- E se fôssemos para Timor?
- Para ti, môr?
- Sim, vi ontem no programa "Portugueses espalhados pelo mundo". É tão bom lá viver.
As crianças na escola choram quando as aulas terminam, pois queriam lá continuar.
Ias adorar!
- É nos antípodas! O Jet Lag desnorteia-nos. E os bichos pechonhentos, mosquitos, que provocam a malária, dengue e a encefalite japonesa? É aconselhada a vacina contra a dita encefalite, hepatites A e B e a Tifóide.
- Não fode nada! Eu sou resistente: uso repelente.
- Mas tens que usar nas partes do corpo expostas. E espalhar inseticida no quarto de dormir, duas horas antes de deitar. Ah! e dormir com uma rede anti-mosquito à volta da cama.
- Isso quase que tenho que fazer aqui: os trombeteiros ameaçam-me dos idos de março, aos frios janeiros...
- E água só mesmo engarrafada ou que tenha sido fervida ou tratada. E o gelo...
- O gelo, já sei: não me vais poder trazer um pão com o que tiver na geladeira, como o que me trouxeste da última vez - com gelo dentro!
- Não foste tu que querias um amor e uma cabana?
- Sim, mas em Timor!..
- Eu não disse já a ti, môr, que isso é impossível! Ia estragar a minha forma de vida. Ver água e não poder entrar, era um suplício maior do que tântalo poderia aguentar. Só ir para a cama duas horas depois, sem poder logo de imediato aterrar...E não poder andar descalço, a apanhar sol só com elevadíssimo protetor e ter de evitar o contacto com animais domésticos, não poder comer fruta com casca, estou em crer, môr, que era pior do que morrer. Por ti, môr, faço tudo, mas não me peças, que é para mim grande, grande dor...
E tomar medicamentos à base de aspirina, só mesmo com receita, devido à ocorrência de febres hemorrágicas como o dengue.
- Vamos, vamos lá.
- E olha que o mito da criação do país, da ilha do crocodilo em que há os poemas, rituais e outras manifestações culturais que honram o avô Lafaek, é bem mais sério do que parece. Até afeta a chelodina timorensis, este crocodylus porosus que de quase extinto nos anos setenta do século passado, se vê agora bem revigorado e às portas de Dili.
E há quem veja nisso, uma espécie de punição da Natureza contra as vítimas.
- Ah, as tartarugas de pescoço de cobra, endémicas!...
- Sim, cujos preços variam de 400 a 950 dólares.
- Sim, das trezentas espécies que existem no mundo, não é aquela que mija pela boca, como a chinesa, que assim só expele 6% a partir dos rins e lhe permite sobreviver em água salgada uma vez que não precisa de ingerir tanto líquido, caso contrário ela se envenenaria. Estás a ver como o sal faz muito mal?!
- Não faz nada! Dá sabor. Até mesmo lá em Timor.
- Por ti, môr até ia...
- Vam' bora!
- Mas agora é para Bora Bora?! Ora bolas...
- Ou então vamos para a Malásia, que tem lá a cobra maior do mundo com cerca de oito metros de comprimento e 250 quilos de peso...
- Mas essa após a postura de um ovo, morreu. Foi o stress desde a captura e quando viu que ainda conseguiu essa proeza faleceu. Por isso não destronou a Medusa.
- Aquela que transformava em pedra todo aquele que olhasse para ela. Mas que Perseu a decapitou, sua cabeça como arma usou até que a entregou à deusa Atena que a colocou em seu escudo...
- Sim, e não.
- Vamos então.
sábado, 12 de novembro de 2016
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