quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Lolita


Existem mais de seiscentos milhões de gatos domésticos em todo o mundo;
É quase nada, comparados com os sete mil milhões de humanos
Pelo universo espalhados.

Mas o gato possui mais trinta e nove ossos que o homem.
Nas orelhas, trinta e dois músculos estão para as controlar;
A quase cento e oitenta graus cada uma, independentemente,
As pode girar.

É dez vezes mais rápido que o melhor cão de guarda.
Até na audição, com os ouvidos afunilados
Os sons são audíveis como se de megafones fossem trazidos.

Basta ver que um jovem humano ouve até 20khz,
Quando for velho vai ser surdo como aquela porta,
Que com o sol limiano tarde ou mal se endireita,
Já os gatos ouvem até 65 kilohertz.

Dos mamíferos e em proporção com o corpo,
São os que possuem maiores olhos.
Nunca precisará de antrolhos,
Enxerga seis vezes melhor que um humano à noite,
Já que só necessita um sexto da luz apenas.

O campo de visão é de 185º.

Quanto a células olfatórias,
Só cinco a vinte milhões possui o homem,
O gato triplica no mínimo pelo meu máximo,
Com uma amplitude que me ultrapassa.

Além disso, eu não tenho no céu da boca
O analisador de odores, como tem a minha lolita.
O riso sardónico, não é mais que activar o órgão de Jacobson.
Por isso não sinto como ela os odores fortes.

Os bigodes, agrupados de quatro em quatro,
Num máximo do jogo do 24.
São usados para medir distâncias.

Quando éramos crianças
Imbuídos de desconhecimento
Que vinha duma época de obscurantismo,
Em que na idade média se queimava gato sem tino,
Até originando epidemias brutais
Já que os ratos não tinham rivais,
Cortava-se-lhes os pelos.

É a única espécie que consegue manter a cauda erecta
Quando anda. Podemos ver nela até o seu estado de humor.

De tão limpos que são,
Passam trinta por cento da sua vida a cuidarem da sua higiene.
Os adultos e sadios,
O mesmo não se passa com os vadios,
Passam metade da sua vida em sono leve,
E quinze por cento em sono profundo,
Os restantes 35% é para o estado de acordado.

Quando a lolita nesse estado me apanha
Tenho de brincar com ela um bom bocado.

Mas passam de um para o outro estado
Mais rapidamente que qualquer outra espécie.

Até me custa vir de noite e ela na sua alcofita
E acordar dum sonho que a ocupava.

Adorava ser como ela,
Não pela vida curta de 16 anos,
Ou o caso de mais longevidade acrescentando-se mais vinte anos.
Pular cinco vezes a minha altura,
E cair sempre de pé, se puder girar o corpo.

Adorava saltar aqui da janela,
Adorava que se pudesse construir até ao sétimo andar.
Era uma paisagem de pasmar,
E eu, qual gato, com velocidade terminal não fatal
Em vez dos 195km/h teria entre 100 e 65 apenas.
Abrandando assim, já que o peso do corpo se equilibra com a resistência do ar,
Poderia me orientar, esticar-me e cair em pára-quedas,
Como o bom esquilo.

Se não é por isto, é por aquilo.
Se não é por mim, é pela minha lolita.
Que terminem os falsos terceiros,
Os telhados habitados.
Quero prédios elevados
Para os gatos que estão nos apartamentos encerrados.

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