Não quero voltar a ter que sair daqui!
É que à medida que o tempo passa,
Se avoluma a desgraça.
Um apartamento de tipologia t3
Há muito que era pequeno.
Agora com triplo do espaço,
E já noto algum embaraço.
A solução será a ida para versalhes.
Mas ao ritmo com que se avoluma o material,
Rapidamente as duas mil janelas ficariam sem efeito,
Com tanta porcaria no parapeito.
Dos setecentos quartos restava-me apenas um.
Os outros seriam todos ocupados pelo elephas branco.
Queria um, depois o outro e seguiam-se todos,
Atulhados de tralha.
As 1250 lareiras estariam cheias de jogos
Do monopólio, trivial, damas, xadrez
Até chegar o inverno e no lume desaparecerem de vez.
Talvez os setecentos hectares de parque
Fossem suficientes para ter árvores para abate.
É isto: toda a minha casa é um porão.
Lá em cima, aqui, em baixo, e no chão.
Tem tanta coisa, que não sei como se consegue ser formiga,
A rapariga, até compra trapos, cds que nunca mais usa;
Ainda com a etiqueta, a embalagem original...
Haverá coisa pior que este pecado?
O do Paraíso comparado com este até me provoca o amarelo riso.
Que saudades do dia um de Agosto.
Dormir no chão, ter um amplo espaço.
Não dar de encontrão com algum objecto,
No meu trajecto.
Se tivesse sido esperto,
Tinha escolhido mas era um cabana.
Talvez não seja necessário versalhes
Rezar nas suas cinco capelas...
E se faça tininho nas cabecinhas delas.
O que se faria aos oito milhões de turistas anuais?
Mandar os desgraçados para cá!
Verem esta tralha?
Isso seria demais...
Mas ao menos que sarkosi envie a galeria dos espelhos para aqui.
Só com os seus 357 da dita galerie
Conseguirei satisfazer um dos dois fedelhos...

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