Há tantos anos a batalhar,
E ontem acabou por sossobrar.
Talvez não houvesse ninguém tão entendido
Em Finanças Públicas como o Carreira.
Há sua beira
Era um simples aprendiz de feiticeiro.
Mas ele que tantas vezes disse,
Que a solução para o país seria uma dona de casa.
Sabe o que entra, e não podia gastar por conta,
Como o País, que tem rendimentos de 79 mil milhões,
Mas os gastos são de 82 mil milhões.
Há uma diferença de 3000 milhões,
Há anos, décadas, consecutivos,
Que leva a uma dívida impagável.
Só de juros são mais de 8500 milhões por ano.
E aquela mãe do professor de matemática,
Dois professores de matemática, aliás, de Viana
A pensar que já não devíamos nada.
Coitada, como ela se engana!
Casa de ferreiros, espeto de salgueiros,
Como dizia o povo.
Devemos sim, senhora!
E isso é só pagamento de juros,
Sem qualquer amortização.
Pagamos o dobro da taxa de juro dos espanhóis;
Só por estarmos em muitos maus lençóis.
Por isso somos lixo
Em termos de investimento.
Em tempos, quis acabar com o luxo dos testes fotocopiados.
Eram gastos, que não nos poderíamos dar ao luxo.
Quase caía o carmo e a trindade.
Ameças de discentes, de chefes, de directores...
Chacota de colegas que me viam carregado,
Como Sísifo agarrado ao rochedo.
Mal sabiam esses todos senhores
Que tal como disse Kennedy,
Assassinado por outras razões,
Não é o que o país pode fazer por mim,
Mas o que eu posso fazer pelo meus país...
E eu queria tanto fazer algo pelo meu país;
Que fosse catapultado como esse país do Novo Mundo;
E não andar neste marasmo profundo.
Posso chorar a morte,
Deste homem que ontem teve a sorte,
Tal como Camões,
De morrer com a perda da independência,
A económica, mais importante que a política;
Porque esta é verdadeiramente crítica.
segunda-feira, 3 de julho de 2017
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