terça-feira, 20 de março de 2018

Orange County

Orange County,
Califórnia;
Insónia,
Da América.

Dos quarenta milhões de miseráveis,
Que a América gostaria de descartar,
Muitíssimos têm lá o seu lugar.

Ainda ontem, me abordaram no campo da vinha,
Querendo saber onde era o lugar para ter comidinha,
E um sítio para morar.

Agora que entrou a Primavera,
Até na França, a rua é o lugar;
Para indigentes;
Para essas gentes,
Que não conseguem honrar
Uma renda que é suposto pagar.

sábado, 10 de março de 2018

À volta do chega.

Chega.
Chega quem chega.
Chega.

Se chega, chega;
Se não chega, não chega!

E se não chega?

Chega! Chega!


segunda-feira, 5 de março de 2018

Então, onde vai?

        - ENTAO, ONDE VAI?
        Perguntava-me insistentemente, aquele que respeito mais, que a memória do meu pai.
        É que, para ele, mais do que físico, o AMOR é belo, gigante.
        Toca-me como a mais perfeita de todas as harmonias...
        O AMOR é a mais perfeita certeza, dirias.
        Atento na cento e setenta e seis:
        'Hoje são três de março... é véspera da (...) partida."
        Mais do que a Bíblia que não termina com um FIM, parece que fala de ti; parece que fala de mim.
        Desculpa não ter acabado a " Minha filha Inês'.
        Estava destinado que o levarias nas tuas merecidas férias.
        Só que eu, só há pouco o acabei.
        Até o pássaro cantou.
        Já está às tuas Mercês.
        Mas até te estragou
        O que havias estipulado.
        Às vezes, as coisas não acontecem por acaso.
        Acontecem, porque há um determinismo.
        Não me digas que sou um abismo,
        É que, senão, cismo.
        E uma cisma é pior que uma doença.
        Sinto os galos ao longe, a cantar.
        Sei que finalmente vais viajar.
        E a Bíblia, surgida duma tipografia de Amares,
        Cuja impressão, é nos típicos Modelos,
        Numa extensão que vai da parafarmácia,
        Ao fim da cafetaria onde o pai do Gonçalo, do Joaquim, enfim,
        Ao pé de mim se sentaria,
        Finalmente vai repousar.
        Mas vai ficar à cabeceira,
        Qual Bíblia que convém ter à beira...
        Voa joaninha, como a personagem que o Joaquim viu no monte.
        Ao pé havia uma fresca fonte,
        Tantas vezes entrei nas suas entranhas...
        Até lhe medi a sua extensão.
        Que saciavam as cabras, as ovelhas
        Que hoje não amanhas.
        E a chuva canta aqui já por cima,
        Que mais parece o carro que alguém abomina.
        Às vezes fico sem saber,
        Se estou num móvel se num imóvel;
        Se alugo se arrendo num preciosismo de um catedrático de direitos reais, qual Orlando de Carvalho, mítico de mais.
        Se estou fora, se dentro da obra; que, senhora, não Levais...

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

sarno com que me coçar

O Dr John E. Sarno está presente;
Nascido e falecido em junho.
Por um dia, fazia 94 anos, catano.
23 e 22 de 1923 e 2017, respetivamente.
Um dos mais conceituados fisiologistas americanos,
Desenvolveu uma cura, que os colegas consideram da treta:
Conversa, eficaz em doenças aparentemente incuráveis.
Síndroma do corpo-mente comu hostilidade bem patente,
Do establishment médico, que iria à falência se as teses se tornassem dominantes.
Vou-vos explicar devagarinho, a ver se vocês percebem,
Como acaba de anunciar agora Bruno de Carvalho:
tudo é psicossomático, sim, como tu que não querias ira para a escola primária, pois tinhas medo da professora e apareciam as dores de barriga, cabeça e sei lá mais o que apareça.
A dor emocional, gera dores físicas que afinal,
podem ser na coluna, nos braços, nas mãos.
Operação é placebo.
Aquela que ouve uma notícia chocante,
Aquele que recebe uma carta nas férias, do tratante,
O filho maldito que lhe leva os netos;
A vergonha que se sentiu na descoberta,
O fio da navalha em que ninguém se comprometa
São os tais apertos..
Que eu acredito,
Que têm uma solução
Em simples conversação...

sábado, 3 de fevereiro de 2018

Candeias

Ó senhora das candeias.
O que trazes nas tuas veias;
Sorrisos ou caras feias?

Ai como eu queria que tivesse cara feia!
Queria vê-la a chorar.
Era tão gratificante;
Sinal que o inverno estava a acabar.

Mas não foi assim.
Ria-se dela, ria-se de mim.
E quando acontece assim,
O inverno está a chegar.

E o que me resta então?
Ter mais devoção.
Andarmos os dois a meias;
De braço dado,
Eu e a senhora das candeias.

Tal como uma certa Pessoa
Tens nomes que não acabam.
Santa Maria é o nome do santo do dia,
Mas pode ser Nossa senhora da Luz,
Ou então,
Nossa senhora da Apresentação
Ou da Purificação.

Mas o que mais me agradava
É a Candelária que em S. Miguel encontrava.
Pois de Tenerife aparecera num esquife,
De pedra
Quiçá, como o santo Santiago,
Que não erra.

Tudo isto, mesmo tudo, a fundo
Aconteceu porque o casal José e Maria
Apresentaram-se a Simeão nesse dia
Com o seu menino Jesus,
Que seria a luz
Com que iluminaria as trevas do mundo.

Fora circuncidado e o nome dado ao oitavo dia,
E de acordo com a lei, Maria
Precisava de ser purificada
Porque após o parto,
Em pecado estaria.

Ai, que saudades de quando à porta batia;
Lá de dentro uma voz respondia:
Quem é?
E eu dizia: "Sameão".
Deturpação, daquele que "ouvir"
É em hebraico a definição!...

Era a sua maior satisfação.

Era a consolação de Israel.
Este Josué, o nosso Jesus, significando "Deus Salva".
Ainda era pequenino, mas já com muito tino,
Ouviu as três profecias surpreendentes,
Deste segundo bispo de Jerusalém;
Que sucedera a Tiago, o Justo, irmão de Jesus,
Morto às mãos de Ananus,
Este filho de Cleofas, irmão de José.

Coitado do Simeão,
Sob a era de Trajano,
Seria crucificado como o seu principal irmão,
Aos outros irmãos não lhes aconteceu nada de mal,
A não ser por engano:
José e Judas.

Também eu tenho um irmão José.
Também, tenho um Judas ao pé;
Só não tenho a figueira,
Para que se possa salvar dessa maneira...

quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

Tavares

Estava todo embebido no livro,
A mulher-Sem-Cabeça e o Homem-do-Mau-Olhado, do Tavares.
Não é desse que estais a pensar.
Do do Equador, onde há já alguém que lá vai à procura da sua viagem de sonho; quiçá, lá viveu em anterior reencarnação.
Onde uma pista de aviação, mais parece uma do trem.
Quem sabe, até viver um grande amor no calor dos trópicos,
Com a ilha das rolas, as roças...por testemunhas, também.
Não. Não é desse, o tal que considera os professores os maiores inúteis à face da terra, nesta era.
É dum Gonçalo M.
Publicou o seu primeiro livro com 31 anos,
Este professor universitário
Que nasceu como eu,
Com uma distância temporal de nove anos,
na terra que os marinheiros bem conheciam
Pelo mal que quando lá chegavam, descobriam.
Tempo da Angola Colonial.
Aquela que o Sérgio Godinho, e o seu pai sempre viu muito mal.
E o seu avô, até proclamou a tentativa abortada de instauração armada da república do 31 de Janeiro.
Por isso, hoje Portugal é um rectângulo rasgado numa região plana, que é a Ibéria.
O M. é a abreviatura de Manuel de Albuquerque;
Que resolveu eliminar, pois não tem nada a ver com a Índia;
Mesmo que portuguesa.
Quando recebeu o prémio Saramago, pela escrita de Jerusalém, romance inscrito na edição europeia dos 1001 livros para ler antes de morrer, até lhe queria bater, por tão novo já tão bem escrever.
O criador fez-lhe pagar caro um lustro mais tarde.
Se fosse ministro da cultura, acontecia que se demitia.
É que os desígnios de Deus,
Mesmo que constatados por estudiosos ateus,
Não é para se porem em questão.
As roupas do apóstolo Paulo eram tão divinas,
Que só tocar-lhes curavam todas as malinas;
E este escritor, veio de um grande local de dor,
Que o diga a minha mãe, que nem podia ouvir falar nessa terra,
e Deus não erra, ao dar-lhe uma doença de que tudo se esqueça.
Mas ele quer que de alguém de lá, tudo aconteça.
Por isso o EL País já assim o diz:
Tavares triunfará.
E o seu homónimo que se pauta pela última palavra da nossa máxima epopeia, estará de candeias às avessas.
Mas sem cabeça fiquei eu.
A solicitadora que me interrompeu,
Por causa dumas porcarias de uns registos de 1914.
Isso já vai há mais de cem anos!
Sei lá eu o que comi ontem, quanto mais?...
Isso é muito ano de solidão, que o diga Gabriel Garcia Marques.
Ai Marques, Marques...

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Veda

Quando eu perder a minha virilidade,
E tu perderes a tua sensibilidade,
Como afirmou o Veda feito Homem,
Que pretendia a energia gratuita que todos consomem,
A humanidade está no fim.

Pelo menos para mim ,
Que já não consumo o ato;
E cada ano que passa,
E tu achas que fico mais chato;
E ressono,
E achas que já não sou mais o teu dono.
Mas na verdade, eu abono:
Por mais que me critiques,
Só não quero que me compliques
A minha vida.

Ainda ontem recebi o meu irmão,
No espaço que ele próprio põe em questão,
E que a descendente, disse logo que não,
quando se lhe era atribuída.

e eu tenho uma grande ferida:
O pós guerra colonial já lá vai há que tempos,
ainda não deixou esses momentos
Traumáticos.

Tem medo de dormir só.
Agora que foi banido por um bandido só,
Ao momento,
Da família.
Que acha que ele tem que estar sempre de vigília;
que pelo seu sofrimento,
Nem sente dó.