Oh meu povo:
Não faço mais nada que andar nas minas.
E isto é uma loucura.
Fazer isso era só no alto verão;
Setembro, segundo me lembro,
Fora disso era um autêntico suicídio.
Desmoronamentos
Que podem ocorrer nesses momentos.
A terra está húmida,
E é facil isso acontecer.
Mas o clima já não é o que era.
Pode estar mais húmido nessa estação,
Do que agora.
Então os gelos norte polares
Não vão derreter na próxima década,
Tudo por culpa do ser humano?
Mas entrar na mina é sempre um encanto:
A água, com todo aquele emaranhado de raízes,
Que entrando na tubagem,
Impedem qualquer passagem.
Arranca-se,
Até serve para consolidar,
O pequeno muro para a água se albufeirar.
Qual criança,
Pela mina fora gatinhar.
Um foco na mão,
Esses dos chineses ou marroquinos,
Quando dantes eram de querosene.
Mas isto não é
Nem nunca foi perene:
Antigamente era as lucernas de azeite
E com gordura animal.
Preciso de captar água aqui no quintal,
Enquanto as leis não são demasiado apertadas.
A água vai ser o futuro.
Neste século,
É o bem mais valorizado.
Até poderei trocar esse bem
Como fazem os sourenses
Com o seu comércio solidário;
Pelos vistos,
Inspirado na experiência brasileira
De troca de produtos e serviços
Para combater a pobreza.
Dou água ao vizinho que me der energia
E comunicações.
O dinheiro deixa de ser uma das coisas importantes.
No fundo,
É viver como se vivia antes...
Está bem, eu levo-a.
É domingo,
Mas as explicações não têm dia sagrado.
Não guardo,
Porque nada se deve guardar.
Tudo o que temos é para partilhar,
Até aquilo que eu vou fazer com a água...

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