segunda-feira, 5 de março de 2018

Então, onde vai?

        - ENTAO, ONDE VAI?
        Perguntava-me insistentemente, aquele que respeito mais, que a memória do meu pai.
        É que, para ele, mais do que físico, o AMOR é belo, gigante.
        Toca-me como a mais perfeita de todas as harmonias...
        O AMOR é a mais perfeita certeza, dirias.
        Atento na cento e setenta e seis:
        'Hoje são três de março... é véspera da (...) partida."
        Mais do que a Bíblia que não termina com um FIM, parece que fala de ti; parece que fala de mim.
        Desculpa não ter acabado a " Minha filha Inês'.
        Estava destinado que o levarias nas tuas merecidas férias.
        Só que eu, só há pouco o acabei.
        Até o pássaro cantou.
        Já está às tuas Mercês.
        Mas até te estragou
        O que havias estipulado.
        Às vezes, as coisas não acontecem por acaso.
        Acontecem, porque há um determinismo.
        Não me digas que sou um abismo,
        É que, senão, cismo.
        E uma cisma é pior que uma doença.
        Sinto os galos ao longe, a cantar.
        Sei que finalmente vais viajar.
        E a Bíblia, surgida duma tipografia de Amares,
        Cuja impressão, é nos típicos Modelos,
        Numa extensão que vai da parafarmácia,
        Ao fim da cafetaria onde o pai do Gonçalo, do Joaquim, enfim,
        Ao pé de mim se sentaria,
        Finalmente vai repousar.
        Mas vai ficar à cabeceira,
        Qual Bíblia que convém ter à beira...
        Voa joaninha, como a personagem que o Joaquim viu no monte.
        Ao pé havia uma fresca fonte,
        Tantas vezes entrei nas suas entranhas...
        Até lhe medi a sua extensão.
        Que saciavam as cabras, as ovelhas
        Que hoje não amanhas.
        E a chuva canta aqui já por cima,
        Que mais parece o carro que alguém abomina.
        Às vezes fico sem saber,
        Se estou num móvel se num imóvel;
        Se alugo se arrendo num preciosismo de um catedrático de direitos reais, qual Orlando de Carvalho, mítico de mais.
        Se estou fora, se dentro da obra; que, senhora, não Levais...

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