segunda-feira, 10 de julho de 2017

Colchão de algas

Penso nas mudanças que se avizinham.
Nas almofadas que se cruzam,
E que não são só minhas:
França quer encerrar 17 reatores,
Aquilo que por cá nunca nos deu dissabores,
Em oito anos.
E o ministro francês da ecologia,
Que no seu plano climático
quer acabar com a venda de automóveis
A gasolina e gasóleo a partir de 2040.
A situação económica, social e de segurança,
Impõe, mas também trava essa mudança.
Mas os cinco por cento das centrais a carvão,
Que serão encerradas em cinco anos, é nada.
Ombreando com a alemanha, que faz uma mudança,
Que até o comum dos mortais espanta.
É isso que o meu país precisa:
Ter visão de futuro,
Não andar num eleitoralismo permanentemente.
Quatro eleições que deveriam ser todas alinhadas,
Pelas europeias, seria uma forma decente,
Que não levaria a nenhum esconjuro.
E desde a reforma fiscal de 1989,
Já houve 1300 alterações às suas leis.
Um investidor estrangeiro não quer nem se sujeita a isto.
Temos que avançar três pontos acima, na notação que nos domina.
Sair da situação de não investimento, que é a do momento,
Para alinharmos com o nosso vizinho.
Eu queria um colchão que na espanha são a 100 euros.
Como cá não os consigo,
Não me vou endividar,
Ou ter a poupança em mínimos de que há lugar,
E faço mas é um de algas,
E mando os luxos às malvas.
Só fiquei com um pouco de grãos de areia,
E algumas couves agarradas ao corpo,
Mas naquele iodo... todo, liberto do peso das corporações
Se tivesse comprado, merecia uma valente tareia;
Só em pensar que me livrei do lodo porco!
Como o meu corpo se banqueteia!...

quinta-feira, 6 de julho de 2017

Baga dá tudo isto, sim senhor!





Parrachita

Na parrachita.
Ai! Só posso dizer isto agora,
Porque o meu pai
já faz tijolo.

Sim, ele era tolo
Por tudo o que lhe dissesse respeito.
Parece que estou a ouvir o João da Mena,
Que nos deixou há muito com enorme pena:
- Não me traga mais cá esse homem!

Dizia-lhe o empresário da confeção
Que não queria nunca mais ver essa alma.
Mas dizia-o com toda a convicção,
Ante o olhar esfomeado e sem calma.

Mas a parrachita em questão,
É tão feia, pior que o pior do mulherão,
Que acho que nem o meu ascendente
Gostaria de lhe ferrar o dente.

Fala do coitado do Obama português,
Que ficará para a história,
Em absoluta memória,
Como o pior chefe de todo o freguês.

Gostei de a ver na gaiola dourada.
O facalhão que na cozinha estava a usar;
E amedrontava, especialmente o patrão,
Cuja mulher falava do nosso alcazar,
A personagem do Tintim espelhada,
Confundindo-a com o ditador de Santa Comba Dão..

Como agora Vieira não representa,
Da sua língua pechonhenta,
Sai o que já na altura saía da Maria,
Desbocada e espaventosa de gritos.

Ficaria mais famosa,
Se como o seu ilustre homónimo,
Antes pregasse aos peixitos...

Ou então me recordasse o nome carinhoso,
Com que o meu primo zé,
Apodava a sua pequenita.

terça-feira, 4 de julho de 2017

Saudades do SMO

Com a igreja de S. Victor defronte,
Numa varanda vejo a assembleia,
A convocação, que o grego foi de longínqua data a fonte,
Com os onze mil e setecentos azulejos que me premeia...

O tempo está cinzento.
Ainda há minutos o sol me beijava;
Como de manhã, na praia de Mindelo,
Nas águas frescas do atlântico me encantava.

Era um bravo, mais um bravo do Mindelo.

Porventura, mais um camelo,
Que lá aportou.

Mas as granjas, as hortências,
Já estão sem quaisquer paciências
Para entrarem em revoluções.

Os paióis são agora mais usados,
Por seres endiabrados
Que pôem em risco a segurança internacional.
El Mundo diz que está ligado ao tráfico de armas,
A que o MAI desmente,
Sempre, sempre a quente,

Como as moças das Enguardas,
Que pressionaram a minha sede,
Ao esperar o nosso João.
Este, muito diferente do de então...

Que saudades do serviço militar obrigatório!...
Nada disto acontecia,
A juventude nele se definia,
Até em carácter no vulgar dormitório.

Onde me encontro esteve aqui um colchão,
A G3 do caloiro de então,
Nas praxes académicas.

Fez disto uma caserna,
Em que do pelotão ninguém se desarranchou.
E eu que gramasse a soldadesca
Como obrigatória e patriótica promessa.

segunda-feira, 3 de julho de 2017

Coitado do Medina

Há tantos anos a batalhar,
E ontem acabou por sossobrar.

Talvez não houvesse ninguém tão entendido
Em Finanças Públicas como o Carreira.
Há sua beira
Era um simples aprendiz de feiticeiro.

Mas ele que tantas vezes disse,
Que a solução para o país seria uma dona de casa.
Sabe o que entra, e não podia gastar por conta,
Como o País, que tem rendimentos de 79 mil milhões,
Mas os gastos são de 82 mil milhões.
Há uma diferença de 3000 milhões,
Há anos, décadas, consecutivos,
Que leva a uma dívida impagável.

Só de juros são mais de 8500 milhões por ano.
E aquela mãe do professor de matemática,
Dois professores de matemática, aliás, de Viana
A pensar que já não devíamos nada.

Coitada, como ela se engana!
Casa de ferreiros, espeto de salgueiros,
Como dizia o povo.

Devemos sim, senhora!
E isso é só pagamento de juros,
Sem qualquer amortização.

Pagamos o dobro da taxa de juro dos espanhóis;
Só por estarmos em muitos maus lençóis.
Por isso somos lixo
Em termos de investimento.

Em tempos, quis acabar com o luxo dos testes fotocopiados.
Eram gastos, que não nos poderíamos dar ao luxo.
Quase caía o carmo e a trindade.
Ameças de discentes, de chefes, de directores...

Chacota de colegas que me viam carregado,
Como Sísifo agarrado ao rochedo.

Mal sabiam esses todos senhores
Que tal como disse Kennedy,
Assassinado por outras razões,
Não é o que o país pode fazer por mim,
Mas o que eu posso fazer pelo meus país...

E eu queria tanto fazer algo pelo meu país;
Que fosse catapultado como esse país do Novo Mundo;
E não andar neste marasmo profundo.

Posso chorar a morte,
Deste homem que ontem teve a sorte,
Tal como Camões,
De morrer com a perda da independência,
A económica, mais importante que a política;
Porque esta é verdadeiramente crítica.

domingo, 2 de julho de 2017

Arco Voltaico do bulcão?

Afinal o fenómeno do arco voltaico,
Poderia ter sido a causa técnica.
Há lá linhas de alta e média tensão,
Com o calor e e o vento em redor
As poderiam aproximar e o fogo iniciar.

É que nas vésperas do ocorrido,
Houve dez ignições num raio de um quilómetro.
E o cabo de 3/4 em alumínio estava ferido,
Poderia isso mesmo ter acontecido.

Estava fora de questão a trovoada seca,
Que a judiciária até tinha visto a árvore que deflagrara.
Esta tese há que descartá-la.

É esta a nova tese do presidente da liga dos bombeiros,
Jaime Marta Soares, o da anomalia técnica.
Já que é infirmado pelo IPMA a causa natural patética
Inicialmente apontada como aterradoramente profética...

O bulcão (downburst) vento que sopra de grande intensidade,
Junto ao solo irradiando em toda a direção,
Distinguindo-se assim do tornado.
Potenciou por três a intensidade do sinistro de terrível perigosidade.


sábado, 1 de julho de 2017

Chieira

No himeneu que hoje aconteceu.
Estava bela, como belas vão todas as donzelas  às suas próprias bodas.
Mas esta ia de descapotável.
Os cabelos a flutuarem ao vento,
Esta filha de pai que tem mais um sacramento,
Do que o comum dos mortais.
Por isso este ato vale muito mais.
Ainda por cima o noivo que é dos Olivais,
Mais coisa, menos coisa.
Também o chefe do clube de Alvalade,
Deu mais um nó de verdade.
A diferença e que não chegou a igreja de descapotável,
Nem teve a benção de um pai memorável,
Como este na terra do primeiro rei,
Que a história não oficializou.
Não da dinastia segunda,
Como apontou senhora com sabedoria profunda,
Mas o da primeira.
Que chieira...levava a filha e neta de lolas.
Só o pai já não usa mais estolas,
Como o fernando enxota...
Glória, glória, aleluia...
Casar no início do semestre,
Está isento de qualquer peste;
E é um himeneu memorável,
Porque, se mais não fosse,
A noiva ia de descapotável...

E o drone que sobrevoava,
Ainda podia pairar
Sobre grupos com mais de 12 pessoas ao ar livre,
Ou a multa dos 250 aos 250 mil não era à toa.

E não ultrapassar os 400 pés e de dia, sem qualquer finta.
E as aeronaves-brinquedo,  aquelas com menos de 250 gramas de peso,
Não podem ultrapassar os 100 ou  se falarmos em metros, trinta.

O noivo amanhã se pesará também,
E sem qualquer filtro;
E menos um quilo terá:
Pudera! Por ter dado esta noite o litro...