quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Magalhães



"Anoa" na Indonésia,
Mileap-X series, na Índia;
Mobo Kids no Brasil,
Jumpc na Itália,
Alguns dos nomes porque são conhecidos,
O classmate Pc da intel no sector dos notebooks,
Em reação ao OLPC XO-1 idealizado
Por Nicholas Negroponte.

Está presente em mais de 30 países.
Agora será no nosso.
Produção de Matosinhos.

Se calhar a tua sogra está metida nisso!?
Perguntou ironizando o facécia
Rindo ambos à quanda disso.

É isso, o Magalhães está aí,
Numa terra com forte tradição, sim senhor.
O meu primeiro computador
Era um Johetec 486, de 1993;
Linha branca.

Tal como agora,
De novo Matosinhos espanta.

Aparadores de mato



Isto é sempre assim:
Caseiros novos, aparadores de mato.
A história que está a acontecer ao marinho,
Já é muito velho.
Aquele espaço é um logradouro;
Até a entrada para a propriedade,
Estava para lá voltada;
E não para o caminho.

Mas agora,
Faz-se do direito torto.
E, da aldeia venha quem a nós nos mantenha;
Esfregam as mãos de contentamento,
Os advogados sem sentimento.

De que serve o aforismo:
Mais vale um mau negócio que uma boa demanda?
Eles proliferam como cogumelos.
Um por cada trezentos e cinquenta habitantes!
Quando em França é preciso avançar para os 1800,
4200 para uma Áustria
E 6000 para uma Finlândia.

É quase dramático.
510 vagas só para a Universidade Clássica de Lisboa...
E o resto?
A ordem é, na opinião do seu bastonário,
O vazadouro de todas as frustrações
Geradas pelo poder político e algumas escolas...

Ainda ontem uma universidade, a Moderna,
Por falta de qualidade, foi encerrada.
Achas que vai avante?
Não. De forma alguma!

O Presidente bem apela ao povo português...
Logo à noite, interrompendo as férias,
Também com um tempo destes!...
Com uma cajadada mata dois coelhos,
Falando ao povo português.

Só que os jovens, para quem a mensagem deveria chegar,
Vão estar em com licença Coura, a assistir aos sex pistols
Que estão com a pancada peculiar.
O cantor nunca tinha cantado na vida antes,
Mas a postura e comportamento anti-social de sempre,
Até pelos seus dentes podres de adolescente,
Contrastando enormemente com os de hoje.

Mas dizia fuck off pela primeira vez publicamente
À hora do chá do primeiro de Dezembro de 1976.
Matara-se namoradas em hotéis;
As produtoras dirigidas por jovens milionários excêntricos
Tiveram que pagar fianças.

Mas o sonho brasileiro sempre teve futuro,
Ainda ontem ouvi na dois ao Lula da Silva,
E a anarquia em S. Paulo não chegará a ver a luz do dia...

E para onde eles hoje vão, muitas casas de campo existem;
Muitos deles até moram todo o ano em França.
Se calhar até vai ser num rolls-royce que vais lá aparecer...

Parece ironia,
Mas nunca digas "desta água não beberei"...

Piso-os


Você fala coisas que nunca ouço de ninguém;
Isso quer dizer que você é único, também.
Olhe, deixe-se disso:
Único é o exemplar do móvel que o amigo tem:
Estilo Dona Maria primeira,
Cerca de 250 anos distam da nossa era:
A gaveta do fundo é maior,
A outra de cima é um pouco menor,
E assim, sucessivamente.

Por isso ela ficou demente.
No cérebro já não tinha espaço para quase nada.
Razão porque enlouqueceu.
E foi para o Brasil empurrada,
Sem saber o que se estava a passar.

Único é também o rebento que possuo.
Não ajudou praticamente nada na mudança da casa.
Apenas um único dia, em que os livros me consumiram.

No carro já não cabia mais nada...
Era tudo preenchido até ao tejadilho; no banco do pendura...
Recordei-me, enquanto os levava na mascota estrada
Do que disse o extinto medievalista,
Que morreu numa praia, em férias, do novo mundo:
"Eles consomem-me a cabeça,
Mas eu piso-os que os lixo!"

Para ele era como com a inês pedrosa:
Nunca olhava ao seu preço.
O problema é que com a roupa o mesmo acontece;
Montes e montes de coisas ainda com a etiqueta,
E para lá ao abandono; como se não tivessem dono;
E assim o dinheiro desaparece.

" É imoral gastar muito em trapos"
Porque não é como as outras ineses?...

Agora até põe o despertador para as duas da tarde.
Desperta uma primeira, uma segunda, uma terceira vez...
É possível que então acorde de vez.

Se ao menos ainda fosse para ajudar?!...

Meio século


Alguns telhados
A mancha de pinho encobre valados;
Por trás, o monte da nó adivinho,
Tão conezinho, que parece o da srª da graça.

Não vejo quem lá passa.
Não vejo sequer se alguém com o trabalho se mata.
Sei que estão em baixo os operários da minha terra,
Sustentando um muro que desabar há muito ameaça.

Estou cá dentro.
E penso:
O aniversário
Não deveria ser um calvário.

Já não sou J
Só porque não quis tirar os sapatos à entrada
Nesta sua nova morada.
Parece uma palhaçada!
Logo eu que moro no loteamento do jota.
E até me vesti bem janota,
Para o meio século que está à porta.

A minha obstinação anti mesquita
Pior que uma derrota;
Trouxe consequências de desdita.

Nem o choque em cadeia dos cinco veículos de ontem,
Provocado pelo senhor do café...

Para o ano
Que não se repita mas é...

Porão



Não quero voltar a ter que sair daqui!
É que à medida que o tempo passa,
Se avoluma a desgraça.

Um apartamento de tipologia t3
Há muito que era pequeno.
Agora com triplo do espaço,
E já noto algum embaraço.

A solução será a ida para versalhes.
Mas ao ritmo com que se avoluma o material,
Rapidamente as duas mil janelas ficariam sem efeito,
Com tanta porcaria no parapeito.
Dos setecentos quartos restava-me apenas um.
Os outros seriam todos ocupados pelo elephas branco.
Queria um, depois o outro e seguiam-se todos,
Atulhados de tralha.

As 1250 lareiras estariam cheias de jogos
Do monopólio, trivial, damas, xadrez
Até chegar o inverno e no lume desaparecerem de vez.

Talvez os setecentos hectares de parque
Fossem suficientes para ter árvores para abate.

É isto: toda a minha casa é um porão.
Lá em cima, aqui, em baixo, e no chão.
Tem tanta coisa, que não sei como se consegue ser formiga,
A rapariga, até compra trapos, cds que nunca mais usa;
Ainda com a etiqueta, a embalagem original...

Haverá coisa pior que este pecado?
O do Paraíso comparado com este até me provoca o amarelo riso.

Que saudades do dia um de Agosto.
Dormir no chão, ter um amplo espaço.
Não dar de encontrão com algum objecto,
No meu trajecto.

Se tivesse sido esperto,
Tinha escolhido mas era um cabana.

Talvez não seja necessário versalhes
Rezar nas suas cinco capelas...
E se faça tininho nas cabecinhas delas.

O que se faria aos oito milhões de turistas anuais?
Mandar os desgraçados para cá!
Verem esta tralha?
Isso seria demais...

Mas ao menos que sarkosi envie a galeria dos espelhos para aqui.
Só com os seus 357 da dita galerie
Conseguirei satisfazer um dos dois fedelhos...

Cuidado com as imitações!



Conheci um poeta!
De câmara na mão,
No apreender das imagens
Fazia ontem o seu pão.

O pão que outros faziam
Nestas terras ricas de humanidade,
O cortejo ia desfilando de verdade.
As freguesias,
Iam passando em catadupa.
A Avenida António Feijó
Era um palco de alegrias...

No fim, continuava a clicar.
Havia sempre um momento a registar.
É que vai haver um concurso de fotografias
Sobre as Feira Novas...

Como já há seis anos
Que há um sobre quadras populares.
2003 foi o ano de se premear.

Mas onde vai ele se inspirar?
No trabalho onde edifícios está a edificar.
No itinerário, enquanto vai a rodar.

Ainda falam do uso do telemóvel na estrada!...
Um poeta é muitíssimo mais perigoso.
Fica bloqueado,
Como ficou Torga com o coelho apontado,
Mas com o desenrolar do poema,
Nem a advertência do amigo padre
Que via naquele apontar
Uma terrível falta de brilho
Não lhe permitiu premir o gatilho.

"Cuidado casimiro
Cuidado com as imitações"
Falta-me a letra, a música, a voz
Do sérgio godinho

Falou com orgulho de prémios que recebeu,
Ele que não era baltazar da conceição
Que não tinha um olho na testa,
E que a sua aldeia não vinha no mapa
Como rezava de 79 essa canção.

O da colgate e mais um ou outro
E do livro que ainda não escreveu.
Mas que o apresentará cá ou em Serralves
Este casimiro alves.

Li as suas quadras
Que tinha escritas no papel
Eram para um cunhado ler,
Mas que acabou por não aparecer...

Imaginem: faltar às feiras novas!..
E logo ele que falava nas trovas
Do vento que não passa
Para varrer o fumo do fogo de artifício...

Negócio do Tulha



Uma noite de copiosa chuva
Um indiano vendedor de flores;
Uma multidão a curtir as feiras...

Mas eis que alguém se abeira do asiático,
O negócio foi muito prático:
Meneou a cabeça debaixo do toldo do tulha,
Pareceu que se travou uma grande bulha.
Àquele, este parecia-lhe um grande pulha
A querer enganá-lo.

Mas foi rápido.
Não mais foi visto o vendedor,
E era outro, o senhor
Que por 25 euros
Fez entre as mulheres
Elevado furor.

Claro que havia aquela
Que recusava pelo receio da dolorosa,
Havia a outra, comprometida com o seu amor,
Mas o que mais se via era mulher com o coração a saltar.

Até eu queria naquele momento ser mulher,
Também poder pular;
Para posteriormente,
Um dia qualquer,
Se alguma vez te encontrasse
Também saber ser meigo
Ta presentear.