quarta-feira, 19 de novembro de 2008
terça-feira, 18 de novembro de 2008
domingo, 9 de novembro de 2008
Aquele zé

É um amor aquela moça
É bela, criativa
E põe a minha cabeça à deriva.
De tempos a tempos anda numa fossa.
Também eu andava no fossado;
Também eu mergulhei no passado...
Como ontem, ao passar pelo bárrio
E ver aquela casa abrasonada muitíssimo estragada.
O dono, descuidou-se com a salamandra;
Pensou que o fogo
Já que não se tinha ateado,
Não mais seria pegado.
Deixou a porta da salamandra aberta;
Que mau uso,
Descuido pateta.
Os carros dos bombeiros não puderam passar,
Porque no nosso minho
Ainda existem desses caminhos
Sobretudo na propriedade particular.
As bocas de incêndio
Deixavam a desejar.
Resultado:
A destruição quase total
De um solar.
Tanta recordação acabaria por se estragar.
Até podemos imaginar
Arcas de dobrões de ouro
Que esse fatal zé do telhado
Acabou por roubar.
Sim, parecia um mostrengo
Naquela noite sem luar.
Uma chaminé ao ar
Um telhado a esmoronar
O que fez aquele zé...
terça-feira, 4 de novembro de 2008
Devagar
Quando eu era ainda criança
O que mais sonhava era conduzir um carro
Com muitas moedas e maços de tabalo na consola.
Assim sentia-me um homem realizado.
Não andando depressa,
Mas numa velocidade de cruzeiro:
Vinte, trinta e assim ser o primeiro.
Um roda no passeio,
Outra no alcatrão;
Deixava passar todo o camião,
Porque a minha pressa
Era como a de alguém
Que encomenda o seu caixão.
Coitado do Miguel!
Aquele filho ainda tão novo,
E velá-lo como se fosse a seu pai.
Certamente teve a dor de encomendar o capote do filho!..
Como eu tive a minha pesada dor,
De lhe prestar as minhas sentidas condolências...
Se não fosse à misericórdia velar o corpo
Era como se tivesse sido eu o morto...
E eu preciso é de nascer,
Não de morrer,
Para viver a conduzir
A vida que um dia acabei por escolher...
Precisava de ter o sonho
Que teve a linda de suza aquando da tragédia de entre-os-rios.
Mas eu já há muito que deixei de sonhar.
Durmo, durmo pesadamente,
Para no dia seguinte poder caminhar;
Como sempre:
Devagar...
sábado, 1 de novembro de 2008
Penas do D. João V

Andava por aqui a arrumar
E o que haveria de encontrar:
O Memorial.
Peguei nele e follheei-o.
Gostei de saber,
Pelo que acabava de ler,
Que mais um monumento foi promessa.
Já Alcobaça, Batalha,
Não digo mais porque a memória se me baralha,
Surgiram assim.
Quem quiser um resumo,
Pode ler o livro sem deitar fumo.
Mas algo fundamental lhe escapa:
A beleza do texto,
A expressão excelsa,
Até desconhece o cobertor de penas...
Perde muito,
Quem muito tem a perder;
Tanto ou mais como a crise bolsista
Que agora se está a viver.
O melhor mesmo,
É integralmente o ler.
