quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Descastelhanizaram o nome



De que serve ter a maior área costeira da europa?
Os vizinhos, que estão ali à frente,
Vêm por aqui adiante,
E levam-nos tudo.

Que quer: só na agricultura e nas pescas,
Perdeu na década de noventa sete por cento;
Para não falar mais cinco por cento da indústria,
E mais 11 por cento na construção civil...

O nosso crescimento foi à custa do endividamento
E das transferências da união europeia:
Durante muito tempo,
Diariamente dois milhões de contos,
Eram uma mancheia...

Até os espanhóis cresceram o dobro de nós.

Há um ano e pico atrás,
Havia aqui mais de 14 pescadores à cana.
Muito robalo.
Picavam que era um regalo...

Vinham uns arrastões ao largo,
Como se está a gora a ver ao longe;
Em águas claramente portuguesas.

Com o sonar, localizaram o brutal cardume
Que andava atrás da sardinha.
No início eram só três,
Mas no pico eram catorze em círculo.

Avisou-se a capitania de Caminha;
Disseram que nada podiam fazer;
Estavam sem combustível;
Ou uma outra qualquer desculpa
Perfeitamente incrível.

Alguém teve a brilhante ideia
De telefonar à guardia civil espanhola
Que estavam a descarregar droga ao pé da ínsua.

Em menos de dez minutos,
Apareceu um helicóptero,
Que projectou os fortíssimos holofotes;
Via-se como se fosse dia...

Todos desapareceram dali num ápice.
No dia seguinte, o robalo era vendido a dois euros o quilo;
De tão abundante que foi a descarga em Vigo:
O décimo do seu valor.

Duma outra vez, ali na enseada,
Um cardume foi localizado.
Ficou por um determinado barco entalado,
Com rede de emalhar,
E a dar varadas na água.

Avisou-se a capitania,
Foram lá ainda no final do dia,
E não lhes aconteceu nada.

Até na monarquia,
Era uma multa que ninguém sequer ousaria...

Os fiscais receberam em casa
Uma boa carrada...

É assim a nossa guarda.

Guarda é a deles;
Descastelhanizaram o seu nome,
Bem como o do monte onde no seu sopé se integra:
Santa Tegra.

De que serve ter a maior área costeira da europa?
Os vizinhos, que estão ali à frente,
Vêm por aqui adiante,
E levam-nos tudo.

Que quer: só na agricultura e nas pescas,
Perdeu na década de noventa sete por cento;
Para não falar mais cinco por cento da indústria,
E mais 11 por cento na construção civil...

O nosso crescimento foi à custa do endividamento
E das transferências da união europeia:
Durante muito tempo,
Diariamente dois milhões de contos,
Eram uma mancheia...

Até os espanhóis cresceram o dobro de nós.

Há um ano e pico atrás,
Havia aqui mais de 14 pescadores à cana.
Muito robalo.
Picavam que era um regalo...

Vinham uns arrastões ao largo,
Como se está a gora a ver ao longe;
Em águas claramente portuguesas.

Com o sonar, localizaram o brutal cardume
Que andava atrás da sardinha.
No início eram só três,
Mas no pico eram catorze em círculo.

Avisou-se a capitania de Caminha;
Disseram que nada podiam fazer;
Estavam sem combustível;
Ou uma outra qualquer desculpa
Perfeitamente incrível.

Alguém teve a brilhante ideia
De telefonar à guardia civil espanhola
Que estavam a descarregar droga ao pé da ínsua.

Em menos de dez minutos,
Apareceu um helicóptero,
Que projectou os fortíssimos holofotes;
Via-se como se fosse dia...

Todos desapareceram dali num ápice.
No dia seguinte, o robalo era vendido a dois euros o quilo;
De tão abundante que foi a descarga em Vigo:
O décimo do seu valor.

Duma outra vez, ali na enseada,
Um cardume foi localizado.
Ficou por um determinado barco entalado,
Com rede de emalhar,
E a dar varadas na água.

Avisou-se a capitania,
Foram lá ainda no final do dia,
E não lhes aconteceu nada.

Até na monarquia,
Era uma multa que ninguém sequer ousaria...

Os fiscais receberam em casa
Uma boa carrada...

É assim a nossa guarda.

Guarda é a deles;
Descastelhanizaram o seu nome,
Bem como o do monte onde no seu sopé se integra:
Santa Tegra.

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