sábado, 24 de junho de 2017

Infâncias que não existem mais

Numa notícia do Expresso.
A jornalista Raquel Moleiro
Entrevista o sr Daniel Saúde,
Que teve a virtude
De ver o incêndio deflagrar.
Ao 112 acabou por ligar.
Às 14.38 tirou a primeira fotografia,
E não havia quaisquer trovoadas no ar.
Ele que esteve uma semana à espera
De ser contactado pela judiciária,
Está a ver que vai ter que ligar para a polícia,
Para ver se o querem questionar.
É por isso, que o Presidente da Câmara de Pedrógão,
Que acreditou nos fenómenos do inferno,
Que ouvia falar na igreja quando era criança,
E achava até que se duplicaria a matança.
Quando eu era criança,
Havia a floresta variada,
Com todo o perfeito ecossistema.
Hoje é uma monocultura,
Seja ao pé da 236 1 ou bem longe desta estrada:
Pinheiro e eucalipto são os atores deste cinema,
Para alimentar a celulose e mais nada!
E há quanto tempo isto dura?
Modelo florestal,
Próprio de país terceiromundista,
Sem esperança.
Por isso o incêndio não é uma desgraça,
Nem muito menos um acidente.
A quente,
Dir-se-á que é o resultado de más decisões políticas,
E os sinistros são a repetição quase quista,
A cada ano que passa.
E todo o povo tem o que merece,
E alguns merecem mesmo muito pouco,
E não querendo parecer louco,
Basta-lhes que aconteça sempre a mesma desgraça.
E eu, qual Sebastião Pereira deste mundo
Sob um pseudónimo profundo,
E sem querer atacar governo algum,
Ou confundir eleições locais com gerais,
Acho que é tempo de dizer basta,
Pois por causa de alguns terem pasta,
Sob nós cai a desgraça,
Em estios infernais.
O meu país não tem quatro estações,
Tem é a das inundações no inverno,
E o resto do ano é um autêntico inferno,
De infâncias que já não existem mais.
Até quando, meu Deus?...

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