sábado, 8 de abril de 2017

Generosidade vinga

Penso na generosidade é o que é.
Nem devia pensar, mas penso, sabes.
Devia era estar a descansar,
A esta hora em que tudo está a nanar.
Mas o social café,
Ali bem perto do mosteiro do Bouro,
Deu-me um estouro.

Significado deste topónimo,
Ouvi, no banco de atrás a perguntar.
Como a pergunta não me era dirigida,
E estava numa outra conversa com um homem de vida,
Não quis interferir.

Originado do suevo "bur" significando "casa".
Mais concretamente, a tribo dos búrios (buri)
Que acompanhou os suevos, estabeleceu-se na região
Que na minha nação se situa entre o rio Cávado e o Homem.

Já Tácito, na sua Germania teve a bela ousadia de os descrever,
Como muito próximos dos Quados e Marcomanos,
Da Morávia e da Boémia,
Com costumes e língua semelhantes aos do povo,
Que escolheu Braga como capital do seu reino
Após 409.

Depois, vieram outros godos, vizinhos,
Daí visigodos, que volvidos 100 anos
De Toledo por aí acima,
Os puseram a nove,
Dominando até à invasão muçulmana de 711,
Toda a Ibéria.

Atenção que isto não é léria!
Como não é léria dizer que no quadro administrativo português,
Era até há doze anos e três meses atrás,
O único dos 208 municípios que não estava sediado
Numa localidade com o nome do município no seu todo:

Vila de de Covas, na freguesia de Moimenta.
Foi assim a vila redesignada,
Pondo termo a essa situação inusitada.

Quem também pôs termo ao domínio da Microsoft,
Que com sorte, já vinha desde a década de 1980,
Foi o Browser da Google no mês passado,
Sem ser necessário água benta.

Quem diria que o Android que há cinco anos atrás
Representava apenas 2,4 por cento na utilização global da internet,
Tenha mandado agora para a retrete
A liderança da janela da microsoft?...

É o fim de uma era.
Pois esta teria que ser a sua sorte:

Oferta, generosidade, bondade...

As janelas quando se abrem é de par em par...
Para isso não tem que ser necessário pagar.
Por causa disso, até um dia o meu primo me quis esbofetear...
Porque tinha em França uma versão windows
Pela nora francesa piratamente instalada,
E que não poderia ser actualizada;
Coisa que eu carneiramente, desobedeci,
E nas que me vi...

E a culpa foi do ganancioso do Bill Gaitas...

Todos merecemos o bom ar:
Fresco desfrutando da natureza em plenitude,
Que amiúde, como escreveu Torga, no Diário VII,
"Tudo se conjugu"e" para que nada falta à sua grandeza e perfeição"...

Londres vai ter internet por toda a cidade,
S. Francisco, já há muito que oferece à sua elevada população.
E eu já há muito tinha esta premonição,
Até a dizendo às classes de uma tenra geração,
Ficando eles em elevada estupefacção.

Quando só uns poucos, muito poucos,
A tinham por luxuosa e interdita aquisição.

Se me perguntam, como aconteceu ainda ontem
Pelo afável povo vizinho do louco do tio Sam,
Que escolheu o cavalo, como prova de guerra,
Enquanto o jumento escolhido pelo vizinho simboliza a paz,
Um pouco como Cristo há dois mil anos atrás,
E até no império moscovita se repetia,
Fazendo o Patriarca de Jesus,
E o Czar, que é quem é,
Logo por azar, liderava a procissão a pé
E eu não souber responder de imediato à questão,
Só porque a conduzir não dá para elocubrar,
Ou ainda me posso acidentar,
Como ainda no dia do Lázaro acontecia.

Versão anterior da ressurreição do próprio Jesus.

Acho muito mais prático,
Ir mesmo à internet em viagem, cedida por mim,
Pois já a mim me fazem assim,
E ficarem de imediato a saber que o símbolo de Portugal é o galo,
Porque quando há uma injustiça, por quem a pratica,
Até o animal morto e assado prova a inocência
De um pobre galego, miscigenenado pelo suevo,
E seu vizinho e depois o mouro que esteve cá um tempinho,
A caminho de Santiago é injustamente acusado,
E à morte condenado,
Só porque um crime lá para os lados das terras de Faria,
Foi perpetrado um dia.
Recaindo a culpa sobre o pobre peregrino que teve o azar
De estar à hora errada e no errado lugar...

Foi lindo! Foi lindo ler para mim
Por quem vive entre o deserto e a bela Sierra Madre,
A lenda do galo de Barcelos.
E a expressão de felicidade que saía até dos seus cabelos,
Por de uma forma tão rápida e eficiente,
Poder informar-se, e informar toda a gente.
Até eu próprio,
Pois lido no Castelhano, embora preferisse no portunhol,
para que, como disse Daniel Castelao,
Que ainda ontem revi gravado em lápide no castelo,
"A nossa língua (se referisse ao galego) floresce em Portugal", pudesse ir da América até Macau...

É que a bola onde vivemos é esférica,
E só nos compreendendo, podemos nos dar a mão,
E eu que fui batizado em Cabinda,
Me fartando do líquido escuro,
Sei que só assim a generosidade vinga...

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