sábado, 10 de junho de 2017

Dinheiro de morte

No valor do dinheiro.
Três euros e vinte pode não ser nada,
Mas pode ser muito.
Há tanta alma desgraçada
Que precisa de quase três dias e meio
Comendo o pão que o diabo amassou,
Para auferir tal montante.

Mas há por ai bom tratante,
Que o que aufere num dia,
Treze compatriotas seus,
Precisam do longo mês.
E isto se não for explorado
Pela entidade patronal,
Que ele assine como o recebeu,
Mas um terço lhe retirou...

Parece que recordo aquela mãe,
Dizer isso mesmo,
Num pais que a trai.

Sapatos novos
E refeição completa,
Foi o que o montante permitiu.
Procede-se como fosse cá a américa:
Nas moedas bimetálicas,
Imagino as notas verdes,
Que a Itália tanto reivindicou.
Mas tal não pegou.
Mas eu agora qual Alice,
Sinto-me no pais das maravilhas...

Posso não ser Midas,
Mas tenho a alma da procriação...

- Vamos, mingos, temos de passar em frente ao banco
que foi vendido por um euro ao mesmo que apanhou o Banif.
Sim, veio este patife, uma vez mais
A abocanhar a pequena e média banca.
Na Europa, o que está a dar é a concentrar:
Grandes bancos, que em vez de fornecer melhor economia,
Vemos cada vez menos a luz do dia.

Como diz o bloco de esquerda,
Temos que pagar para ficar sem ela,
O melhor é mesmo nacionalizar.
É que as dívidas soberanas,
Não sei se irão aguentar.

Sabes, lembro-me do sr Arantes,
Que era ele que geria isto antes.
O BNC imobiliário.
Na altura, foi o melhor banco do mercado,
Ainda não estava contaminado,
Como os outros.

Até parecia um banco da América,
A famosa e tão liberal economia,
que englobar banca e seguradora não permitia:
-Estou aqui para pagar e não para morrer!
Olha para mim, muito sério,
E aceita que só pague por dez anos.

Mas veio também os enganos.
Na altura de amortizar antecipadamente,
Vim a saber que havia uma penalização de três por cento.
O avarento, apanhou-me distraído no dia da escritura,
E pôs-me a assinar um contrato entre as partes
que não era suposto ter lugar.

E com esse argumento da palavra,
que tem mais força que uma merda inocentemente assinada,
A direção do banco deu-me razão.
Nunca mais me viu com os mesmos olhos,
O energúmeno, que se calhar,
Destruiu mais um positivo número...

Foi a morte anunciada,
Ontem.
Será que lá continua o homem a quem salvei a vida?

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