sábado, 3 de junho de 2017

Liberdade

Entre um fã de uma banda especial,
Que já viu o grupo a atuar cem vezes,
Em Guimarães inicia a segunda centena.
Faz-me pena, que para ser assim tão devoto,
Tenha que ser desempregado ignoto.

Acolhe o baterista em sua casa.
Quando por lá passa.
Já tem o contacto de pelo menos quatro deles,
Este Theo com esta banda vai ao céu!
Viajando por quase todo o mundo.

Shunk Anansie está aqui,
Liderada pela carismática Skin,
E o seu hedonismo e "por tua causa"
You'll follow me down.
Ouvirá acordes como "Deixa-me rir",
"Disseram-me um dia rita, põe-te em guarda";
"Se te amar for pecado, eu quero viver pecando"
Ou a Máquina, dos belos acordes do Amor Electro.

Tanta luta, pelo menos de três destes cantores,
No tempo que moravam cá outros senhores,
Numa outra era, mas também nesta.

Onde o pão, paz, habitação, saúde, onde,
Na terra dos sonhos vivem mas é demónios,
Onde não se tratam por iguais...

A liberdade que Theo tem para seguir a banda de eleição,
Não é a mesma liberdade da minha nação,
Onde o povo deixou de produzir.
E os festivais são pomposamente,
Nomeados na língua que Fradique Mendes não achava atraente!...

Será que não é hoje o primeiro dia do resto da tua vida?
Não foi com essa língua que os Sobral foram ganhadores...

Talvez devagarinho, a língua acabe assim por esmorecer,
Quiçá, até desaparecer...
Camões, Pessoa, ouve as minhas preces...


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