
É um amor aquela moça
É bela, criativa
E põe a minha cabeça à deriva.
De tempos a tempos anda numa fossa.
Também eu andava no fossado;
Também eu mergulhei no passado...
Como ontem, ao passar pelo bárrio
E ver aquela casa abrasonada muitíssimo estragada.
O dono, descuidou-se com a salamandra;
Pensou que o fogo
Já que não se tinha ateado,
Não mais seria pegado.
Deixou a porta da salamandra aberta;
Que mau uso,
Descuido pateta.
Os carros dos bombeiros não puderam passar,
Porque no nosso minho
Ainda existem desses caminhos
Sobretudo na propriedade particular.
As bocas de incêndio
Deixavam a desejar.
Resultado:
A destruição quase total
De um solar.
Tanta recordação acabaria por se estragar.
Até podemos imaginar
Arcas de dobrões de ouro
Que esse fatal zé do telhado
Acabou por roubar.
Sim, parecia um mostrengo
Naquela noite sem luar.
Uma chaminé ao ar
Um telhado a esmoronar
O que fez aquele zé...

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