sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Gafas e gamas

Hoje chega o meu primo,.
Vem de frança,
Vem com a rosa e a criança.

Sim, com o neto que tem férias nesta altura,
No departamento de residência.
São as férias de inverno
Num outro ao lado, estuda-se,
Paciência.

Um país planificado,
Não pode haver um dedo apontado.
Não há cá entupimentos,
Operações carnaval, páscoa
Ou de férias grandes,
Que só dão tormentos.

É como que se no meu país
Estivessemos todos enjaulados.
Uma vez a porta aberta,
Só queremos é fugir...

Não. Não dá para rir.
Não dá para rir da existência de gafas e gamas,
Que abundam nas empresas públicas de então,
Brisa, pt e sei eu lá mais o quê,
Como aconteceu no tempo do ferreira do amaral,
E do mira,
Contado pelo vizinho do lado.
Hoje o grupo de amigos são outros.
Mas o princípio é o mesmo.
E isto está mal.

E é isso que nos dá ganas.
É isso que nos torna pessimistas.
Sabes, se uma casa foi vendida por um dólar na América,
E se cá se na compra de uma garrafa de gás
Oferecem um quilo de bacalhau,
Ou uma lampreia a cinco euros,
Que o cabeludo ma manda meter num sítio que não digo!...
E se vamos cinco pessoas a Madrid de avião por 10 cêntimos,
Que é quanto custa um pão no padeiro da minha terra!...


Ele nem é da minha terra.
O da minha terra
Fornece o modelo que vende a metade do preço!
Mas a minha mãe deve-lhe favores.
Comprava-lhe o milho,
No tempo que a agricultura imperava.

E o pão sempre lá o deixava,
Ou no portal, ou na garagem
A coberto da intempérie
Ao domingo é que se pagava...

Agora a gratidão é eterna!
Mesmo numa altura de grande crise...

Mãe, são vinte escudos, cada pão!
E ainda dizia eu que você era poupada!
E a minha mulher
Com um pouco de ciúme até,
Para as finanças portuguesas a recomendava.

Já estou arrependido.

Colhi o que disse;
Foi castigo!

Você tem mensalmente cento e cinquenta contos.
Não são cento e cinquenta escudos.
Corte! Não massacre o pai que só lhe dá uns míseros 440 euros...

O dinheiro não é elástico...
Sei lá que porcarias ele mete lá dentro,
Como aquele que vendeu o porco canceroso ao irmão do sr. antónio
A carne podre, a cheirar muito mal, numa parte do tôrax.
O manhoso, não aceitou que o enterrasse
Levou-o para fazer salsichas.

Um dia até parti parte de um dente...
E ao dizer-lhe, para ter mais cuidado
E mostrei-lhe o parafuso embrulhado
Ainda me acusou de oportunismo...

Bem tento dissuadir o mingos de comer.
Coloco uma moeda branca, valiosa,
E uma preta, que nem o padre quer no ofertório.
Enquanto aquela é necessária para o padeiro de sempre,
E esta só dá para metade,
Quando com ela posso obter de pão a totalidade.

Por tudo isto,
Se não fosse mais do que suficiente
Eu cismo.
O resto é falatório...

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