segunda-feira, 27 de julho de 2015
Só espeta
Ela era de Fornelos
Filha do antónio da estrada.
A malvada, que era gorda
E o seu marido magríssimo,
Faziam uma valente parelha.
Quando a confrontavam
Que matava o desgraçado,
Ela repetia com cuidado:
Que querem: ele só espeta
E não come, o malvado!
Uma vez estava ela a mugir a vaca:
Esgaça teta para baixo,
Esgaça para cima;
Para baixo, para cima;
Para baixo, para cima...
Com aquele movimento
Lembrou-se naquele momento,
Que o seu joão, àquela hora,
Ainda estava em casa.
E depressa que se faz tarde...
Acabar com a ordenha
Ficou para mais depois
É que as boas ideias
Têm de ser logo aproveitadas
Como as aproveitam os bois...
Deveria ter nascido lá
E nunca lá para os lados de Tavira
O primeiro oleão.
Um litro destrói de água um milhão...
Com doença ruim
Morreu seca
Numa secura sem fim...
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