
Os cento e setenta mil desempregos
Nesta semana anunciados,
Foram um elevadíssimo número
A que nunca estavamos habituados.
Com efeito, nunca tal acontecera.
Andou-se a criar tanta riqueza que não deixou nada;
Não deixou sequer cera...
Os valores foram demasiadamente desmaterializados,
Como aquele caso da mina de estanho inexistente,
Que na América enganou muita gente.
As nações estão mais pobres,
Como mais pobres ficam os países
Que exploram o minério para as novas tecnologias;
O ouro azul do século XXI.
Valeu a pena foi ter ido ontem ao lançamento
Do últmo livro do Luís Dantas.
Às tantas,
Dei-me a conversar com a afilhada do rebento do poeta,
Que alega possuir em casa
As cartas que o Salazar lhe mandava.
Espólio da dita mala vermelha,
Do hotel de Paris...
E falando da sua madrinha,
É ela que o diz:
Os amores não tudo invenção pura,
Havia era uma atracção e um respeito mútuo,
Como se depreende nas formas de tratamento:
" Exma Senhora...
Para não falarmos já de cartas rogatórias,
Mas isso são outras histórias...
Ora, os amores de Salazar
Que em fevereiro vai para o ar,
Poderá não ser bem essa a verdade.
À mistura, muito de maldade,
Querendo fazer dela uma galdéria.
Não há respeito, como o poeta respeitou
A coimbrã que morava na antiga rua do Rego de Água,
A quem António Fogaça
Que iria cair em desgraça,
Escreveria um belo poema.
Mas ao morrer esta bela donzela
Com tuberculose,
Na terra que viu nascer seis reis de Portugal,
Feijó sentiu a a beleza desabar,
E surgiu porventura,
O mais belo poema que anda no ar,
Que ficou ontem por declamar.
Foi, nos 40 anos da escola do patrono
O que esteve mesmo a faltar...
