terça-feira, 26 de novembro de 2019

Engano

Enganei-me.
Convencido que foi ontem a missa por sufrágio,
Lá fui e apresentei-me.
Honrar quem partiu, é meu apanágio.

Mas afinal é hoje.
Disse-me a Ção,
Hoje, ao levar um sacão;
De comida; espero que não me enoje!

Parei no café mercearia
Do senhor que primeiro emigraria.
Para a França, em 1961.

Trabalhar na arte com 28 anos.
Todo o dinheiro para casa, para os pais e manos.
Tive receio do 31!

Falou do que conheceu em Chateau Tierry.
Ele que tinha duas amantes;
Mulher e filhos com fome e distantes.

Falou das 18 casas que cá edificou,
Quando há 50 anos de lá abalou.
Até dos Esgueiras ouvi;

Um que se enervou na estrutura do telhado;
E uma machada ao filho mais velho haveria arremessado.
Poderia a mão a ter amputado.

E o outro sócio,
Que vendo à frente como era o ócio,
Se vira para a mãe:
Queria divertir-se também!

De engano em engano,
Assim é a vida do catano...

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