quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Piso-os


Você fala coisas que nunca ouço de ninguém;
Isso quer dizer que você é único, também.
Olhe, deixe-se disso:
Único é o exemplar do móvel que o amigo tem:
Estilo Dona Maria primeira,
Cerca de 250 anos distam da nossa era:
A gaveta do fundo é maior,
A outra de cima é um pouco menor,
E assim, sucessivamente.

Por isso ela ficou demente.
No cérebro já não tinha espaço para quase nada.
Razão porque enlouqueceu.
E foi para o Brasil empurrada,
Sem saber o que se estava a passar.

Único é também o rebento que possuo.
Não ajudou praticamente nada na mudança da casa.
Apenas um único dia, em que os livros me consumiram.

No carro já não cabia mais nada...
Era tudo preenchido até ao tejadilho; no banco do pendura...
Recordei-me, enquanto os levava na mascota estrada
Do que disse o extinto medievalista,
Que morreu numa praia, em férias, do novo mundo:
"Eles consomem-me a cabeça,
Mas eu piso-os que os lixo!"

Para ele era como com a inês pedrosa:
Nunca olhava ao seu preço.
O problema é que com a roupa o mesmo acontece;
Montes e montes de coisas ainda com a etiqueta,
E para lá ao abandono; como se não tivessem dono;
E assim o dinheiro desaparece.

" É imoral gastar muito em trapos"
Porque não é como as outras ineses?...

Agora até põe o despertador para as duas da tarde.
Desperta uma primeira, uma segunda, uma terceira vez...
É possível que então acorde de vez.

Se ao menos ainda fosse para ajudar?!...

Nenhum comentário: