sexta-feira, 1 de julho de 2016

Coitado do senhor Adelino!
Paz à sua alma se foi ontem a enterrar.
Era uma pessoa espectacular;
Como empreiteiro, fui dele inquilino primeiro.

Comprei-lhe o apartamento;
Da forma que ele exigiu o pagar, também:
Dois mil e quinhentos contos de entrada,
Ou então não havia negócio para ninguém!

Eu vinha do rompimento duma ligação que começou mal
Perdi tudo o que poupara, desde os meus 14 anos,
Tornei-me o seu pai ao arcar os estudos quase em todos os anos
Quando o acordado era dar-lhe somente apoio emocional.

E quem nada tem, nada quer ter:
Cheguei a ter duas garrafas de wiskye em simultâneo
Em casas nocturnas só para não pagar entrada,
Mas a garrafa era zerada
Se não a gastasse num mês.

Ou a gastava eu, ou era o barman que tendo um amigo
Cimentava a amizade à custa cá do poupado freguês..

Fizera uma conta conjunta, só para comprar
E tinham, tal como numa empresa,
Os sócios que assinar.

Ora como a parceira só tinha 500
Após vários anos a trabalhar;
Já que ir a restaurantes que nunca alterou,
Ou luxar e viajar que igualmente alimentou,
O restante foi cá o "je" que à frente se chegou.

Depois, aproveitando a crítica do chefe da CGD,
Que nunca se vira outra, uma pessoa como eu
Não pedir empréstimo!.

Que contasse comigo como cliente passivo;
E nunca activo.
Era esse decididamente o meu objectivo.

Pago-lhe o apartamento em pouco tempo;
Um juro intermédio entre os dois tipos de crédito;
Muito mais que o passivo, mas menos que o activo.
E o lucro era para ambos;
E a transferência de propriedade só após o pagamento total;

E essa confiança que na altura ele em mim depositou;
Eu trabalhava em vários sítios; de dia e de noite,
Para poder honrar o que assumira.

A família que me gerara coitada, na altura,
Nem dinheiro tinha para comprar um t1 de seis mil!!
Tudo o que tinha era reinvestido no negócio das duas rodas,
Às vezes é que lá aparecia um dinheiro de lado,
Que era pela ascendente desviado.
Bastava estar escrito no envelope: dinheiro para porcos!
Que porco algum lhe foçava;
Não raras vezes, os porcos andavam nas orelhas dependurados..

Caso contrário era no negócio enterrado.
Vinham clientes de todo o lado
Rogar os seus veículos;
Pagando-os a preço de ouro.

O ramo de duas rodas ainda se manteve, mais do que devia
Com este cuidado que não se teve.
Por outro lado, como era vergonha deixar de velho,
Ou não se colher o que a terra e o ar fornecia,
Era ao rancho de mulheres a trabalhar todos os dias..

Autêntico suicídio económico:
Várias mulheres a ganhar ao dia na apanha da azeitona do chão;
Que ao cimo da árvore não era serviço de mulher...
Para se entregar ao alambique,
Que por sua vez, ao se cobrar da maquia
Óleo por azeite vendia; ainda por cima
Adquirindo-se por azeite o óleo da sua maquia.

Que o diga o esgueira, e outros carpinteiros que eram chamados
A reparar o sobrado dos seus telhados;
Que de tanta caixa de óleo vazia lá  tinham que se desviar
Se queriam trabalhar...

Um era tão lambão, que até veio ter comigo
Para que fosse interceder ao vendedor, agora honrado
Que lhe desse a comissão de 50 contos que lhe tinha rogado,
Se lhe enviasse ou indicasse um cliente amigo.

O professor, que não seja esganado!...
E sorria...sorriamos ambos.de tão ousado pedido.

Que seja feliz, para onde quer que tenha viajado...

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