O fulano...
Que fulano?
O que te elogia a gata?
Ah! esse é um escritor.
Poeta, queres tu dizer.
Mas ele escreve.
E atirar-se a mim,
É coisa que não deve...
Acho, acontecer.
Um poeta é alguém que sabe,
Que um dia vai morrer.
Mas enquanto cá anda,
Sente orgulho em viver.
Dá valor a todo e qualquer ser, objeto...
Por exemplo, ao teu animal de estimação,
Porque o poeta sabe, sente,
Que é um animal diferente:
Não foi ele a ser domesticado,
Mas a domesticar.
Quer a sua independência,
Mas se se identificar com a pessoa,
É um casamento de inteligência.
Quando era jovem e caçador,
Com toda aquela vida boa,
Já nesse tempo queria ser como o do Altino do Tojal,
O avô que só adorava o aparato da caça;
Mas, por desgraça,
Se não o fizesse,
Os animais até não achavam natural,
Andar de pressão de ar,
E nem sequer um passarito matar.
E o gatito que tive, coitado,
Por um carro do correio atropelado?...
Ou o senhor dos camiões,
Até o dos autocarros,
Que nesse tempo,
Só se resumia a carrinhas do grossista que o despediu...
Esse até adorava me ver com enxada na mão.
Dava gosto trabalhar no quintal,
Em socalcos como se estivesse no Douro ou no Tibete,
Em excursões de turismo ou alpinismo,
Como nunca se viu.
Tinha companhia,
Não dava um passo,
Que o gato não se atrevia...
Até um dia.
domingo, 6 de agosto de 2017
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