quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

Tavares

Estava todo embebido no livro,
A mulher-Sem-Cabeça e o Homem-do-Mau-Olhado, do Tavares.
Não é desse que estais a pensar.
Do do Equador, onde há já alguém que lá vai à procura da sua viagem de sonho; quiçá, lá viveu em anterior reencarnação.
Onde uma pista de aviação, mais parece uma do trem.
Quem sabe, até viver um grande amor no calor dos trópicos,
Com a ilha das rolas, as roças...por testemunhas, também.
Não. Não é desse, o tal que considera os professores os maiores inúteis à face da terra, nesta era.
É dum Gonçalo M.
Publicou o seu primeiro livro com 31 anos,
Este professor universitário
Que nasceu como eu,
Com uma distância temporal de nove anos,
na terra que os marinheiros bem conheciam
Pelo mal que quando lá chegavam, descobriam.
Tempo da Angola Colonial.
Aquela que o Sérgio Godinho, e o seu pai sempre viu muito mal.
E o seu avô, até proclamou a tentativa abortada de instauração armada da república do 31 de Janeiro.
Por isso, hoje Portugal é um rectângulo rasgado numa região plana, que é a Ibéria.
O M. é a abreviatura de Manuel de Albuquerque;
Que resolveu eliminar, pois não tem nada a ver com a Índia;
Mesmo que portuguesa.
Quando recebeu o prémio Saramago, pela escrita de Jerusalém, romance inscrito na edição europeia dos 1001 livros para ler antes de morrer, até lhe queria bater, por tão novo já tão bem escrever.
O criador fez-lhe pagar caro um lustro mais tarde.
Se fosse ministro da cultura, acontecia que se demitia.
É que os desígnios de Deus,
Mesmo que constatados por estudiosos ateus,
Não é para se porem em questão.
As roupas do apóstolo Paulo eram tão divinas,
Que só tocar-lhes curavam todas as malinas;
E este escritor, veio de um grande local de dor,
Que o diga a minha mãe, que nem podia ouvir falar nessa terra,
e Deus não erra, ao dar-lhe uma doença de que tudo se esqueça.
Mas ele quer que de alguém de lá, tudo aconteça.
Por isso o EL País já assim o diz:
Tavares triunfará.
E o seu homónimo que se pauta pela última palavra da nossa máxima epopeia, estará de candeias às avessas.
Mas sem cabeça fiquei eu.
A solicitadora que me interrompeu,
Por causa dumas porcarias de uns registos de 1914.
Isso já vai há mais de cem anos!
Sei lá eu o que comi ontem, quanto mais?...
Isso é muito ano de solidão, que o diga Gabriel Garcia Marques.
Ai Marques, Marques...

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Veda

Quando eu perder a minha virilidade,
E tu perderes a tua sensibilidade,
Como afirmou o Veda feito Homem,
Que pretendia a energia gratuita que todos consomem,
A humanidade está no fim.

Pelo menos para mim ,
Que já não consumo o ato;
E cada ano que passa,
E tu achas que fico mais chato;
E ressono,
E achas que já não sou mais o teu dono.
Mas na verdade, eu abono:
Por mais que me critiques,
Só não quero que me compliques
A minha vida.

Ainda ontem recebi o meu irmão,
No espaço que ele próprio põe em questão,
E que a descendente, disse logo que não,
quando se lhe era atribuída.

e eu tenho uma grande ferida:
O pós guerra colonial já lá vai há que tempos,
ainda não deixou esses momentos
Traumáticos.

Tem medo de dormir só.
Agora que foi banido por um bandido só,
Ao momento,
Da família.
Que acha que ele tem que estar sempre de vigília;
que pelo seu sofrimento,
Nem sente dó.




quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

Obra demolida

«Os edifícios antigos não nos pertencem. Em parte são propriedade daqueles que os construíram; em parte das gerações que estão por vir. Os mortos ainda têm direitos sobre eles: aquilo por que se empenharam não cabe a nós tomar.»
John Ruskin escreveu isto assim.

Por isso, quando vejo uma obra demolida,
Como foi o da Rotunda dos produtos que eram todos estrela,
Sinto uma mágoa enorme; uma profunda ferida.
Apenas resta o topónimo naquele amontoado desconforme;
Para seguir o mesmo último tipo de vida;
Ou a casa onde nasceu o António Feijó,
Virar um parque de estacionamento, só!

Mete dó!
Porque nem respeitamos o direito por que se empenharam,
Nem as gerações futuras porque delas já os privamos.

Para onde vamos como Nação só?
O que sofreu um Conquistador, um Príncipe Perfeito
Ou um governante que expulsou da casa todos os demónios?

Por isso reclamo para estes heróis, quantos anónimos,
O respeito merecido.
Aos sofredores, que calcorreiam os centros de saúde, os hospitais, os seus corredores,
O reconhecimento que lhes é devido.

Só assim faz sentido...

O meu Romance

A minha filha Inês,
Romance de Jaime Ferreri.
Aquileio, Edições.
Vai despertar paixões,
Outra vez.
A apresentação será na Casa da Cultura,
Amanhã, na terra do Fernão de Magalhães.
Apresentação a cargo de Carla Barbosa,
Não sei se é versada em prosa,
Se sugeriu que se façam pães,
Como há bolos que evocam essa aventura?
Sei que vai ser em rigor matemático,
Como se a matematização do real,
Não fosse coisa normal,
Especialmente para quem é!
Às 21:31: assim é que é!
Tanto rigor levou-me a confundir;
É que a 19 próximo será na casa do professor,
Em Braga.
Mas eu, já lá fui há nove dias atrás!
Como não há lançamento algum?
Porque sou eu que faço a agenda.
Ficaria para a calenda...
E porquê isto, Cristo?
Ele não teve Inês alguma;
Eu ajudei a conceber uma?!
Até a vi nascer.
Rumei com toda a velocidade
Pois a progenitora entrara em trabalho de parto,
Soltaram-se as águas.
Bem antes de chegar à maternidade.
O banco do pendura ficou ensopado
Desse líquido abençoado.
Por isso eu fiz confusão:
Misturou-se o real com o imaginário,
Mesmo volvido o início do segundo quarto de século.
Porquê esta reprimenda?
E queria oferecer-lhe no aniversário esta prenda.
Aquilo que ainda estava no prelo.
Mas era tão forte a ânsia de tê-lo!
Mesmo correndo o risco de ao oferecer-lho,
Ver o desgosto no semblante percorrer-lho,
Porque cá o seu cota, o seu velho,
Não teve capacidade de o produzir,
Ficando-se pela dedicatória que ao autor iria pedir...
Mas para mim,
Fazendo um pouco de batota,
Quiçá rasgando uma ou outra página
O livro era meu...
Por isso, povo da ribeira Lima;
Povo do Neiva,
Estejam presentes ao evento que se avizinha:
Que o romance é sua seiva
Mas a Inês é muito minha...
Ele que vá ao registo e que veja de quem é a patente, sim!
Que é dele, que me prove.
Até lhe escolhi o mesmo dia para nascer, bem antes de a conceber:
Dois cisnes de mim...
O próximo romance já sei que se vai chamar Diogo.
Mas isso é fogo...

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Baixa é minha


  1. Estou a pensar em ir pernoitar
    No Palácio do Ramalhete.
    Agora posso fazê-lo.
    Com um desconto igual ao Iva,
    Só pagarei 110 patacas e meia.

  2. É o último quarto disponível,
    Para uma ou duas pessoas com pequeno almoço.
    Atenção que há 34 pessoas a ver!
    Mas vai chegar um tubarão chamado Madonna,
    Que agora a viver num hotel na baixa,
    Acha que este é o que melhor se encaixa,
    Para as suas pretensões.
    É o dia 15, que penso ir.
    Se alguém se quiser juntar,
    Eu posso partilhar:
    Levo eu o carro, e nestes casos,
    Alguém lá terá que suportar,
    A fazer fé,
    Até,
    No que um amigo independente,
    Entende ser o requisito num jantar.
    Como eu com sandes já me contento,
    Vamos lá pra esse luxuoso momento,
    Antes que fique impedido por um razoável tempo.
    E como as obras vão entrar,
    Pode ser que ainda se possa ficar,
    Com um bom pedaço de História.
    Quem quer? Quem quer enveredar nessa glória?
    Queres tu, mulher?
    Traz-se de lá um idêntico ao que dei ao Sebastião,
    Sim a esse que tu chamavas cão,
    Por tanto dinheiro me absorver.
    Vê lá tu! E nem era teu;
    Esse nem lhe via o cu,
    Pois pró cu ia...
    Vá lá, paga! Paga ao menos qualquer coisinha...

  3. Anda lá que a baixa é minha.

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Morreu

Morreu
Morreu quem muito cresceu.
Era o quarto homem mais rico de Portugal.
Afinal,
Tinha comportamento de pobre.

Destruía para voltar a construir.
Era assim que ele fazia.
Enquanto estudava, trabalhava.
Até casava, com uma farmacêutica,
Que o presenteou com três filhos.

E assim decidiu: porque como ele afirmou,
Pior do que decidir, é decidir a desoras.
Até admitiu o erro, no caso da Sonae Indústria.
Quanto a mim, houve outro que ficou por assumir,
Embora não seja esta a hora para o referir;

O de nos jornais publicitar
Que a então empresa Modelo e Continente,
Um dividendo de cinco euros ia dar.
Acabou, pelos cinquenta cêntimos,
Por se ficar.

E assim, a quente, o incauto pelo cano lá ia entrar.
Porque preferencialmente,
Era na bolsa que ele entendia
Se dever financiar.

Paz à sua alma!
Perdoo-lhe porque também o usei na questão do seu banco;
e cartão de crédito.

Universo.
Foi um berço,
Que encontrei;
E que desfrutei.

Havia quem me criticasse;
com aquela forte crítica de rua.
Mas pela sua ranhura que o passasse,
que a comissão seria sua,
Se para tal bastasse...

Cada vez mais me convenço;
Quando não segui os seus passos nos casamentos,
Estava condenado a ter sucessos suspensos.
É assim que penso!


quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Quem com felros...

No João Lourenço
Que rasgou os acordos estabelecidos
Com Eduardo dos Santos.

A exonerações de várias administrações de empresas estatais, dos setores do petróleo, de diamantes, minerais,
Sonangol e Endiama além da comunicação social;
banca pública comercial e Banco Nacional de Angola, 
anteriormente nomeadas por José Eduardo dos Santos,
Desde 75, o grande artola.

Fez muito bem!
Olha quem?!
Ao retirar o aval do Estado Angolano ao BES,
De milhares de milhões,
Foi em Portugal o início das consomissões.

Centeno, já investiu em pleno,
Neste pouco tempo de geringonça,
Mais de nove mil milhões!

Mas aquele amigo da onça,
Ainda continua presidente do MPLA.
Até lá, para 2022,


Veremos o que se passará.

Uma lição há já a tirar:
Quem com felros melros,
Melros felros...


Será que precisa de tradução,
Ou não?
Já que há que legendar os filmes
Do Português Europeu para o do país irmão...