Acabei de ler um poema do poeta russo Maiakovski,
Fica a bailar no pensamento a última estrofe:
"E porque não dissemos nada
Já nada podemos dizer"
Outro de Bertold Brecht,
Que ainda tem mais a dizer;
Como que abre na minha mente uma brecha:
"Agora estão me levando
Mas já é tarde
Como eu não me importei com ninguém
Ninguém se importa comigo"
É esta falta de solidariedade
Que acabou por ditar a minha desdita.
Por mais que a classe sofra
Berre, lute, faça greve...
Seja até considerada pelo povo português
A classe maldita,
Mesmo amenizada por flyers ou filipetas
Já que no que toca aos folhetos, panfletos
É tudo produtos obsoletos.
Eu devia era ter-me importado com todos eles
Eu devia era sofrido quando eles sofreram;
Eu devia era ter feito greve,
Quando aqueles meus vizinhos a fizeram,
Mas não fiz: por isso a "mea culpa".
Mas vou avançar para a luta.
Dia três, dia nove,
Vão ser a prova dos nove.
Porque acho que nunca é tarde...
Nunca é tarde ouvir de um amigo
Dizer num tom até querido,
Daquele que teve que emigrar:
"Ao menos tu és... és sempre a mesma merda!"
Foi uma risota de estalar
Como vês,
Bem diferente da do parvalhão,
Que caíu como um vulcão
Naquele chantier,
Algures perto do antigo cone vulcânico,
Não muito longe de São Tropez
No departamento do Var.
segunda-feira, 1 de dezembro de 2008
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