quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Em cima do acontecimento


Nunca mais vou abastecer daquele lado;
Ainda vem um estavanado e limpa-me o sebo.
O que eu quase não concebo,
É que o excesso de velocidade em Ponte de Lima,
Já deu umas mortes desnecessárias.

E legislou este município para que se ande só a quarenta à hora.
Os jovens andam saturados de andar à velocidade de tractor,
E apanham-se nas nacionais,
E carregam no pedal para se vingarem da pasmaceira.

Este acidente não tem razão de ser,
Exceptuando a elevada velocidade.
Este carro que aqui está,
Ou porque teve azar com a azelhice do da frente,
Que piscou para a direita, mas guinou para a esquerda;
Só no tribunal haverá uma certeza,
Se a houver,
Embate na frente dum seu homólogo a diesel comercial,
Até um coitado se encontrava na bagageira,
Que com o embate fortíssimo foi a única porta que abriu
Que zarpou dali a todo o vapor,
Enquanto o casal desesperava com a dor,
De não conseguir sair dali.

Quem era, para onde foi?
Tanto se diz.
Até o homem que está sempre em cima do acontecimento,
Agora apareceu de camisola de pijama e calções,
E me chamando de lado,
Disse que na expolima eu soquei o desgraçado que embriagado
Queria roubar o pobre coitado.

Logo eu, que até me revoltei
Quanto a ser empurrado e se estatelando no chão presenciei!

Embate no carro que estava na berma à venda,
Mas que terá que falar já, já com o Tony;
Ou nunca mais sairá dali.

É desviado para cima do jardim,
Derruba e arranca arbustos,
E não originando muitos sustos,
Fica naquela posição.

Ainda há dois meses e uns trocados,
Um desgraçado me obrigou a andar à procura do polegar.

É demasiado azar...

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