As falências estão na moda;
Parece ser esta sua única onda.
Foi anunciada hoje pela manhã
No seu país de proveniência,
A inevitavel falência
Da Qimonda,
Empresa do grupo alemão
Infineon.
Originária da saxónia
Esta empresa instalou-se na nossa parvónia,
De Vila do Conde.
Os trabalhadores tinham doze horas de trabalho,
É que a concorrência dos asiáticos nos chips de memória
Ponha em risco os 2000 mil de cá.
Parecia mais uma empresa chinesa
Das inúmeras que lá crescem como cogumelos...
Uma injecção de 100 milhões do nosso governo,
Não foi suficiente.
A quente,
Poder-se-á dizer que o saldo da nossa balança tecnológica
Até aqui positivo,
Eventualmente passará a negativo,
Aliás, como em quase todo o resto...
Na madeira, parte para o estrangeiro a nossa melhor nata,
Vai muita e bem barata.
Para cá regressa aquela toda podre
Que as fábricas de papel chamam mel.
Como se alimentará a nova fábrica de Setúbal,
Cuja necessidade de matéria-prima,
Não existe no rectângulo?
Ainda crescerão pinheiros, eucaliptos
Em locais onde houve construção de mais.
Das chaminés sairá não o fumo
Mas as alegres plantas
Que para chegar ao sol só vêem esse rumo;
Dos telhados musguentos,
Das varandas abandonadas;
Dos vãos das escadas...
É a crise!...
Eu sei, amigo, que não gostas de ouvir esta palavra maldita.
Achas que os noticiários, os jornais
Falam dela demais.
Mas sabes,
Não adianta fazer como a avestruz...
Receio que lá para o outono,
Esteja o governo que estiver,
Não haver dinheiro, sequer,
Para mandar tocar um cego.
Os três mil milhões de crédito mal parado,
Os cento e cinquenta mil milhões de débito externo...
Falências, despedimentos em todo o lado..
Um presidente garante num dia
Aquilo que é desmentido no dia seguinte:
Afinal sempre há despedimentos no maior grupo português.
Parece uma previsão patética,
Eu é que sou um grandessíssimo bruto,
Mas...
A Rússia passou por isto,
Aquando do colapso da ex união soviética.
Os reformados não recebiam,
Os titulares de contas, civis ou militares,
Apareciam com armas nos bancos
Para exigir as suas economias.
Na altura injectaram muito dinheiro,
Que agora não o há, mesmo nesses países doadores,
A troco de gás, petróleo, ouro...
Que temos nós para oferecer?
Tínhamos da qimonda as memórias,
Como de Zamora, tínhamos
O que sempre registou a história:
Uma ténue independência.
Mas a culpa é da escrita.
Falta o "u" entre o "q" e o "i",
Por isso esta desdita.
E será que hoje a suspensão sempre irá avante?
Não me pronuncio:
Já errei no passado,
E eu sempre tenho o meu brio.
sexta-feira, 23 de janeiro de 2009
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