domingo, 5 de abril de 2009

O quêêêêêêê?!

Ainda não entendeu,
A pobre mulher
Que o comum gato
Não é um animal doméstico qualquer.

Num meio termo,
Entre uma abelha
Que não conhece o dono,
Mas sim as exigências polinizadoras da natureza;
E o cão, que sofre por ele
Ou pelo bem que supostamente guarda,
Fazem uma oposta parelha.

A cadelita que sempre que me vê
Faz-me uma festa enorme.
Sei que ela sente mas é fome!
Mas a antiga dona,
Apenas me pediu que não a escorraçasse,
Que da comida era ela que se encarregava.

E eu quero crer que honra a sua palavra;
E que não seja como a cabra da odete!
Que é mais reles,
Do que aquilo que cai na retrete.

Só agora entendi,
Porque na contrainformação
Era mandada calar
Pelo camarada.

E veio o caralho do brasileiro falar:
"Nóis não vai pagar, não!"
Um inaudito "O quêêêêêêêêêê?"
Sair daqui pra fora, e já!
O gás e a luz foram logo mandados cortar.

Que fossem ao rio com a sua água quente se banhar;
Ao luar que a limiana lua cheia melhor possa iluminar.

Já o gato, mulher,
Com todo o conforto que lhe dás,
Dá-te um sensação aparente
De domesticidade.

Amam é a sua liberdade.
E eu sinto isso quando de noite,
Vou à casa de banho.

Propositadamente,
Bato com algum ruído a tampa da sanita,
E sinto logo de seguida o chocalho.
Em segundos,
Está ao pé de mim.
Roça-me as pernas,
Estica o seu dorso
E coloca a cauda num ângulo recto
Prático.

Ainda me atrevo um dia
A colocá-la como nunca se viu:
Artista de circo só meu!

E é matemático:
Abro-lhe a janela e lá vai ela pelo telhado.
Não vai a lado nenhum,
Até um dia quando se aventurar
A dar o salto.

Tal como eu;
Aguenta até um dia dar o salto...

Como uma homónima tua
Que com o que se passou no meu dia maior
Muito se indignou.
Que deixar-me em casa e ir comer fora
É um profundo desrespeito,
Que isso jamais faria.

Eu ainda me desculpei com a profissão.
Ela disse-me que não.
Que escolhê-la foi uma péssima escolha.

Sim, às vezes, sinto que vivo em casa
Com a imposição da lei da rolha:
E com isso até me entendo.
Não seja eu um nativo carneiro.
Nada de profissões monótonas!
O ariano é tão inquieto que prefere trabalhos que estejam relacionados a novidades,
Exijam um pouco do seu lado agressivo e tenham movimento.
As profissões ideais geralmente são ligadas a pessoas e animais,
Como dentista e veterinário.
Outras opções são: engenheiro, agricultor, publicitário e militar.

Ainda hoje não entendo
Como não me transformei como um Alexandre Herculano,
E refugiar-me na minha quinta do lobo!
Como não avancei para os estudos de engenharia mecância
Como me incentivou o perito de seguros
Quando aceitou a vigarice que já vinha de uma lata vigarice
Provocada por riscos eléctricos.

Ainda não entendo,
Porque razão faço da minha vida quase que uma publicidade.
Devia era ser veterinário
Para não ser insultado como ordinário
Mas eleito como habilitado cuidador.

Quem sabe,
Talvez ela assim me desse mais valor.

Sei que esta necessidade de sair,
Um pouco como o gato que aqui existe,
Encontrar-me como teu primeirão,
Tu que dizes que posso ter 68
Mas todas as vezes que vires o meu sorriso
Ainda morrerás de tesão por mim...

E eu que tentei ser locutor
Com críticas fortes ao meu redor,
Inclusive daquela que sempre vê o meu nome
Em estranhos virtuais locais.
Mas a câmara barata,
Sem passagem da mensagem na lente,
Obrigava a um esforço maior.

Procuro a minha liberdade,
Valor que deveria ser inato,
Na aparente liberdade do gato.

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