sábado, 31 de janeiro de 2009

Quarenta


Os cento e setenta mil desempregos
Nesta semana anunciados,
Foram um elevadíssimo número
A que nunca estavamos habituados.
Com efeito, nunca tal acontecera.
Andou-se a criar tanta riqueza que não deixou nada;
Não deixou sequer cera...
Os valores foram demasiadamente desmaterializados,
Como aquele caso da mina de estanho inexistente,
Que na América enganou muita gente.
As nações estão mais pobres,
Como mais pobres ficam os países
Que exploram o minério para as novas tecnologias;
O ouro azul do século XXI.
Valeu a pena foi ter ido ontem ao lançamento
Do últmo livro do Luís Dantas.
Às tantas,
Dei-me a conversar com a afilhada do rebento do poeta,
Que alega possuir em casa
As cartas que o Salazar lhe mandava.
Espólio da dita mala vermelha,
Do hotel de Paris...
E falando da sua madrinha,
É ela que o diz:
Os amores não tudo invenção pura,
Havia era uma atracção e um respeito mútuo,
Como se depreende nas formas de tratamento:
" Exma Senhora...
Para não falarmos já de cartas rogatórias,
Mas isso são outras histórias...
Ora, os amores de Salazar
Que em fevereiro vai para o ar,
Poderá não ser bem essa a verdade.
À mistura, muito de maldade,
Querendo fazer dela uma galdéria.
Não há respeito, como o poeta respeitou
A coimbrã que morava na antiga rua do Rego de Água,
A quem António Fogaça
Que iria cair em desgraça,
Escreveria um belo poema.
Mas ao morrer esta bela donzela
Com tuberculose,
Na terra que viu nascer seis reis de Portugal,
Feijó sentiu a a beleza desabar,
E surgiu porventura,
O mais belo poema que anda no ar,
Que ficou ontem por declamar.
Foi, nos 40 anos da escola do patrono
O que esteve mesmo a faltar...

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Deixa-te dixo!

Eu a esforçar-me tanto e ela aos papéis.
Eu estou a trabalhar.
Estou perdida em papéis;
Apetece-me atirá-los ao lixo.

Olha, deixa-te dixo!
Dá-mos que eu coloco aqui no lareira,
Como coloco outro estrume.

O fogo tudo limpa!

As fogueiras obscurantistas
São disso bem exemplo.

E eu não te digo o que estou a fazer.
A coçá-los.
Calma aí, menina!
Já há muito que a tropa se foi;
Por isso não coço nada.
Ando mas é a ser acossado:
São os bancos que me querem prender,
É a mulher que até essa me quer f....

Estou no meu lar.
E o meu lar não é este do sétimo continente,
Ou aquele que é fisicamente existente.
Esse é o da mulher.
O meu já nem é mundo,
Como antigamente era o lar dos homens...

Há muito que esse desapareceu.

Não há grandes espaços privados,
Devidamente ajardinados;
Já não há desertos à natureza devotados,
Onde poderia ser asceta.

Os romanos tinham as latrinas para conversarem;
As praças para deambularem.
Agora tudo é enclausurado.
E eu descobri o santuário dentro de casa:
Aqui.
O meu é a casa de banho.

Não é para olhar para o espelho
E atentar como me tenho transformado.
Até isso eu já pus de lado;

Não é para aliviar a tripa,
Isso poderá ser o leitmotiv para a minha ausência.
Por vezes até dou comigo
Sentado em cima da tampa da sanita
No desconforto de banco.

Eu gosto desta casa de banho,
Porque está virada para sudoeste.
Tem luz que chegue, tem alegria;
Vislumbro o monte da nó, a serra d'Arga,
Por trás de tanta nebulosidade,
Como se fosse aquela câmera fotográfica
Do telemóvel que me impingiu a filha;
Tanto fotografa para fora,
Como para dentro.

Poderia escorrer como a millôr,
Mas até isso achava um terror!
Nem possuo o engenho e arte,
Teria que pedir ajuda às ninfas do lima.
Mas como?
Se elas estão tão distantes;
Se não podem vir por aí acima...

E eu tenho é que ver o cartão
Se ainda não foi deitado abaixo pelo canal do vento,
Que da chaminé entra por cá dentro,
Numa fúria destruidora.

Só para ser autorizado a lá colocá-lo
Foi uma carga de tormentos...
Até para evitar o frio,
Tenho que lutar.

Isto está por um fio...

Tinha-lhe enviado aquela foto de uma modelo,
Disse-lhe que a apreciava muitíssimo mais a ela,
Já entradita na idade,
Do que àquela que estava na flor da idade.

Dava-lhe cinco minutos para descobrir porquê,
Até lhe oferecia 150 000 euros se descobrisse;
Fui descoberto...

Foi uma chatice!

Mas a verdade é que ela morrera de sepse.

E entre a beleza inexistente,
E uma fealdade presente,
O diabo que há em mim,
Escolhe logo de repente.

domingo, 25 de janeiro de 2009

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009