quinta-feira, 26 de março de 2009

Aniversário
























Foi um aniversário triste!
A tia visivelmente doente,
A nuclear família no restaurante ausente...
E o aniversariante,
Em casa a dar ao dente.
Qualquer coisa,
Simples, muito simples
Que nem era quente...
Foi um aniversário diferente,
Como não acontece à vulgar gente.
Antecipado para a véspera,
Nem esteve à espera.
A gaiola pertinho do céu,
Com os bolores
Com que se comprometeu.
Cheiro intenso à fresca lixívia.
Coitado: ele nem disso se apercebeu...
O que lá se passou,
Passou:
Veio,
Ficou,
Encantou.
O vinho da Borgonha, o pinot noir,
Talvez a casta mais difícil de se cultivar
Fora da sua região de origem,
Retirou a vergonha que pairava no ar,
Com as duas frequentemente se entreolhar
Foi a melhor forma de se celebrar.
Arde agora em Ponte de Lima.
Será nessa nova vinha?





















terça-feira, 17 de março de 2009

Vilas mais antigas que Portugal

Isto dos bairrismos só dá chatices.
Mais: são culturais vigarices,
Que se fazem por causa disso.

Ponte de Lima não é a vila mais antiga de Portugal.
Dito assim, está historicamente mal.
Sátão, no distrito de Viseu
E Soure, em Coimbra,
São municípios desde 1111.

Mas agora há que juntar mais um:
S. João da Pesqueira.
Fernando, O Magno, algures entre 1055 e 1065,
No período da Reconquista,
Atribuiu-lhe o foral.

O infante D.Henrique, em 1110,
Confirma-o de novo.
Qual é então a vila mais antiga de Portugal,
Meu povo?

Na de ponte de lima,
A 4 de Março de 1125,
Intitulando-se rainha desde há quatro anos,
Cria aqui o Concelho,
Tendo as águas do Lima aos seus pés.

Em 1217, em Guimarães, afonso II
Confirma-o e alarga-lhe privilégios.
D. Manuel I, no primeiro dia de Junho de 1511
Dá-lhe novo foral.

Ponte de Lima é, seguramente,
Mais antigo do que Portugal.
Mas não é o único,
Afinal.


Domingo de manhã, em Caminha.
























Rania e Aqba

Bom dia
Como estás?
Essa é a tua casa?
Bem. Obrigado.

É a minha cazota.
Isso é um palácio, mulher!
Ri-se como uma perdida,
Pelo menos é isso que demonstra.

É nas terras da Deuladeu Martins?
Não é aqui, Em Nice.
Very nice!

Very well, rapariga,
Estás de parabéns,
Com o teu trabalho de formiga.
Obrigado.

Não tarda nada,
E toda a costa azul é dos tugas minhotos.
Pois será, será.

Como se consegue assim uma casotinha, hum?
Com o trabalho e a paixão de um homem.
E o terreno foi fruto dessa mesma paixão?
Não.
O terreno foi comprado.
Infelizmente não tenho hirdança.

Deixa lá. Afinal o que vale uma herdadinha de cá?
Mas se até os calhaus rolados da praia custam uma fortuna,
Que eu uma vez tive de descomprar, em 2003, no aeroporto,
Como é que...

Deixa pra lá.
Só precisavas mesmo era de ser mais elegante para ombreares com a rainha Rania
E o teu apaixonado com o abdullah II.
Embora sabendo eu
Que foi o teu primeiro...

Sei que não casaste no dia de Portugal, como ela,
Mas num encalorado dia de Agosto.
A tua mãe nunca me perdoou
Eu ter recusado a minha presença.
Foi um profundo disparate.
Feito em nome de uma miserável poupança.
Paciência.

Não precisas de dar nada!
Disse-me ela assim.
Mas eu, estupidamente,
Só confiei em mim...

Também tu és dona de um sorriso inconfundível...
Se emagrecesses uma bocadinho,
Ficavas no ponto de rebuçado...

Felizmente não te apareceu um malvado,
Como aquele austríaco que está agora a ser julgado,
Que violou a filha na cave,
Mais de 3 mil vezes.
O alarve,
Que lhe fez sete filhos,
Alega agora que teve uma infância muito difícil.

Quem não tem infâncias difíceis?...

Sabes, esse que não é um país de bananas
Governado por sacanas.
Em que o gamar,
É o que está a dar,
Também teve disso...

Aí vale a pena trabalhar...
E tu devias receber um prémio
Não o Norte-sul, como ela,
Mas um outro qualquer
Que ainda está por inventar.

Para mim não é questão
Se os meus antepassados
Eram pelo Alcorão
Ou a Cristo consagrados

Mas no Portugal de então
Andavam muitos povos mesclados
Do árabe, havia o alfaiate e alfaia
E havia também alforja e atalaia,
Que hoje estão tristemente arrumados...

E se o filho do hussein
Gosta de água como cá o quim,
É porque tem que ser mesmo assim:
Aqba, é onde no golfo a água acaba...

Se houve raízes árabes em Portugal,
E os 600 substantivos são um claro testemunho,
Este topónimo é uma herança portuguesa,
Tal como a pátria da folha do plátano,
Que posso afirmar com o meu punho
Sem algum engano,
Mas com toda a certeza!

sexta-feira, 13 de março de 2009

Às entranhas e ao passado









































































Como podes dizer que não é visita de estudo,
Mas sim, só passeio?!
Sabes há quanto tempo eu anseio
Visitar lá dentro aquilo tudo?...
Quando era uma romaria,
A ameaça de bomba,
A ida lá de noite e de dia;
As saudades do sogro zé maria...
Ia tão satisfeito
Como satisfeito se encontrava o meu pai no hospital.
Ia ter alta se...
Mas as pernas que abriam e fechavam
Que pareciam que nunca desanimavam,
O líquido pleural,
Foi um golpe fatal.
Como eu não poder andar no mais rápido e mais alto elevador da europa,
E logo eles que são já tão seguros desde 1850...
1,5 minutos apenas para 340 metros!
Antunes, se visses o serviço da então Somague!
Hoje, não era capaz de fazer metade!
Os escândalos de pagamentos aos partidos do poder;
Aliás, a primeira a inaugurar a condenação
Por pagamento ilícito,
Estás a ver.
Podes crer:
A nossa poderosa indústria,
O nosso tecido industrial está a morrer...
Hoje nem um banco mundial nos financiaria
Para construir uma Cahora Bassa.
Do tempo colonial.
Ainda hoje, apesar de ser a quarta maior de África,
Após o assuão, volta e kariba,
Ainda é nesse continente,
A maior em betão.
E quanto à inscrição,
Não te digo não:
"Esta maravilhosa obra humana do género humano constitui um verdadeiro hino à inteligência, um promotor do progresso, um orgulho para os empreiteiros, construtores e trabalhadores desta fantástica realização. Cahora Bassa é a matriz do desenvolvimento do Moçambique independente. Os trabalhadores moçambicanos e portugueses, fraternalmente, juntando o suor do seu trabalho e dedicação, garantem que este empreendimento sirva os interesses mais altos do desenvolvimento e prosperidade da R.P.M. Moçambicanos e Portugueses consolidam aqui a unidade, a amizade e solidariedade cimentadas pelo aço e betão armado que produziu Cahora Bassa. Que Cahora Bassa seja o símbolo do progresso, do entendimento entre os povos e da paz no mundo."
Na grafia original da língua cinyungue
(Cahoura ..), e no colonial português Cabora
Acaba o trabalho!
As suas quatro poderosas turbinas,
Cada uma produzindo mais que as duas de Lindoso...
A indústria já não se desembaraça.
Aqui agora tudo mente.
Viver cá já não dá gozo.
Já não parodiamos mais firmamentos,
Como anoninamente pensou aquele técnico no momento.
Já não há mais entranhas para mergulhar,
E encontrarmo-nos quase à cota zero.
Hoje só há nomes sonantes no ar.
A arquitectura, perdeu a sua humildade,
Como Niemeyer já longos tempos denunciara.
Até a preservação do passado
Está a passar por um mau bocado.