E os peixes mais caros, como o sável?
"Também vendem-se bem.
Vêm aí os senhores ali do tribunal e levam tudo e nem regateiam o preço!
O povo leva o peixinho miúdo, pois o grande vai para os tubarões", ironizou.
Sim, foi isto que se passou.
Curioso é que os tubarões são elementos do tribunal.
Não regateiam, como aquela vendedora do Bulhão testemunhou.
Pagam tudo o que lhes pedirem, afinal.
E isto só acontece
A quem o dinheiro entra às pazadas...
Veio-me à memória uma conversa tida
Com um antigo executor judicial num café.
Ninguém duvida,
Que o homem dissera que com isso muito ganhara.
Até um T4 ao pé da Albergaria Império, apanhara
Pela ridícula quantia de 2500 contos.
12500 euros!
Apenas teve que dar quinhentos euros a cada um dos poucos funcionários,
Que lhe permitiram fazer o negócio da china.
Terrivelmente prejudicados são os devedores;
Até o Estado, para quem trabalham esses senhores.
No privado, roubar o patrão
Dá despedimento imediato;
Sem direito a qualquer indemnização.
Aqui, não!
Conheço um caso dum que foi expulso,
Mas veio o papa e fez-se tábua rasa.
Por que ele saíu dessa profissão?
Apenas porque alguém prometeu limpar-lhe o sebo.
E vai daí, torna-se madeireiro.
A portucel já não aceita madeira.
Portugal, numa terrível crise, está à beira.
Um cenário de deflação que remonta ao início da década de 60.
Crianças que para a escola vão com fome,
Só porque os pais se escondem atrás das boas marcas;
Universidades sem dinheiro para salários,
Alunos do superior que desistem
Porque as famílias não podem assumir os encargos...
Entretanto, o ministério da educação tem de indemnizar,
Os elementos dos directivos que vão dos seus cargos, ter de abdicar.
Mais despesas autárquicas
Só porque há mais eleitores.
E a pobre da octogenária sofreu
Porque o compasso pascal da sua casa se esqueceu.
Fazer a limpeza a fundo; varrer o caminho.
Colocar flores na entrada com todo o jeitinho.
Já não bastava a cruz da vida,
Ainda teve que sofrer com mais essa ferida...
Voltaste aos poemas?!
Oh pobre!
Sim, sabes porquê?
Alguém pediu que a memória nunca se apague.
segunda-feira, 13 de abril de 2009
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