domingo, 12 de abril de 2009

Algodão doce



















Sabe o que é isto, tia?
Não.
É uma roca com o linho.
Só que em vez do fuso,
É as mãos que o seguram
E aparam devagarinho.
Mete à boca;
E aprecia.
É bom?
É docinho.
Quer mais?
Sim, é para o caminho...
Caminho. Que caminho?
O último. Como seguiu hoje a rosa carola.
Era para cortar a perna,
Mas precisa dela para noutro mundo se deslocar.
Amanhã, às três, vai a enterrar.
Lembro-me dos ovos e outras ofertas
Que no início dos anos noventa,
Na Casa Nova ela me contemplava.
Fazia-o às escondidas dos familiares e amigos.
É que vivendo eu em concubinato,
Não era visto com bons olhos.
Era como tendo uma pedra no sapato.
Quando abri a porta à cruz,
E entrou lá o Jesuz,
Ela foi uma das que com a sua presença
Me presenteou.
Agora, volvidos 18 anos,
Se finou.
Morrer nesta data,
Foi coisa que nunca imaginou...
Até o melro
No ninho do arbusto de alecrim,
Adorou o compasso.
Bem levantou o bico
À espera que chegasse a imagem.
É que quem pegou nela,
Foi o chefe da casa.
Mas, tinha tido uma noite de insónia,
Razão porque dele se esqueceu.
Já pensei em pedir ao meu primo,
Salsa da colômbia;
Ou ao rei Hassan II,
A milagrosa marijuana;
Ou o khat ou miraa dos somalis e quenianos...
A ver, vamos...















quarta-feira, 8 de abril de 2009

Sou papa








































A lampreiada
Na casa do respectivo foi devorada.
Entretanto, os não convidados
Mas que para a sua casa vão trabalhar,
Meteram-se a caminho e foram passear.
O carro à inspecção anual,
Um verdadeiro check-up de saúde,
Teve que se sujeitar.
Tinha este problema,
Tinha aquele e mais um outro,
Andar, anda na mesma,
Mas chumbar é que nem pensar!
Sermão e missa cantada
Teriam tido lugar.
Para ele, ver toda aquela panóplia
Foi um espectáculo digno de se registar!
Já de manhã,
Após ter escrito "Sou papa"
Pois sabia que à hora aprazada,
Nunca haveria ele de lá estar;
Se estivesse, eu seria papa,
Com direito a altar.
Na caixa do correio o fui colocar,
Por maldade divina,
A embraiagem havia de rebentar.
Mesmo ali, num stop,
Que a rua da caloteira havia de me parar.
Sair de lá, é que nem quero relembrar!
Sabes, o que terias de fazer?
Não. Eu não sou mecânico como vocês!
O Pais alegava que o cabo era mais comprido,
Quando o que ele estava era para o outro lado mais corrido.
Foi preciso colocar lado a lado,
Para se consciencializar que estava errado.
Devia era ter prestado mais atenção
Àquilo que se farta de relembrar a minha mãezinha,
E ela não erra:
Graças a Deus, muitas;
Graças com Deus, nenhumas!
Mesmo que seja com o seu representante na terra.
E tudo isto,
Porque um encarregado de educação se foi queixar,
E estava eu a deixar andar.
Dessa cena,
Nem me quero lembrar:
Braços de ferro,
Flexões, como num quartel, bulhas
E ter que os desapartar...
Qual era ali o meu papel?
Utilizou-se um pouco de força
Como a autoridade é por vezes exercida.
Musculada umas vezes,
Quando a linguagem é esgotada.
Sim, em caso algum,
Deve ser tomada!
Respirar fundo,
E fazer de conta que...
E o que tudo aponta,
É que construímos assim,
Um país de faz de conta!


































domingo, 5 de abril de 2009

O quêêêêêêê?!

Ainda não entendeu,
A pobre mulher
Que o comum gato
Não é um animal doméstico qualquer.

Num meio termo,
Entre uma abelha
Que não conhece o dono,
Mas sim as exigências polinizadoras da natureza;
E o cão, que sofre por ele
Ou pelo bem que supostamente guarda,
Fazem uma oposta parelha.

A cadelita que sempre que me vê
Faz-me uma festa enorme.
Sei que ela sente mas é fome!
Mas a antiga dona,
Apenas me pediu que não a escorraçasse,
Que da comida era ela que se encarregava.

E eu quero crer que honra a sua palavra;
E que não seja como a cabra da odete!
Que é mais reles,
Do que aquilo que cai na retrete.

Só agora entendi,
Porque na contrainformação
Era mandada calar
Pelo camarada.

E veio o caralho do brasileiro falar:
"Nóis não vai pagar, não!"
Um inaudito "O quêêêêêêêêêê?"
Sair daqui pra fora, e já!
O gás e a luz foram logo mandados cortar.

Que fossem ao rio com a sua água quente se banhar;
Ao luar que a limiana lua cheia melhor possa iluminar.

Já o gato, mulher,
Com todo o conforto que lhe dás,
Dá-te um sensação aparente
De domesticidade.

Amam é a sua liberdade.
E eu sinto isso quando de noite,
Vou à casa de banho.

Propositadamente,
Bato com algum ruído a tampa da sanita,
E sinto logo de seguida o chocalho.
Em segundos,
Está ao pé de mim.
Roça-me as pernas,
Estica o seu dorso
E coloca a cauda num ângulo recto
Prático.

Ainda me atrevo um dia
A colocá-la como nunca se viu:
Artista de circo só meu!

E é matemático:
Abro-lhe a janela e lá vai ela pelo telhado.
Não vai a lado nenhum,
Até um dia quando se aventurar
A dar o salto.

Tal como eu;
Aguenta até um dia dar o salto...

Como uma homónima tua
Que com o que se passou no meu dia maior
Muito se indignou.
Que deixar-me em casa e ir comer fora
É um profundo desrespeito,
Que isso jamais faria.

Eu ainda me desculpei com a profissão.
Ela disse-me que não.
Que escolhê-la foi uma péssima escolha.

Sim, às vezes, sinto que vivo em casa
Com a imposição da lei da rolha:
E com isso até me entendo.
Não seja eu um nativo carneiro.
Nada de profissões monótonas!
O ariano é tão inquieto que prefere trabalhos que estejam relacionados a novidades,
Exijam um pouco do seu lado agressivo e tenham movimento.
As profissões ideais geralmente são ligadas a pessoas e animais,
Como dentista e veterinário.
Outras opções são: engenheiro, agricultor, publicitário e militar.

Ainda hoje não entendo
Como não me transformei como um Alexandre Herculano,
E refugiar-me na minha quinta do lobo!
Como não avancei para os estudos de engenharia mecância
Como me incentivou o perito de seguros
Quando aceitou a vigarice que já vinha de uma lata vigarice
Provocada por riscos eléctricos.

Ainda não entendo,
Porque razão faço da minha vida quase que uma publicidade.
Devia era ser veterinário
Para não ser insultado como ordinário
Mas eleito como habilitado cuidador.

Quem sabe,
Talvez ela assim me desse mais valor.

Sei que esta necessidade de sair,
Um pouco como o gato que aqui existe,
Encontrar-me como teu primeirão,
Tu que dizes que posso ter 68
Mas todas as vezes que vires o meu sorriso
Ainda morrerás de tesão por mim...

E eu que tentei ser locutor
Com críticas fortes ao meu redor,
Inclusive daquela que sempre vê o meu nome
Em estranhos virtuais locais.
Mas a câmara barata,
Sem passagem da mensagem na lente,
Obrigava a um esforço maior.

Procuro a minha liberdade,
Valor que deveria ser inato,
Na aparente liberdade do gato.