quarta-feira, 28 de junho de 2017

Soróleo

Era um grande conde,
E não era de vila do conde.
Vivia por riba
De uma ave que não causava entrave.

Todo o seu operário tinha cuidados de saúde.
E eram, amiúde, vários milhares.

Não gosto desses teus olhares, Abel.
Hoje não podemos ir passear.
Da última vez, tive que o chamar,

Qual kitt que o ia buscar.
Deixou de abastecer o soróleo,
Para te ir apanhar.

É que gasóleo em forma de soro,
E coisa que até eu ignoro;
Mas lá teve que ser.

Como tem que ser o que o sousa faz à mesa:
A sopa ainda come,
Mas ao resto faz um esforço enorme.
Mete o guardanapo à boca,
Não para limpar, mas embrulhar,
E levar ao bolso.
Quando o cônjuge não avistar, claro.
É que lhe fodia o juízo,
Se na messe familiar fizesse levantamento de rancho.
E a generala é de gancho,
Como todas o são.

É que a satisfação
De petiscar com os amigos no 18
É o melhor biscoito.
Vai para casa tão afoito,

Numa felicidade de quem viaja de avião,
Que até parece outro

Na altura do dito coito...

sábado, 24 de junho de 2017

Infâncias que não existem mais

Numa notícia do Expresso.
A jornalista Raquel Moleiro
Entrevista o sr Daniel Saúde,
Que teve a virtude
De ver o incêndio deflagrar.
Ao 112 acabou por ligar.
Às 14.38 tirou a primeira fotografia,
E não havia quaisquer trovoadas no ar.
Ele que esteve uma semana à espera
De ser contactado pela judiciária,
Está a ver que vai ter que ligar para a polícia,
Para ver se o querem questionar.
É por isso, que o Presidente da Câmara de Pedrógão,
Que acreditou nos fenómenos do inferno,
Que ouvia falar na igreja quando era criança,
E achava até que se duplicaria a matança.
Quando eu era criança,
Havia a floresta variada,
Com todo o perfeito ecossistema.
Hoje é uma monocultura,
Seja ao pé da 236 1 ou bem longe desta estrada:
Pinheiro e eucalipto são os atores deste cinema,
Para alimentar a celulose e mais nada!
E há quanto tempo isto dura?
Modelo florestal,
Próprio de país terceiromundista,
Sem esperança.
Por isso o incêndio não é uma desgraça,
Nem muito menos um acidente.
A quente,
Dir-se-á que é o resultado de más decisões políticas,
E os sinistros são a repetição quase quista,
A cada ano que passa.
E todo o povo tem o que merece,
E alguns merecem mesmo muito pouco,
E não querendo parecer louco,
Basta-lhes que aconteça sempre a mesma desgraça.
E eu, qual Sebastião Pereira deste mundo
Sob um pseudónimo profundo,
E sem querer atacar governo algum,
Ou confundir eleições locais com gerais,
Acho que é tempo de dizer basta,
Pois por causa de alguns terem pasta,
Sob nós cai a desgraça,
Em estios infernais.
O meu país não tem quatro estações,
Tem é a das inundações no inverno,
E o resto do ano é um autêntico inferno,
De infâncias que já não existem mais.
Até quando, meu Deus?...

sexta-feira, 23 de junho de 2017

Verdadeiro Amor

Um filme de guerra, com apenas três personagens.
O muro, com o sniper e os dois militares.
Também no de terror
Entra apenas uma única: sinistro!

Coitadas das narcejas...
Sim, mas esse custou a  irrisória quantia de 3 milhões de dólars.
E o nosso, que até antecipou para hoje a fase Charlie?

Adorei foi ter visto o Lars e o verdadeiro amor:
Bianca, uma mulher franca,
Que cada homem às vezes gostava de possuir.
Solidão, compreensão, paixão...

Um filme que não é nada para rir...
E como afirma Gosling, e eu subscrevo,
existe uma pouco de Lars em cada uma nós,
Que procuramos apenas ser amados e aceites
Sem imposições e condições.
Relacionando-se, por isso, mais com esta personagem
Do que com muitas outras ao longo da sua carreira.


Regresso do carvalho.

- Ai vai abastecer na EDP?
- Claro, mas o quê?
- Gasóleo, claro!
- Sim, mas muito devagarinho, como canta o nosso Sobralinho.
Tanto papel, Abel!
Saiu-me o totoloto.
Não comeces, maroto!
Ah! isso foi há muito, em que o químico permitiu que o anónimo de Lisboa, fosse eu.
Até te começaram a chamar senhor Abel!
Sim, porque lhes prometia uma carrinha nova para o trabalho a um, um carro a outro.. o problema é que me avançaram financiamento por conta.
Pois! E quando se deram conta...
Tive que vazar, ou davam-me uma trepa e me deixavam lá ficar.
O que é que fica no meio do mar, no fim da terra e não existe no mundo?
Abel: isso é muito profundo,
Acho que se perguntares à gente nova, toda ela erra,
Pois nem está para se matar.
Quando a querias enganar e depois lhe perguntaste se contigo queria casar, Abel, surpreendeste-me.
Mas, e o taxi que querias apanhar,
Pois andar já não querias mais.
Sim, mas foi mais de meia Viana!
Quem adora, volta; quem ama, fica.
Também eu queria que regressasse o carvalho,
Como exibiu a holandesa, pois mandava o fogo pró caralho.
Nem morria o Abel Beleza, com o desgosto das 64 mortes, vinte casas destruídas e 100 postos de trabalho em risco,
Concerteza.

terça-feira, 20 de junho de 2017

Portugal todo como Paris ou Marselha

Na indústria dos fogos escondida,
Como dispara hernâni Carvalho,
De fugida.
Ou a Catarina Martins,
Cujo trabalho generoso ou voluntário é uma treta.
Sim, apesar de 1,87 euros por hora,
Num dia o bombeiro engrossa o salário,
À custa da desgraça alheia.

Ou como diz Paulo Morais,
Quem mais fatura com os meios aéreos,
É o empresário Domingos Névoa, para mais,
Já condenado por corrupção séria.

Portugal deve ser praticamente dos únicos do mundo
A não ter um serviço de guarda florestal.
Está mal,
Como mal, a tese da trovoada seca,
Que foi, como em inícios de abril, uma peta.

Em registos internacionais, a norte de Pedrógão,
Que foi onde iniciou o incêndio, não há quaisquer
Como sustentou Pedro Almeida Vieira.

Acorda, homem. Acorda, mulher!
Acorda tu, que estás à minha beira,
Isto não é nada.
Estão a ser enganados;
A ser comidos com cebolada...

Portugal devia ser todo como Paris ou Marselha,
Os bombeiros são militares de primeira.
Ainda há dia falei com um aposentado da antiga Lutécia,
Que se lavava no tanque da via que atravessa o golfe..

Reserva moral de uma nação;
Por isso, Portugal está sem perdão...

segunda-feira, 19 de junho de 2017

Diz, Lália

uste o ue custar,
uero asar ontigo!
Dislália por omissão,
O som /q/ não aparece na comunicação.

Causada pela forte imposição
Na escola alemã, de sons que cá não há.
Traumatismo de comunicação,
É o que se passará.

Malformações ou de alterações de inervação da língua,
Da abóbada palatina e de qualquer outro órgão da fonação.
Encontram-se em casos de malformações congénitas, pois então,
O lábio leporino ou como consequência de traumatismos dos órgãos fonadores.

Por outro lado, certas Dislalias são devidas a enfermidades do sistema nervoso central.
Se não for nada disto,
É tão somente a dislália funcional.






Há que procurar na hereditariedade
Imitação ou alterações emocionais.
Ou nos deficientes mentais.
Pois até aos quatro anos,
Todos estes erros são normais...

Por tudo isto,
Se percebe o que aconteceu com este ser de Cristo...

Se das pedras brotarem flores,
E as casas acumularem energia
Qual sardão quieto ao sol,
Então todos seremos atores,
E as gaivotas se ouvirão a cada dia,
Mesmo a distâncias que só um farol alumia...

sábado, 17 de junho de 2017

Estrada da Morte

Não sei que se passava,
Dormir, não me dava.
Sentia-me angustiado,
Entendia que tinha de me fazer à estrada.

Mas ouço em direto.
No meu país houve uma tragédia,
Lá para o Pedrógão Grande.
Primeiro, 16, depois às duas e tal,
Mal abre a boca o nosso maioral,
Já iam em 24.

16 carros apanhados em fogos cruzados,
E as pessoas estavam dentro queimadas,
Mas quantas poderão ainda lá estar,
Nas imediações ao tentar fugir do lugar?...

Que importa que tenham sido 156, como disse o nosso primeiro,
Ou cento e cinquenta e quatro corrigido pelo sabedor da Proteção Civil.
Só no dia que acabou de findar?
Tantos incêndios, incêndios esses que tem vindo a aumentar desde abril.
E o fenómeno meteorológico de exceção, com trovoadas secas
E ventos de convecção, que amanhã continuarão,
A sul de Coimbra até ao norte alentejano não podem ser a explicação.

Há anos, em Arouca conheci um alemão
Que cá vivia e se indignava com o que cá se passava:
Terror dos incêndios!
Verdadeiro terrorismo, que sofre o nosso país, me dizia.

E se os turistas não vão para os locais de conflitos,
Muito menos, quererão vir para cá, para serem fritos!...

Solução, solução é pôr esta gente toda a limpar.
Terrenos em que os donos não são identificados,
Devem ser nacionalizados.
Sesmarias para os nossos montes,
Pois já para os campos, o nosso Formoso rei assim pretendia.

Leis, temos leis demais que não são respeitadas.
Ainda hoje, na estrada do atlântico, um autocarro estava parado
E o motorista bem regalado no café.
Uma senhora buzina,
Ele quase achou que era uma cretina,
E manda-a passar a linha contínua,
O que fez.

E eu ao ir mergulhar na praia norte,
Tive que ouvir assim um profissional sarrafaçal,
Por isso é que temos na estrada tanta morte,
Os incêndios, mais não são do que criminosos.

Parece que estou a recordar o que se passou na minha infância:
Um clarão brutal acorda-me de madrugada.
Um incêndio no palheiro, primeiro,
Depois, o tojo ao lado que era para colocar na corte do gado.

De jarro na mão, a tentar apagar o que o tone maluco
Havia, reconheceu ele muito mais tarde, provocado,
Pois a mãe a entrada em casa lhe havia fechado,
Dada as horas tardias a que lá chegava.

Tinha frio, fez uma fogueira,
E por causa dessa inocente ideia,
Provocou-me um sufoco,
Que ainda hoje não consigo troco...

domingo, 11 de junho de 2017

Vinte anos

Ai quem me dera ter outra vez vinte anos;
Como reza a letra do Primeiro Amor,
Cantada com enorme clamor,
Por Cidália Moreira.
Mas os que me refiro,
São aqueles que não em letras de papiro,
Mas nestas que a Natureza não firo.

Foi giro, como a angústia de um pai francês,
Desesperando longas horas para assistir ao parto,
Usando Câmara, Telemóvel e Computador,
- eu que nesse tempo só tinha este no quarto,
encimado pelos ninhos de andorinha que o tinham abençoado,
esse estava a anos luz de o possuir,
mas alguém me rogou que em vez de um, usaria dois,
E foi, pois! e aquele sendo uma oferta do destino
Por este meu sentir-,
Querendo registar e divulgar o nascimento da sua Sofia,
Hoje considerada pela Time, uma das cem imagens mais icónicas,
Criou um software que articulava esses três dispositivos.

A primeira câmara via assim a luz do dia.

Foi Sharp que deu a mão à sua invenção,
Criando a J - um só aprelho do Philippe Kahn
Enquanto as empresas que lhe fecharam as portas,
Como a Kodak e a Polaroid se viram logo mortas...

sábado, 10 de junho de 2017

Dinheiro de morte

No valor do dinheiro.
Três euros e vinte pode não ser nada,
Mas pode ser muito.
Há tanta alma desgraçada
Que precisa de quase três dias e meio
Comendo o pão que o diabo amassou,
Para auferir tal montante.

Mas há por ai bom tratante,
Que o que aufere num dia,
Treze compatriotas seus,
Precisam do longo mês.
E isto se não for explorado
Pela entidade patronal,
Que ele assine como o recebeu,
Mas um terço lhe retirou...

Parece que recordo aquela mãe,
Dizer isso mesmo,
Num pais que a trai.

Sapatos novos
E refeição completa,
Foi o que o montante permitiu.
Procede-se como fosse cá a américa:
Nas moedas bimetálicas,
Imagino as notas verdes,
Que a Itália tanto reivindicou.
Mas tal não pegou.
Mas eu agora qual Alice,
Sinto-me no pais das maravilhas...

Posso não ser Midas,
Mas tenho a alma da procriação...

- Vamos, mingos, temos de passar em frente ao banco
que foi vendido por um euro ao mesmo que apanhou o Banif.
Sim, veio este patife, uma vez mais
A abocanhar a pequena e média banca.
Na Europa, o que está a dar é a concentrar:
Grandes bancos, que em vez de fornecer melhor economia,
Vemos cada vez menos a luz do dia.

Como diz o bloco de esquerda,
Temos que pagar para ficar sem ela,
O melhor é mesmo nacionalizar.
É que as dívidas soberanas,
Não sei se irão aguentar.

Sabes, lembro-me do sr Arantes,
Que era ele que geria isto antes.
O BNC imobiliário.
Na altura, foi o melhor banco do mercado,
Ainda não estava contaminado,
Como os outros.

Até parecia um banco da América,
A famosa e tão liberal economia,
que englobar banca e seguradora não permitia:
-Estou aqui para pagar e não para morrer!
Olha para mim, muito sério,
E aceita que só pague por dez anos.

Mas veio também os enganos.
Na altura de amortizar antecipadamente,
Vim a saber que havia uma penalização de três por cento.
O avarento, apanhou-me distraído no dia da escritura,
E pôs-me a assinar um contrato entre as partes
que não era suposto ter lugar.

E com esse argumento da palavra,
que tem mais força que uma merda inocentemente assinada,
A direção do banco deu-me razão.
Nunca mais me viu com os mesmos olhos,
O energúmeno, que se calhar,
Destruiu mais um positivo número...

Foi a morte anunciada,
Ontem.
Será que lá continua o homem a quem salvei a vida?

terça-feira, 6 de junho de 2017

Pastar

Que bestas são aquelas,
Que se reproduzem em aguarelas?
Poderia ser como eu
Que nem como, nem olho o céu!
E pequeno como sou,
Nos açores melhor me dou,
Na ilha que mais graciosa ficou.
Mas anda por lá,
Um tipo que não é de nenhuma fajã,
A incomodar.
Ao menos estas peregrinas
Que estão por aqui a passar,
Rumo a Santiago, que é o que está a dar,
São de uma simpatia
Que há muito tempo assim não via.
Tenho que me pôr a pau com o marreta,
Este gajo da treta,
Ainda me parte a espinha.
E o rio, o rio com o seu singelo feitio,
Me dá um valente arrepio,
Só em pensar no belíssimo banho,
Após deliciosa comidinha.
Agora, só agora compreendo aquela tipa,
Que se envolveu com um tipo,
Tão diferente do seu tipo,
Que quando um relvado assim via,
Pastar, pastar, lhe apetecia...




o diferente do seu tipo,

segunda-feira, 5 de junho de 2017

Praga

    No tordo que há pouco vi.
    Segundo aquilo que ouvi,
    É uma ave do clima frio.
    Assim como acontece com as rolas,
    Turcas, já que as outras ficam no magrebe,
    Onde os cereais abundam, já que cá escasseiam,
    Também os tordos se passeiam,
    Pelo golfe.

    Esparguete com gambas,
    Numa refeição há muito adquirida.
    Mesmo assim, muito mal servida,
    Já que não foi volante.
    Foi um tratante!
    Paguei por um produto,
    E fui servido de modo bem diferente.
    Envergonhei o Sousa,
    Por causa das tigelas antigas da tia.
    Ele teve a arte que a companheira,
    Só o batia a comer tarte.
    As batatas são comidas pelos ratos.
    -Pois, agora compram-lhes comida,
    E por isso não se fazem a vida.
    - Não. Os agricultores mataram-nas.
    Dantes só se via elas a fugirem no meio do batatal.
    Agora há as plantas já enxertadas.
    Mas contra a praga dos ratos
    Não se consegue fazer nada..
    Mas, com a morte de quase todas, 
    deixou de haver as cobras rateiras 
    que mantinham os ratos sob controle,
    até nas terras lameiras...