quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Degradadas


Lisboa adormeceu em sobressalto.
A cinco quilómetros de distância,
Chegou-se a ver o poder do sinistro.

A imprensa estrangeira haveria ontem de relatar:
Espectacular!

Mas, o incêndio cheira a esturro.
Havia pendente na câmara
Licenciamento para um hotel
No prédio devoluto.

Os toxicodependentes e as ratazanas,
Eram os provisórios inquilinos.

Será que desta vez sai da secretária;
Será que o dono vai ter o almejado papel?

Mas é que as chamas alastraram-se ao lado.
Além do nº 23, também o edifício vizinho
Foi abalroado no caminho:
Cinco famílias na rua.

A cobertura, o quarto e o quinto pisos
Do nº 21 ficaram num trinta e um.

Devolutos assim,
Haverá entre 39000
A 100 mil.

Só o centro histórico de Évora
Possui 600 casas degradadas.
As taipas, os adobes, os tijolos burros...

Sim, é verão, e isto pode acontecer
A qualquer um.

Zaragoza


Queria
Queria estar agora na capital do reino da nossa rainha santa.
Será que se fosse hoje questionada como foi a rainha Sofia,
Cem por cento portuguesa se sentiria?

Queria estar na exposição,
Logo hoje que é o dia da minha nação.
Queria estar na quinta maior cidade espanhola,
Com tanta tradição e história.

Com uma existência púnica
Posto militar cartaginês denominado Salduba
Que o império romano logo derruba.
Segue-se a mudança do nome para Saraqusta,
Três anos após a chegada à península de Tarique.

Era tão populosa que se tornou a maior do norte de Espanha,
No tempo do Califado de Córdoba.
Carlos Magno quis conquistá-la,
Mas o povo basco na imediação
E a sua poderosa fortificação
Dissuadiram o grande imperador em 777.

Vieram os reinos taifas,
A dinastia Banu Tujib, seguindo-se a Banu Hud,
Cuja aliânça com o El Cid de Valência
Tentaram derrotar a almorávida potência.

Enquanto "o senhor" de míticas proporções viveu
Saragoza resistiu.
Depois, sucumbiu.

Ficou Aljaferia,
Cuja beleza nem Verdi resistiria;
Como acontecera após 1118 abandonando a cristandade Huesca.

É que o Ebro dava-lhes a fresca.
Como hoje deu o mote à exposição:
Água e Desenvolvimento Sustentável.

A água e a sua gestão,
Vai ser neste século um recurso mais importante que o petróleo.
Mas a sua utilização não é pacífica.
Portugal obtém trinta por cento da sua energia
Da sua riqueza hídrica.

Mas o tema não é novo.
Em Lisboa, os aguadeiros, estão na origem até dos bombeiros.
Foi o povo da capital que pagou a totalidade do aqueduto,
Mandado construir pelo rei visionariamente astuto.
É que A capital tinha problemas graves de abastecimento.

Não. Não foi o quinto do filão brasileiro.
As pepitas não deram às Águas Livres qualquer sustento.
Temos um rio que é todo ele ouro...
Testemunhou uma independência;
E a divisão do mundo para a ambiciosa potência.

Maior lago artificial da Europa
Quem não o conhece?

"Que nenhuma gota de água chegue ao oceano
Sem servir primeiro o ser humano".

Portugal vai no bom caminho...

Mas queria muito mais...
Queria ter ido ontem a Viana
Ver o grande zé dos pedais.

Queria...
Tanto que eu queria...

Praia


Que pena a minha lolita
Não ser asseada como o periquito.
A areia dela desperdiçada
Seria na minha sacada espalhada;

Era uma praia na vila abençoada.

Lolita


Existem mais de seiscentos milhões de gatos domésticos em todo o mundo;
É quase nada, comparados com os sete mil milhões de humanos
Pelo universo espalhados.

Mas o gato possui mais trinta e nove ossos que o homem.
Nas orelhas, trinta e dois músculos estão para as controlar;
A quase cento e oitenta graus cada uma, independentemente,
As pode girar.

É dez vezes mais rápido que o melhor cão de guarda.
Até na audição, com os ouvidos afunilados
Os sons são audíveis como se de megafones fossem trazidos.

Basta ver que um jovem humano ouve até 20khz,
Quando for velho vai ser surdo como aquela porta,
Que com o sol limiano tarde ou mal se endireita,
Já os gatos ouvem até 65 kilohertz.

Dos mamíferos e em proporção com o corpo,
São os que possuem maiores olhos.
Nunca precisará de antrolhos,
Enxerga seis vezes melhor que um humano à noite,
Já que só necessita um sexto da luz apenas.

O campo de visão é de 185º.

Quanto a células olfatórias,
Só cinco a vinte milhões possui o homem,
O gato triplica no mínimo pelo meu máximo,
Com uma amplitude que me ultrapassa.

Além disso, eu não tenho no céu da boca
O analisador de odores, como tem a minha lolita.
O riso sardónico, não é mais que activar o órgão de Jacobson.
Por isso não sinto como ela os odores fortes.

Os bigodes, agrupados de quatro em quatro,
Num máximo do jogo do 24.
São usados para medir distâncias.

Quando éramos crianças
Imbuídos de desconhecimento
Que vinha duma época de obscurantismo,
Em que na idade média se queimava gato sem tino,
Até originando epidemias brutais
Já que os ratos não tinham rivais,
Cortava-se-lhes os pelos.

É a única espécie que consegue manter a cauda erecta
Quando anda. Podemos ver nela até o seu estado de humor.

De tão limpos que são,
Passam trinta por cento da sua vida a cuidarem da sua higiene.
Os adultos e sadios,
O mesmo não se passa com os vadios,
Passam metade da sua vida em sono leve,
E quinze por cento em sono profundo,
Os restantes 35% é para o estado de acordado.

Quando a lolita nesse estado me apanha
Tenho de brincar com ela um bom bocado.

Mas passam de um para o outro estado
Mais rapidamente que qualquer outra espécie.

Até me custa vir de noite e ela na sua alcofita
E acordar dum sonho que a ocupava.

Adorava ser como ela,
Não pela vida curta de 16 anos,
Ou o caso de mais longevidade acrescentando-se mais vinte anos.
Pular cinco vezes a minha altura,
E cair sempre de pé, se puder girar o corpo.

Adorava saltar aqui da janela,
Adorava que se pudesse construir até ao sétimo andar.
Era uma paisagem de pasmar,
E eu, qual gato, com velocidade terminal não fatal
Em vez dos 195km/h teria entre 100 e 65 apenas.
Abrandando assim, já que o peso do corpo se equilibra com a resistência do ar,
Poderia me orientar, esticar-me e cair em pára-quedas,
Como o bom esquilo.

Se não é por isto, é por aquilo.
Se não é por mim, é pela minha lolita.
Que terminem os falsos terceiros,
Os telhados habitados.
Quero prédios elevados
Para os gatos que estão nos apartamentos encerrados.

Motor automático



Já vi que os teus relacionamentos são todos de top.
Aquele mercedes com portas em forma de asas de gaivota cativam-te, hem!
Pois é... eles quando aparecem para beber um copo... vêm de patins.
Por isso nunca lhes vi as gaivotas.
Hahahah
Bela purisignificação.
...Olha... estou a fazer um trabalho,
E já perdi tempo a mais a brncar.
Por isso... agora fico por aqui
Xau...bom domingo

Trabalha, mulher, que eu estou a brincar contigo.
Obrigada
A tua sorte... é que és esperto.
Qual esperto, qual quê? Não chego aos teus calcanhares.
Sabes dar a volta...
xau
Hahahaha
Isso para aqui não vale absolutamente nada.
Estamos em posição de igualdade
Hahahah
Contigo gostava sempre de estar numa posição inferior, acredita!
Hahahah
Ou numa outra qualquer...essa é boa.
Sim, sei que deves gostar.

Pois...é necessário ter muito cuidado contigo.
É em ti que reside o centro, de todas a minhas atenções...
Tudo tem uma segunda interpretação para ti.
Davas um bom advogado,
Para dares a volta ao juíz.

Nunca isso quis.
As palavras têm de ser belas. Há que fruir as palavras.
Nem só de trabalho e de dinheiro se vive.
Claro...as pessoas são o que dizem

Viste que para mim o amor está em tudo;
Até por mim é perenemente recordada
Numa simples sande ao pé da praia de moledo...
Muito trabalho de ketchup.

Queres ketchup, maria, queres?
hahahaha
Agora é mesmo xau.
Vai lá mulher.
Adorava ser um génio...
Também não chegas a tanto, ora...
Da lâmpada, maria, para te conceder os três...
Onde isso já lá vai...
Desejos, mulher; desejos.

Não tenho desejos nem acredito em histórias.
Hás-de ter alguns, lá so teu infer ego
Quando descobrir...apito.

Não sei se viverei o tempo suficiente, workaholic woman
Um pouco... tem a ver com o prazer
O prazer de uma inocente conversa
Também está certo

Não é ver no interlocutor apenas um número, um montante.
Mas é difícil encontrar gente que fale...
Uma simples vítima que depois se quer distante.
Pois...
Deves ser um daqueles motores automáticos
De conversa virtual, se não me engano.
Nem deves ser humano...por isso... fala

Gostei dessa expressão.
Tenho muito a aprender contigo,
Mas não me dás azo.
Vou ter mesmo que te comprar algo, estou a ver
Não...por favor... não te quero vender nada
Para esta conversa, que já não interessa.

Um dia em Moledo, um fulano dos arcos tentou angariar-me na rede.
Até me deu um caderno e tudo.
Além disso...não vou falar mais de networking.
Sabes o que lhe fez a maria?
Meteu-o direitinho no papelão.
Claro, é normal.
Quer que seja sempre um triste probinho.
Queria ser rico como ficaste tu; até lhe falei de ti,
Das pessoas que conhecias e que um dia até com uma dessas me confundiste.
Ninguém dá atenção a uma pessoa vinda do nada,
Não se deve ter uma atitude dessas.
Não sou rica de cascalho

E achas que conhecer o baía e gente motoqueira
Essa é de enriquecer a melhor maneira?
E disse muito bem
Deve ser uma grande mulher.

Meteu-me uma pistola na mão e imperativamente disse:
Vai tratar de via seu inútil!
Para te ter mansinho...que nem pias.
Ai não! Coitadinho de mim!
As boas são mesmo assim
É das minhas; ou eu das dela
É mas é uma grande cad...

Pode ser mauca... mas não deve ser louca
Hahahaha
Vê lá se te caísse na rifa um fulano como eu;
Com muito pano.
Caías como ela por engano
Azar... não entendi. Traduz.

Quando se tecla com muitos em simultâneo é o que dá.
Tens que te deixar cativar como um só, como eu.
Hahahaha

Em cima do acontecimento


Nunca mais vou abastecer daquele lado;
Ainda vem um estavanado e limpa-me o sebo.
O que eu quase não concebo,
É que o excesso de velocidade em Ponte de Lima,
Já deu umas mortes desnecessárias.

E legislou este município para que se ande só a quarenta à hora.
Os jovens andam saturados de andar à velocidade de tractor,
E apanham-se nas nacionais,
E carregam no pedal para se vingarem da pasmaceira.

Este acidente não tem razão de ser,
Exceptuando a elevada velocidade.
Este carro que aqui está,
Ou porque teve azar com a azelhice do da frente,
Que piscou para a direita, mas guinou para a esquerda;
Só no tribunal haverá uma certeza,
Se a houver,
Embate na frente dum seu homólogo a diesel comercial,
Até um coitado se encontrava na bagageira,
Que com o embate fortíssimo foi a única porta que abriu
Que zarpou dali a todo o vapor,
Enquanto o casal desesperava com a dor,
De não conseguir sair dali.

Quem era, para onde foi?
Tanto se diz.
Até o homem que está sempre em cima do acontecimento,
Agora apareceu de camisola de pijama e calções,
E me chamando de lado,
Disse que na expolima eu soquei o desgraçado que embriagado
Queria roubar o pobre coitado.

Logo eu, que até me revoltei
Quanto a ser empurrado e se estatelando no chão presenciei!

Embate no carro que estava na berma à venda,
Mas que terá que falar já, já com o Tony;
Ou nunca mais sairá dali.

É desviado para cima do jardim,
Derruba e arranca arbustos,
E não originando muitos sustos,
Fica naquela posição.

Ainda há dois meses e uns trocados,
Um desgraçado me obrigou a andar à procura do polegar.

É demasiado azar...

Descastelhanizaram o nome



De que serve ter a maior área costeira da europa?
Os vizinhos, que estão ali à frente,
Vêm por aqui adiante,
E levam-nos tudo.

Que quer: só na agricultura e nas pescas,
Perdeu na década de noventa sete por cento;
Para não falar mais cinco por cento da indústria,
E mais 11 por cento na construção civil...

O nosso crescimento foi à custa do endividamento
E das transferências da união europeia:
Durante muito tempo,
Diariamente dois milhões de contos,
Eram uma mancheia...

Até os espanhóis cresceram o dobro de nós.

Há um ano e pico atrás,
Havia aqui mais de 14 pescadores à cana.
Muito robalo.
Picavam que era um regalo...

Vinham uns arrastões ao largo,
Como se está a gora a ver ao longe;
Em águas claramente portuguesas.

Com o sonar, localizaram o brutal cardume
Que andava atrás da sardinha.
No início eram só três,
Mas no pico eram catorze em círculo.

Avisou-se a capitania de Caminha;
Disseram que nada podiam fazer;
Estavam sem combustível;
Ou uma outra qualquer desculpa
Perfeitamente incrível.

Alguém teve a brilhante ideia
De telefonar à guardia civil espanhola
Que estavam a descarregar droga ao pé da ínsua.

Em menos de dez minutos,
Apareceu um helicóptero,
Que projectou os fortíssimos holofotes;
Via-se como se fosse dia...

Todos desapareceram dali num ápice.
No dia seguinte, o robalo era vendido a dois euros o quilo;
De tão abundante que foi a descarga em Vigo:
O décimo do seu valor.

Duma outra vez, ali na enseada,
Um cardume foi localizado.
Ficou por um determinado barco entalado,
Com rede de emalhar,
E a dar varadas na água.

Avisou-se a capitania,
Foram lá ainda no final do dia,
E não lhes aconteceu nada.

Até na monarquia,
Era uma multa que ninguém sequer ousaria...

Os fiscais receberam em casa
Uma boa carrada...

É assim a nossa guarda.

Guarda é a deles;
Descastelhanizaram o seu nome,
Bem como o do monte onde no seu sopé se integra:
Santa Tegra.

De que serve ter a maior área costeira da europa?
Os vizinhos, que estão ali à frente,
Vêm por aqui adiante,
E levam-nos tudo.

Que quer: só na agricultura e nas pescas,
Perdeu na década de noventa sete por cento;
Para não falar mais cinco por cento da indústria,
E mais 11 por cento na construção civil...

O nosso crescimento foi à custa do endividamento
E das transferências da união europeia:
Durante muito tempo,
Diariamente dois milhões de contos,
Eram uma mancheia...

Até os espanhóis cresceram o dobro de nós.

Há um ano e pico atrás,
Havia aqui mais de 14 pescadores à cana.
Muito robalo.
Picavam que era um regalo...

Vinham uns arrastões ao largo,
Como se está a gora a ver ao longe;
Em águas claramente portuguesas.

Com o sonar, localizaram o brutal cardume
Que andava atrás da sardinha.
No início eram só três,
Mas no pico eram catorze em círculo.

Avisou-se a capitania de Caminha;
Disseram que nada podiam fazer;
Estavam sem combustível;
Ou uma outra qualquer desculpa
Perfeitamente incrível.

Alguém teve a brilhante ideia
De telefonar à guardia civil espanhola
Que estavam a descarregar droga ao pé da ínsua.

Em menos de dez minutos,
Apareceu um helicóptero,
Que projectou os fortíssimos holofotes;
Via-se como se fosse dia...

Todos desapareceram dali num ápice.
No dia seguinte, o robalo era vendido a dois euros o quilo;
De tão abundante que foi a descarga em Vigo:
O décimo do seu valor.

Duma outra vez, ali na enseada,
Um cardume foi localizado.
Ficou por um determinado barco entalado,
Com rede de emalhar,
E a dar varadas na água.

Avisou-se a capitania,
Foram lá ainda no final do dia,
E não lhes aconteceu nada.

Até na monarquia,
Era uma multa que ninguém sequer ousaria...

Os fiscais receberam em casa
Uma boa carrada...

É assim a nossa guarda.

Guarda é a deles;
Descastelhanizaram o seu nome,
Bem como o do monte onde no seu sopé se integra:
Santa Tegra.