domingo, 15 de fevereiro de 2009

Heróis do 31 e Janeiro

Querias ser como a Santa Catarina,
A tal da Alexandria
Que morreu martirizada,
Numa roda de navalhas,
Bem diferente da mó de moinho,
Que trouxe ontem daquela maralha,
Por indicação do grande canalha,
Imperador Maxêncio?...

A artéria mais importante,
Em plena baixa portuense,
Não era somente
A única assim denominada.

Havia a das Flores,
Que perdeu tal epíteto,
E um largo.

Está relacionada com uma ermida
Que data de seiscentos
Que ficava num lugar altaneiro.
Se viesse de lá,
Ia até à Porta de Cima
Tabém conhecida por senhora da Batalha,
Na fernandina muralha.

O partido republicano,
Já em 1882 tinha muitos aderentes,
Tendo aí fundado uma colectividade,
Onde se reuniam e faziam propaganda.

O mais activo grémio,
Centro Republicano do Porto,
Com a sua sede no 1º andar quef az esquina
Com a rua Formosa,
Do lado poente,
Era o mas influente.

Nos baixos do prédio funcionava o Café Central
Em cujo salão se idealizou o 31 de Janeiro de 1891.

A classe dos sargentos,
Os heróis da primeira revolta armada
Contra a monarquia,
Também o Alves da Veiga,
Que à época vivia na rua do malmerendas,
Todos invariavelmente passavam
Pelo Central.

A Miguel Bombarda,
Hoje rua dos ateliês de pintura,
E onde eu vivi na cidade invicta,
Chamou-se inicialmente,
De Rua Bela da Princesa,
A tal de bourbom,
Cujo marido quando a avistava
Dizia para o seu cocheiro:
"Para trás, vem aí a p#ta!"

Nem com ela se queria cruzar...

É a vida: as revoltas e revoluções
Têm tido as suas promoções:
O sargentos foram despromovidos.
Em Abril foram os capitães,
E amanhã serão os coronéis
Civis e outros mais...

Xadrez

Quem diria que o xadrez é uma poderosa ferramenta pedagógica
Que contribui para o desenvolvimento pessoal e social?
Apropriação de normas,
Análise social;
Inflexão comportamental?...

A valorização
E o respeito pelo silêncio,
É este, motivo mais do que suficiente,
Segundo aquilo que eu penso,
Para ser adoptado
Como curriculo escolar.

Anda tão afastado do meio escolar.
Talvez, só mesmo o silêncio do mar...

Além de poder ser um reforço na aprendizagem
Da língua materna, da matemática,
Línguas vivas ou das ciências.

Como fez, aliás,
Um colégio privado de Gaia,
Bem no coração da cidade.
Que prima pelo desporto,
Aliás, prémio da tutela, em 2004.

Consta na ficha de avaliação.

A atenção, a concentração,
O julgamento e o planeamento;
A imaginação,
A memória ou o espírito de decisão;
A abstracção,
A visão espacial, o cálculo;
O raciocínio analítico e sintético.

A organização e disciplina mental,
A paciência e o controlo emocional,
São entre outras, capacidades a não descurar,
Que o xadrez potencia.
Tem faltas, há sumário
E um programa dado por um profissional.
E a avaliação qualitativa.

Todo o nobre tinha o xadrez como passatempo;
Deixou-se a modalidade.
O país virou pobre,
Numa pobreza que se sente...

Morais

Estou tramado com o Morais,
Antes de mais, já não me paga a renda há que tempos.
Mas está de boa fé, como aliás estão todos eles de boas fezes..

Esse até me disse que vai pagar com juros.
E são coisas que caem sempre bem.
Os outros, simplesmente, nem abrem o pio.
Parecem pêtos, de tão silenciosos.

Tenho é que ir hoje à feira do emprego, a Lisboa.
A ida para Angola, onde o governo exige que as empresas
Tenham 80% de angolanos,
É uma solução que não destoa.

Só lhe perdoo é ele ser homónimo do umbigo do mundo...

É isso, sim senhor.
Um dos seis lugares do planeta,
Que fica no município de Macedo,
Só que ali o espaço é bem menor,
O que aviva a percepção dos testemunhos.

Não. Não mete medo!

O super continente Laurússia,
Que englobava o norte da América e da Ásia
Além da Europa, separado pelo Rheic,
O único oceano, antepassado do atlântico,
Chocou com o Gondwana,
Que é como quem diz hoje,
África, Madagáscar, Índia,
Austrália e Índia.

E a América do sul,
Obviamente...
Basta atentar na mama
Do nordeste brasileiro.

O Rheic desapareceu,
E reorganizou todo o resto.

No maciço do Morais
Há provas da existência dos três arqueo elementos.
Junto ao Sabor há uma rocha
Que terá estado enterrada a mais de 60 mil metros de profundidade,
Com a longeva idade de 1000 milhões de anos...

A sutura do Orógeno Varisco
onde fica a aldeia de Morais,
É antes de mais,
O epicentro.
A norte fica o monte maldito,
A sul, a fertilidade dos solos
E a farta vegetação,
Dá-nos a perfeita noção
De outra dimensão.

As fracturas nas rochas,
Os diques, a tal deformação de origem tectónica.

Por tudo isto,
Tenho é que sair da minha parvónia...

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Medo dos medos

Portugal tem mais almirantes que navios;
Portugal tem mais generais que a grande França...
É um estado despesista,
Se alguém critica,
É porque só se critica...


É mas é um Estado sinecurista.


Mas vejamos: 52 almirantes no activo
E em reserva em efectividade,
Para os 40 navios em operacional actividade.
E quanto a generais...
Só tenho a dizer que há um,
Que não o devia ser jamais!


Rejeitou o posto de marechal.
Fez bem? fez mal?!
Será que o fez por medo?!...
Ele que vive numa sociedade com medos.
Medo dos medos, como ele doutoralmente afirma?


Medo do presente que toda a gente sente;
Medo do futuro, que nada de bom eu auguro;
Medo pelos filhos, e vou-me meter eu em sarilhos;
Medo pela sorte dos pais,
E só em pensar nisso,
Desato aos ais.
Medo pelo emprego,
E aventuro-me por esse atlântigo como um cego...
Medo dos poderes políticos,
E por causa dos tiranetes,
Somos nas suas mãos autênticos joguetes.


E vivemos todos neste clima...


Como vamos passar isto por cima?


Que ideia:
Não há qualquer panaceia...

domingo, 1 de fevereiro de 2009

sábado, 31 de janeiro de 2009

Quarenta


Os cento e setenta mil desempregos
Nesta semana anunciados,
Foram um elevadíssimo número
A que nunca estavamos habituados.
Com efeito, nunca tal acontecera.
Andou-se a criar tanta riqueza que não deixou nada;
Não deixou sequer cera...
Os valores foram demasiadamente desmaterializados,
Como aquele caso da mina de estanho inexistente,
Que na América enganou muita gente.
As nações estão mais pobres,
Como mais pobres ficam os países
Que exploram o minério para as novas tecnologias;
O ouro azul do século XXI.
Valeu a pena foi ter ido ontem ao lançamento
Do últmo livro do Luís Dantas.
Às tantas,
Dei-me a conversar com a afilhada do rebento do poeta,
Que alega possuir em casa
As cartas que o Salazar lhe mandava.
Espólio da dita mala vermelha,
Do hotel de Paris...
E falando da sua madrinha,
É ela que o diz:
Os amores não tudo invenção pura,
Havia era uma atracção e um respeito mútuo,
Como se depreende nas formas de tratamento:
" Exma Senhora...
Para não falarmos já de cartas rogatórias,
Mas isso são outras histórias...
Ora, os amores de Salazar
Que em fevereiro vai para o ar,
Poderá não ser bem essa a verdade.
À mistura, muito de maldade,
Querendo fazer dela uma galdéria.
Não há respeito, como o poeta respeitou
A coimbrã que morava na antiga rua do Rego de Água,
A quem António Fogaça
Que iria cair em desgraça,
Escreveria um belo poema.
Mas ao morrer esta bela donzela
Com tuberculose,
Na terra que viu nascer seis reis de Portugal,
Feijó sentiu a a beleza desabar,
E surgiu porventura,
O mais belo poema que anda no ar,
Que ficou ontem por declamar.
Foi, nos 40 anos da escola do patrono
O que esteve mesmo a faltar...

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Deixa-te dixo!

Eu a esforçar-me tanto e ela aos papéis.
Eu estou a trabalhar.
Estou perdida em papéis;
Apetece-me atirá-los ao lixo.

Olha, deixa-te dixo!
Dá-mos que eu coloco aqui no lareira,
Como coloco outro estrume.

O fogo tudo limpa!

As fogueiras obscurantistas
São disso bem exemplo.

E eu não te digo o que estou a fazer.
A coçá-los.
Calma aí, menina!
Já há muito que a tropa se foi;
Por isso não coço nada.
Ando mas é a ser acossado:
São os bancos que me querem prender,
É a mulher que até essa me quer f....

Estou no meu lar.
E o meu lar não é este do sétimo continente,
Ou aquele que é fisicamente existente.
Esse é o da mulher.
O meu já nem é mundo,
Como antigamente era o lar dos homens...

Há muito que esse desapareceu.

Não há grandes espaços privados,
Devidamente ajardinados;
Já não há desertos à natureza devotados,
Onde poderia ser asceta.

Os romanos tinham as latrinas para conversarem;
As praças para deambularem.
Agora tudo é enclausurado.
E eu descobri o santuário dentro de casa:
Aqui.
O meu é a casa de banho.

Não é para olhar para o espelho
E atentar como me tenho transformado.
Até isso eu já pus de lado;

Não é para aliviar a tripa,
Isso poderá ser o leitmotiv para a minha ausência.
Por vezes até dou comigo
Sentado em cima da tampa da sanita
No desconforto de banco.

Eu gosto desta casa de banho,
Porque está virada para sudoeste.
Tem luz que chegue, tem alegria;
Vislumbro o monte da nó, a serra d'Arga,
Por trás de tanta nebulosidade,
Como se fosse aquela câmera fotográfica
Do telemóvel que me impingiu a filha;
Tanto fotografa para fora,
Como para dentro.

Poderia escorrer como a millôr,
Mas até isso achava um terror!
Nem possuo o engenho e arte,
Teria que pedir ajuda às ninfas do lima.
Mas como?
Se elas estão tão distantes;
Se não podem vir por aí acima...

E eu tenho é que ver o cartão
Se ainda não foi deitado abaixo pelo canal do vento,
Que da chaminé entra por cá dentro,
Numa fúria destruidora.

Só para ser autorizado a lá colocá-lo
Foi uma carga de tormentos...
Até para evitar o frio,
Tenho que lutar.

Isto está por um fio...

Tinha-lhe enviado aquela foto de uma modelo,
Disse-lhe que a apreciava muitíssimo mais a ela,
Já entradita na idade,
Do que àquela que estava na flor da idade.

Dava-lhe cinco minutos para descobrir porquê,
Até lhe oferecia 150 000 euros se descobrisse;
Fui descoberto...

Foi uma chatice!

Mas a verdade é que ela morrera de sepse.

E entre a beleza inexistente,
E uma fealdade presente,
O diabo que há em mim,
Escolhe logo de repente.