites A e B e a Tifóide.
- Não fode nada! Eu sou resistente: uso repelente.
- Mas tens que usar nas partes do corpo expostas. E espalhar inseticida no quarto de dormir, duas horas antes de deitar. Ah! e dormir com uma rede anti-mosquito à volta da cama.
- Isso quase que tenho que fazer aqui: os trombeteiros ameaçam-me dos idos de março, aos frios janeiros...
- E água só mesmo engarrafada ou que tenha sido fervida ou tratada. E o gelo...
- O gelo, já sei: não me vais poder trazer um pão com o que tiver na geladeira, como o que me trouxeste da última vez - com gelo dentro!
- Não foste tu que querias um amor e uma cabana?
- Sim, mas em Timor!..
- Eu não disse já a ti, môr, que isso é impossível! Ia estragar a minha forma de vida. Ver água e não poder entrar, era um suplício maior do que tântalo poderia aguentar. Só ir para a cama duas horas depois, sem poder logo de imediato aterrar...E não poder andar descalço, a apanhar sol só com elevadíssimo protetor e ter de evitar o contacto com animais domésticos, não poder comer fruta com casca, estou em crer, môr, que era pior do que morrer. Por ti, môr, faço tudo, mas não me peças, que é para mim grande, grande dor...
E tomar medicamentos à base de aspirina, só mesmo com receita, devido à ocorrência de febres hemorrágicas como o dengue.
- Vamos, vamos lá.
- E olha que o mito da criação do país, da ilha do crocodilo em que há os poemas, rituais e outras manifestações culturais que honram o avô Lafaek, é bem mais sério do que parece. Até afeta a chelodina timorensis, este crocodylus porosus que de quase extinto nos anos setenta do século passado, se vê agora bem revigorado e às portas de Dili.
E há quem veja nisso, uma espécie de punição da Natureza contra as vítimas.
- Ah, as tartarugas de pescoço de cobra, endémicas!...
- Sim, cujos preços variam de 400 a 950 dólares.
- Sim, das trezentas espécies que existem no mundo, não é aquela que mija pela boca, como a chinesa, que assim só expele 6% a partir dos rins e lhe permite sobreviver em água salgada uma vez que não precisa de ingerir tanto líquido, caso contrário ela se envenenaria. Estás a ver como o sal faz muito mal?!
- Não faz nada! Dá sabor. Até mesmo lá em Timor.
- Por ti, môr até ia...
- Vam' bora!
- Mas agora é para Bora Bora?! Ora bolas...
- Ou então vamos para a Malásia, que tem lá a cobra maior do mundo com cerca de oito metros de comprimento e 250 quilos de peso...
- Mas essa após a postura de um ovo, morreu. Foi o stress desde a captura e quando viu que ainda conseguiu essa proeza faleceu. Por isso não destronou a Medusa.
- Aquela que transformava em pedra todo aquele que olhasse para ela. Mas que Perseu a decapitou, sua cabeça como arma usou até que a entregou à deusa Atena que a colocou em seu escudo...
- Sim, e não.
- Vamos então.
- Para ti, môr?
- Sim, vi ontem no programa "Portugueses espalhados pelo mundo". É tão bom lá viver.
As crianças na escola choram quando as aulas terminam, pois queriam lá continuar.
Ias adorar!
- É nos antípodas! O Jet Lag desnorteia-nos. E os bichos pechonhentos, mosquitos, que provocam a malária, dengue e a encefalite japonesa? É aconselhada a vacina contra a dita encefalite, hepatites A e B e a Tifóide.
- Não fode nada! Eu sou resistente: uso repelente.
- Mas tens que usar nas partes do corpo expostas. E espalhar inseticida no quarto de dormir, duas horas antes de deitar. Ah! e dormir com uma rede anti-mosquito à volta da cama.
- Isso quase que tenho que fazer aqui: os trombeteiros ameaçam-me dos idos de março, aos frios janeiros...
- E água só mesmo engarrafada ou que tenha sido fervida ou tratada. E o gelo...
- O gelo, já sei: não me vais poder trazer um pão com o que tiver na geladeira, como o que me trouxeste da última vez - com gelo dentro!
- Não foste tu que querias um amor e uma cabana?
- Sim, mas em Timor!..
- Eu não disse já a ti, môr, que isso é impossível! Ia estragar a minha forma de vida. Ver água e não poder entrar, era um suplício maior do que tântalo poderia aguentar. Só ir para a cama duas horas depois, sem poder logo de imediato aterrar...E não poder andar descalço, a apanhar sol só com elevadíssimo protetor e ter de evitar o contacto com animais domésticos, não poder comer fruta com casca, estou em crer, môr, que era pior do que morrer. Por ti, môr, faço tudo, mas não me peças, que é para mim grande, grande dor...
E tomar medicamentos à base de aspirina, só mesmo com receita, devido à ocorrência de febres hemorrágicas como o dengue.
- Vamos, vamos lá.
- E olha que o mito da criação do país, da ilha do crocodilo em que há os poemas, rituais e outras manifestações culturais que honram o avô Lafaek, é bem mais sério do que parece. Até afeta a chelodina timorensis, este crocodylus porosus que de quase extinto nos anos setenta do século passado, se vê agora bem revigorado e às portas de Dili.
E há quem veja nisso, uma espécie de punição da Natureza contra as vítimas.
- Ah, as tartarugas de pescoço de cobra, endémicas!...
- Sim, cujos preços variam de 400 a 950 dólares.
- Sim, das trezentas espécies que existem no mundo, não é aquela que mija pela boca, como a chinesa, que assim só expele 6% a partir dos rins e lhe permite sobreviver em água salgada uma vez que não precisa de ingerir tanto líquido, caso contrário ela se envenenaria. Estás a ver como o sal faz muito mal?!
- Não faz nada! Dá sabor. Até mesmo lá em Timor.
- Por ti, môr até ia...
- Vam' bora!
- Mas agora é para Bora Bora?! Ora bolas...
- Ou então vamos para a Malásia, que tem lá a cobra maior do mundo com cerca de oito metros de comprimento e 250 quilos de peso...
- Mas essa após a postura de um ovo, morreu. Foi o stress desde a captura e quando viu que ainda conseguiu essa proeza faleceu. Por isso não destronou a Medusa.
- Aquela que transformava em pedra todo aquele que olhasse para ela. Mas que Perseu a decapitou, sua cabeça como arma usou até que a entregou à deusa Atena que a colocou em seu escudo...
- Sim, e não.
- Vamos então.
sexta-feira, 11 de novembro de 2016
So long, Marianne
So long, Mariannne!
Título da bela canção
Que Leonard Cohen,
O cantor de voz grave e soturna,
Atribuiu a esta norueguesa que muito amava.
Com ela viveu na ilha grega de Hydra,
Lhe dedicou esta belíssima cantiga.
Em julho passado ela sucumbiu,
Mas ele, qual amor de António Feijó,
Garantiu-lhe que ela não ficaria muito tempo só.
E ontem, morreu!
Os oitenta e dois anos que tinha,
Nascido no seio de uma família judaica
Desloca-se de Montreal para Nova Iorque, em 66.
Lá conhece os artistas de vanguarda;
AndyWarhol, Lou Reed e até Janis Joplin,
Com quem tem uma intensa vida amorosa,
Resultando "Chelsea Hotel nº 2".
Formado em Literatura, e budista na sua procura do silêncio,
Este monge, Jikan, que significa essa mesma procura,
Teve uma vida mesmo dura.
Após um interregno de 15 anos faz-se novamente à estrada,
Após saber que o seu agente lhe comera grande parte da mesada.
Possuo vários CD's dos 14 albuns que editou este escritor,
cantor da melancólica espiritualidade que se encontrava pronto para morrer,
Só não queria que fosse desconfortável...e penso que sim, sem dor.
Dor essa que terei, ao ouvir hoje este estimado cantor e poeta,
Que pensa da forma certa:
Composição musical e literária alimentam-se mutuamente!
Foi um príncipe nas Astúrias, em 2011.
Bem haja: vou brindar com cidra até mais não,
A bebida nacional dos jovens dessa região...
Título da bela canção
Que Leonard Cohen,
O cantor de voz grave e soturna,
Atribuiu a esta norueguesa que muito amava.
Com ela viveu na ilha grega de Hydra,
Lhe dedicou esta belíssima cantiga.
Em julho passado ela sucumbiu,
Mas ele, qual amor de António Feijó,
Garantiu-lhe que ela não ficaria muito tempo só.
E ontem, morreu!
Os oitenta e dois anos que tinha,
Nascido no seio de uma família judaica
Desloca-se de Montreal para Nova Iorque, em 66.
Lá conhece os artistas de vanguarda;
AndyWarhol, Lou Reed e até Janis Joplin,
Com quem tem uma intensa vida amorosa,
Resultando "Chelsea Hotel nº 2".
Formado em Literatura, e budista na sua procura do silêncio,
Este monge, Jikan, que significa essa mesma procura,
Teve uma vida mesmo dura.
Após um interregno de 15 anos faz-se novamente à estrada,
Após saber que o seu agente lhe comera grande parte da mesada.
Possuo vários CD's dos 14 albuns que editou este escritor,
cantor da melancólica espiritualidade que se encontrava pronto para morrer,
Só não queria que fosse desconfortável...e penso que sim, sem dor.
Dor essa que terei, ao ouvir hoje este estimado cantor e poeta,
Que pensa da forma certa:
Composição musical e literária alimentam-se mutuamente!
Foi um príncipe nas Astúrias, em 2011.
Bem haja: vou brindar com cidra até mais não,
A bebida nacional dos jovens dessa região...
domingo, 6 de novembro de 2016
Casa do Camilo
Fui ontem visitar a Casa do Camilo,
A primeira no país com esse objectivo,
Não era dele, mas do marido da sua amada,
Que só tiveram paz lá, quando viram a vida dele terminada.
Ao entrar, do lado esquerdo e virado para a rua, a Noroeste
Tem os banquinhos de pedra, ditos de namorar;
Era lá que a sua amada passava longas temporadas, a registar
A ouvir o povo que passava, para ter reportório para o Mestre.
Como assim lhe chamou o nosso nobel,
Após a atribuição do seu prestigiado prémio.
- Eu tinha uma ideia dele, diferente, por vir da área do jornalismo,
Mas ao referir-se a ele, sempre desta forma que comove.
É que se por qualquer razão desaparecesse toda a cultura portuguesa,
Bastaria a obra de Camilo para fazer o restauro com a adequada clareza.
Volvidos seis lustros neste seu trabalho de guia na visita guiada,
Em que uns estão em cima, outros a fazer a entrada,
Naquela mesclada, cada um vai registando o que acha que deve;
Mas junto dele, tudo tem uma outra amplitude que me deteve.
Sabe-se amiúde, que aquele relógio de sala foi descrito em pormenor
Em EusébioMacário; que aquela acácia à entrada foi objecto de poema ao filho Jorge
Que por ele não terminou a sua vida na cadeira mais cedo;
Quando já se encontrava muito endividado e cego,
Ele que estudara medicina, ouvir do médico,
Que deveria ir para o Gerês,
E abandonando a casa pela companheira acompanhado,
Um desesperado disparo na sala é soado.
-Não é a aquela a arma da sua morte;
Essa encontra-se no Porto, na Igreja da Lapa.
Mas aquilo que eu muito adorei
Foi assistir na sala onde ele se suicidou,
A recitação a dois, em que o guia era o mestre que corrigia,
Do Soneto sobre os cento e dez amigos,
Que o abandonaram.
Estava lá em baixo, na antiga adega camiliana
Agora em exposição temporária, o original,
Por baixo da brutal lupa, quase sem igual,
A sua revolta contra esta triste Natureza Humana...
Amizade? Que amizade?...
Eu nem amigo de mim mesmo sou,
Quanto mais de um outro que já prestou,
Mas tudo, tudo passou.
E o que ficou
Foi o que reza sabiamente o aforismo açoriano:
"O que foi e que já não é, é o mesmo que nunca tivesse sido".
É assim, Camilo, é este o inevitável castigo.
A primeira no país com esse objectivo,
Não era dele, mas do marido da sua amada,
Que só tiveram paz lá, quando viram a vida dele terminada.
Ao entrar, do lado esquerdo e virado para a rua, a Noroeste
Tem os banquinhos de pedra, ditos de namorar;
Era lá que a sua amada passava longas temporadas, a registar
A ouvir o povo que passava, para ter reportório para o Mestre.
Como assim lhe chamou o nosso nobel,
Após a atribuição do seu prestigiado prémio.
- Eu tinha uma ideia dele, diferente, por vir da área do jornalismo,
Mas ao referir-se a ele, sempre desta forma que comove.
É que se por qualquer razão desaparecesse toda a cultura portuguesa,
Bastaria a obra de Camilo para fazer o restauro com a adequada clareza.
Volvidos seis lustros neste seu trabalho de guia na visita guiada,
Em que uns estão em cima, outros a fazer a entrada,
Naquela mesclada, cada um vai registando o que acha que deve;
Mas junto dele, tudo tem uma outra amplitude que me deteve.
Sabe-se amiúde, que aquele relógio de sala foi descrito em pormenor
Em EusébioMacário; que aquela acácia à entrada foi objecto de poema ao filho Jorge
Que por ele não terminou a sua vida na cadeira mais cedo;
Quando já se encontrava muito endividado e cego,
Ele que estudara medicina, ouvir do médico,
Que deveria ir para o Gerês,
E abandonando a casa pela companheira acompanhado,
Um desesperado disparo na sala é soado.
-Não é a aquela a arma da sua morte;
Essa encontra-se no Porto, na Igreja da Lapa.
Mas aquilo que eu muito adorei
Foi assistir na sala onde ele se suicidou,
A recitação a dois, em que o guia era o mestre que corrigia,
Do Soneto sobre os cento e dez amigos,
Que o abandonaram.
Estava lá em baixo, na antiga adega camiliana
Agora em exposição temporária, o original,
Por baixo da brutal lupa, quase sem igual,
A sua revolta contra esta triste Natureza Humana...
Amizade? Que amizade?...
Eu nem amigo de mim mesmo sou,
Quanto mais de um outro que já prestou,
Mas tudo, tudo passou.
E o que ficou
Foi o que reza sabiamente o aforismo açoriano:
"O que foi e que já não é, é o mesmo que nunca tivesse sido".
É assim, Camilo, é este o inevitável castigo.
domingo, 10 de julho de 2016
Igualdade
Já há muito que devia ter acontecido:
Umas das razoes do nosso atrazo,
Está nesta fanfarronice da doutorice;
Engenheiro, coveiro e essa parolice.
Umas das razoes do nosso atrazo,
Está nesta fanfarronice da doutorice;
Engenheiro, coveiro e essa parolice.
Isto está mais do que fora de prazo;
Acabou-se com a monarquia;
Porque nestas distinções nobliliárquicas,
Portugal já não se revia.
Mas como nunca houve revoluções a sério,
Mas pequenas alterações, essa é que é a verdade,
Os académicos títulos fizeram essa continuidade.
Para além do rio minho, douro, guadiana...
Que fica tão pertinho, mas que se ama,
Isso já há muito que morreu e sem qualquer fama.
Recordo-me do que relatava o sogro estimado,
Que um dia o CEO da BP veio a Leixões,
Seguiram-se tantas apresentações
Monocórdicas: eng. sicrano, eng. beltrano,
Que antes que lhe fosse apresentado mais um asno,
Qual vareira, de mãos na cintura, exclama:
- Ena, tanta engenheira!
E riram-se. Riram-se todos.
Primeiro num riso branco,
Depois num amarelo;
Pois riam-se deles mesmos,
Aqueles palermas...
Parabéns para este município sertanejo,
Deu o mote; e os outros 207?
O resto agora vai a trote;
Vai ficar tudo de cara à banda,
Rumo a abolição de um tratamento abjeto.
Um dia, que me encontre por perto,
Vou visitar o arqueólogo, amigo Rebanda.
Que foi publicamente insultado
Por causa das gravuras de foz coa.
Mas não foi a toa,
Que uma queixa crime o fez vingado.
Quero parabenizá-lo pessoalmente;
Em igualdade permanente,
Mas depois, só quando chegar lá a corrente...
Ob: o desafio do eurodeputado no congresso do psd deu resultado.
Ele sabe como tem sido lá fora vexado.
Acabou-se com a monarquia;
Porque nestas distinções nobliliárquicas,
Portugal já não se revia.
Mas como nunca houve revoluções a sério,
Mas pequenas alterações, essa é que é a verdade,
Os académicos títulos fizeram essa continuidade.
Para além do rio minho, douro, guadiana...
Que fica tão pertinho, mas que se ama,
Isso já há muito que morreu e sem qualquer fama.
Recordo-me do que relatava o sogro estimado,
Que um dia o CEO da BP veio a Leixões,
Seguiram-se tantas apresentações
Monocórdicas: eng. sicrano, eng. beltrano,
Que antes que lhe fosse apresentado mais um asno,
Qual vareira, de mãos na cintura, exclama:
- Ena, tanta engenheira!
E riram-se. Riram-se todos.
Primeiro num riso branco,
Depois num amarelo;
Pois riam-se deles mesmos,
Aqueles palermas...
Parabéns para este município sertanejo,
Deu o mote; e os outros 207?
O resto agora vai a trote;
Vai ficar tudo de cara à banda,
Rumo a abolição de um tratamento abjeto.
Um dia, que me encontre por perto,
Vou visitar o arqueólogo, amigo Rebanda.
Que foi publicamente insultado
Por causa das gravuras de foz coa.
Mas não foi a toa,
Que uma queixa crime o fez vingado.
Quero parabenizá-lo pessoalmente;
Em igualdade permanente,
Mas depois, só quando chegar lá a corrente...
Ob: o desafio do eurodeputado no congresso do psd deu resultado.
Ele sabe como tem sido lá fora vexado.
sexta-feira, 1 de julho de 2016
Coitado do senhor Adelino!
Paz à sua alma se foi ontem a enterrar.
Era uma pessoa espectacular;
Como empreiteiro, fui dele inquilino primeiro.
Comprei-lhe o apartamento;
Da forma que ele exigiu o pagar, também:
Dois mil e quinhentos contos de entrada,
Ou então não havia negócio para ninguém!
Eu vinha do rompimento duma ligação que começou mal
Perdi tudo o que poupara, desde os meus 14 anos,
Tornei-me o seu pai ao arcar os estudos quase em todos os anos
Quando o acordado era dar-lhe somente apoio emocional.
E quem nada tem, nada quer ter:
Cheguei a ter duas garrafas de wiskye em simultâneo
Em casas nocturnas só para não pagar entrada,
Mas a garrafa era zerada
Se não a gastasse num mês.
Ou a gastava eu, ou era o barman que tendo um amigo
Cimentava a amizade à custa cá do poupado freguês..
Fizera uma conta conjunta, só para comprar
E tinham, tal como numa empresa,
Os sócios que assinar.
Ora como a parceira só tinha 500
Após vários anos a trabalhar;
Já que ir a restaurantes que nunca alterou,
Ou luxar e viajar que igualmente alimentou,
O restante foi cá o "je" que à frente se chegou.
Depois, aproveitando a crítica do chefe da CGD,
Que nunca se vira outra, uma pessoa como eu
Não pedir empréstimo!.
Que contasse comigo como cliente passivo;
E nunca activo.
Era esse decididamente o meu objectivo.
Pago-lhe o apartamento em pouco tempo;
Um juro intermédio entre os dois tipos de crédito;
Muito mais que o passivo, mas menos que o activo.
E o lucro era para ambos;
E a transferência de propriedade só após o pagamento total;
E essa confiança que na altura ele em mim depositou;
Eu trabalhava em vários sítios; de dia e de noite,
Para poder honrar o que assumira.
A família que me gerara coitada, na altura,
Nem dinheiro tinha para comprar um t1 de seis mil!!
Tudo o que tinha era reinvestido no negócio das duas rodas,
Às vezes é que lá aparecia um dinheiro de lado,
Que era pela ascendente desviado.
Bastava estar escrito no envelope: dinheiro para porcos!
Que porco algum lhe foçava;
Não raras vezes, os porcos andavam nas orelhas dependurados..
Caso contrário era no negócio enterrado.
Vinham clientes de todo o lado
Rogar os seus veículos;
Pagando-os a preço de ouro.
O ramo de duas rodas ainda se manteve, mais do que devia
Com este cuidado que não se teve.
Por outro lado, como era vergonha deixar de velho,
Ou não se colher o que a terra e o ar fornecia,
Era ao rancho de mulheres a trabalhar todos os dias..
Autêntico suicídio económico:
Várias mulheres a ganhar ao dia na apanha da azeitona do chão;
Que ao cimo da árvore não era serviço de mulher...
Para se entregar ao alambique,
Que por sua vez, ao se cobrar da maquia
Óleo por azeite vendia; ainda por cima
Adquirindo-se por azeite o óleo da sua maquia.
Que o diga o esgueira, e outros carpinteiros que eram chamados
A reparar o sobrado dos seus telhados;
Que de tanta caixa de óleo vazia lá tinham que se desviar
Se queriam trabalhar...
Um era tão lambão, que até veio ter comigo
Para que fosse interceder ao vendedor, agora honrado
Que lhe desse a comissão de 50 contos que lhe tinha rogado,
Se lhe enviasse ou indicasse um cliente amigo.
O professor, que não seja esganado!...
E sorria...sorriamos ambos.de tão ousado pedido.
Que seja feliz, para onde quer que tenha viajado...
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