segunda-feira, 27 de julho de 2015

O nosso Guaviare



Seis anos no cativeiro;
Sair de lá, foi como sair directamente da pré-história.
Sem luz, sem água; sem nada.

A franco-colombiana aprisionada pelas farc
Ainda vai ser no país uma Joana D'Arc.
Estão lá ainda cerca de três mil prisioneiros
Como afirma ingrid betancourt

Eles acorrentavam o pescoço a um poste,
Eles faziam caminhar descalços para novos esconderijos.
Não havia fruta ou vegetais.
Acordavam às 5.30 da manhã,
Recolhiam-se às 6 da tarde.

Como se dizia antigamente,
Deitar cedo e cedo erguer
Dá saúde e faz crescer.

Ligação com o mundo, só mesmo via rádio;
Pilhas era coisa que não faltava,
Assim como o arroz, macarrão e lentilhas;
Uma vez por mês, carne ou vegetais.

E nada mais.

Agora há um escritor colombiano, um fernando vallejo qualquer,
Que entende que ela é imoral e descarada, enquanto mulher.
No fundo, como o nosso bastonário da ordem dos advogados,
Que ganhando 6000 euros, dispara em todos os lados.

No fundo os nossos políticos, as nossas empresas públicas
Só não são bandos de assassinos, sequestradores e narcotraficantes.
De resto até como eles se disfarçam de redentores sociais, de socialistas.
São como eles, lixo humano, assassinos de uma vida digna.

As empresas públicas roubam os cidadãos,
Uma espécie de cartel de madelin,
Vendedores de feira da banha da cobra.
Os magistrados parecem crianças, afirma ele,
Que o diga a minha mãe, que concorda em absoluto,
Que ao inquiri-la lhe pergunta sempre o mesmo:
Se não seriam pretos? Se não seriam brancos?
Não sr. doutor: em áfrica estive eu e sei o que são pretos.
Estive lá a reparar-lhe para os dentes, por favor...

Integram quadros de empresas privadas
Com quem negociaram antes.
Dois terços das famílias portuguesas;
Quase oitenta por cento da população,
Trabalha 20 a 30 anos
Para pagar o que devem aos bancos.
Que não produzem nada...

Os políticos fazem dos concidadãos tansos.

Vive-se cá na miséria
E os responsáveis pensam que estamos no paraíso...

No fundo pensam exactamente como eu que,
Por falta de algum juízo,
Chamo ao alto do couto, onde cresci, brinquei e deliciosamente vivi,
O que a minha companheira apelida de inferno.

Tens razão, mulher;
Também eu isso sinto:
Só que o inferno alargou-se para todo o rectângulo.
Vejamos pelo ângulo que há já muito vê Marinho Pinto...

O cabrão não pagou a renda de vários meses;
Ainda me limpou tudo o que lá tinha.
Tribunais, para quê?
Para falarem que são ilegalidades atrás de ilegalidades;
Para arquivarem sem mais explicações...

Assim mergulhassemos todos como ingrid no passado,
Que reze o papa também por nós.
Começar tudo de novo no nosso Guaviare
Só dessa forma poderíamos corrigir:
Nunca ter escolhido D. Manuel I e o seu esbanjamento.
Não teríamos tido as três bancas rotas,
Não teríamos tido 1755, sequer,
E revoluções de faz de conta, sempre com o mesmo pedido:

Pão!

Pão para todos e não só para alguns...

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