Sabe o que é isto, tia?
Não.
É uma roca com o linho.
Só que em vez do fuso,
É as mãos que o seguram
E aparam devagarinho.
Mete à boca;
E aprecia.
É bom?
É docinho.
Quer mais?
Sim, é para o caminho...
Caminho. Que caminho?
O último. Como seguiu hoje a rosa carola.
Era para cortar a perna,
Mas precisa dela para noutro mundo se deslocar.
Amanhã, às três, vai a enterrar.
Lembro-me dos ovos e outras ofertas
Que no início dos anos noventa,
Na Casa Nova ela me contemplava.
Fazia-o às escondidas dos familiares e amigos.
É que vivendo eu em concubinato,
Não era visto com bons olhos.
Era como tendo uma pedra no sapato.
Quando abri a porta à cruz,
E entrou lá o Jesuz,
Ela foi uma das que com a sua presença
Me presenteou.
Agora, volvidos 18 anos,
Se finou.
Morrer nesta data,
Foi coisa que nunca imaginou...
Até o melro
No ninho do arbusto de alecrim,
Adorou o compasso.
Bem levantou o bico
À espera que chegasse a imagem.
É que quem pegou nela,
Foi o chefe da casa.
Mas, tinha tido uma noite de insónia,
Razão porque dele se esqueceu.
Já pensei em pedir ao meu primo,
Salsa da colômbia;
Ou ao rei Hassan II,
A milagrosa marijuana;
Ou o khat ou miraa dos somalis e quenianos...
A ver, vamos...

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