quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Cuidado com as imitações!



Conheci um poeta!
De câmara na mão,
No apreender das imagens
Fazia ontem o seu pão.

O pão que outros faziam
Nestas terras ricas de humanidade,
O cortejo ia desfilando de verdade.
As freguesias,
Iam passando em catadupa.
A Avenida António Feijó
Era um palco de alegrias...

No fim, continuava a clicar.
Havia sempre um momento a registar.
É que vai haver um concurso de fotografias
Sobre as Feira Novas...

Como já há seis anos
Que há um sobre quadras populares.
2003 foi o ano de se premear.

Mas onde vai ele se inspirar?
No trabalho onde edifícios está a edificar.
No itinerário, enquanto vai a rodar.

Ainda falam do uso do telemóvel na estrada!...
Um poeta é muitíssimo mais perigoso.
Fica bloqueado,
Como ficou Torga com o coelho apontado,
Mas com o desenrolar do poema,
Nem a advertência do amigo padre
Que via naquele apontar
Uma terrível falta de brilho
Não lhe permitiu premir o gatilho.

"Cuidado casimiro
Cuidado com as imitações"
Falta-me a letra, a música, a voz
Do sérgio godinho

Falou com orgulho de prémios que recebeu,
Ele que não era baltazar da conceição
Que não tinha um olho na testa,
E que a sua aldeia não vinha no mapa
Como rezava de 79 essa canção.

O da colgate e mais um ou outro
E do livro que ainda não escreveu.
Mas que o apresentará cá ou em Serralves
Este casimiro alves.

Li as suas quadras
Que tinha escritas no papel
Eram para um cunhado ler,
Mas que acabou por não aparecer...

Imaginem: faltar às feiras novas!..
E logo ele que falava nas trovas
Do vento que não passa
Para varrer o fumo do fogo de artifício...

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