sexta-feira, 13 de março de 2009

Às entranhas e ao passado









































































Como podes dizer que não é visita de estudo,
Mas sim, só passeio?!
Sabes há quanto tempo eu anseio
Visitar lá dentro aquilo tudo?...
Quando era uma romaria,
A ameaça de bomba,
A ida lá de noite e de dia;
As saudades do sogro zé maria...
Ia tão satisfeito
Como satisfeito se encontrava o meu pai no hospital.
Ia ter alta se...
Mas as pernas que abriam e fechavam
Que pareciam que nunca desanimavam,
O líquido pleural,
Foi um golpe fatal.
Como eu não poder andar no mais rápido e mais alto elevador da europa,
E logo eles que são já tão seguros desde 1850...
1,5 minutos apenas para 340 metros!
Antunes, se visses o serviço da então Somague!
Hoje, não era capaz de fazer metade!
Os escândalos de pagamentos aos partidos do poder;
Aliás, a primeira a inaugurar a condenação
Por pagamento ilícito,
Estás a ver.
Podes crer:
A nossa poderosa indústria,
O nosso tecido industrial está a morrer...
Hoje nem um banco mundial nos financiaria
Para construir uma Cahora Bassa.
Do tempo colonial.
Ainda hoje, apesar de ser a quarta maior de África,
Após o assuão, volta e kariba,
Ainda é nesse continente,
A maior em betão.
E quanto à inscrição,
Não te digo não:
"Esta maravilhosa obra humana do género humano constitui um verdadeiro hino à inteligência, um promotor do progresso, um orgulho para os empreiteiros, construtores e trabalhadores desta fantástica realização. Cahora Bassa é a matriz do desenvolvimento do Moçambique independente. Os trabalhadores moçambicanos e portugueses, fraternalmente, juntando o suor do seu trabalho e dedicação, garantem que este empreendimento sirva os interesses mais altos do desenvolvimento e prosperidade da R.P.M. Moçambicanos e Portugueses consolidam aqui a unidade, a amizade e solidariedade cimentadas pelo aço e betão armado que produziu Cahora Bassa. Que Cahora Bassa seja o símbolo do progresso, do entendimento entre os povos e da paz no mundo."
Na grafia original da língua cinyungue
(Cahoura ..), e no colonial português Cabora
Acaba o trabalho!
As suas quatro poderosas turbinas,
Cada uma produzindo mais que as duas de Lindoso...
A indústria já não se desembaraça.
Aqui agora tudo mente.
Viver cá já não dá gozo.
Já não parodiamos mais firmamentos,
Como anoninamente pensou aquele técnico no momento.
Já não há mais entranhas para mergulhar,
E encontrarmo-nos quase à cota zero.
Hoje só há nomes sonantes no ar.
A arquitectura, perdeu a sua humildade,
Como Niemeyer já longos tempos denunciara.
Até a preservação do passado
Está a passar por um mau bocado.








































































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