Quando ultrapassa a perfeição,
Numa metafísica de trazer à mão,
Fez-me um amante por defeito.
Com efeito,
O amor é sempre em girassol.
Busca as palavras com jeito,
Como a planta busca o sol.
Um sorriso, um beijo,
Já nada mais prevejo,
Ser dono do meu umbigo,
É o caminho que antevejo.
É como este forte trovão,
Que há pouco ecoou nos ares.
Para te amar ou tu me amares,
Tem que ser sempre com emoção.
Nas coisas pequeninas que se ignoram:
Uma fita do estore que rebenta,
Uma cortina que tem que ser colocada,
Ou uma tampa de fogão há muito abandonada,
E que se vê novamente utilizada.
O amor é tudo isso,
É o feitiço que nos conduz à estrada,
Eu e a amada,
Nesta vida que tem que ser lograda.
Não é olhar um para o outro,
Mas olharmos os dois em frente,
Até ser bem cota.
Ver o rio, ver passar a gente,
E ao me levantar ficar como meu outro rosto,
O Girassol que nunca dá sombra,
Para que não seja sujeito surreal imposto
Como na terra da bota.



















































































































































































































































































































































































































































































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