domingo, 26 de junho de 2016


O Paço de Giela,
Seria um baluarte;
Seria uma janela,
Defronte à vereda.

Ao pé do Soajo,
Ao pé da Amarela,
Ajoelhado à Peneda,
É uma obra de arte,
Sempre que pra aí viajo.

Foi uma recuperação merecida;
Não se podia deixar ficar destruída
Uma herança do passado na Natureza erguida.

Os erros de Portugal têm sido estes, neste século
A banca acedeu ao imobiliário; acedeu à construção;
Hoje a capital, ainda lembra um estaleiro,
Como se fosse de Ulisses o seu oráculo,
E pôs-se de lado à necessária recuperação.

Arcos de Valdevez,
Onde Portugal se fez...

E deixar ruir o que em herança se recebeu,
É tão criminoso como no ano Jacobeu
Entrar-se na Catedral pela porta sem febeu.

Só um autêntico bisobeu,
Nunca um adónis como eu,
Para delapidar um país que nos cabeu.

Mas se coube,
E que na Galiza nasceu,
Por endémica sempre aqui cresceu,
Porque a ovelha não a comeu?!

Puta que o pariu!

Que até os rebanhos destruíram;
As pessoas para longe expulsaram,
E afinal o que é que todos ganharam?

Todos, não sei;
Alguns, com a construção desenfreada,
Puseram um país todo de abalada
Desde que aos dezasseis anos aqui passei,
Rumo à senhora que na serra encontrei.

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