Na boca da verdade, MZ, que há muito que conhecia!
Fica na cidade milenar, esta enorme máscara de mármore.
Segundo a lenda, mordia a mão de quem mentia.
Não quero que ninguém chore,
Mas, o certo é que tal como na capela da Aparecida,
Em Balugães, quem tiver pecados não passa pelo penedo.
Nem que reze o credo,
Passará se o corpo tiver uma dimensão desmedida.
Séculos havia, em que se viajava se as posses da família permitia.
Era uma forma de conhecimento antes da vida activa e após os estudos.
Hoje desvirtuou-se essa tradição que se admitia.
Os casais sem posses, metem-se em viagens de desnorte.
Desgraçam os alicerces das suas tenras vivas em desnudos,
Pois o tempo, como qualquer tempo, dá o tempo da sorte...
Conheci na praia do Cabedelo assim quatro jovens divorciados.
Andaram pelo mundo com as suas extintas famílias a passear.
Mas o dinheiro não chegou para a vida que estavam a levar,
E cada um, com bons empregos, pareciam espoliados.
Não há sentido de vida.
Adorei aquela brasileira, a viajar pelo mundo, mas só no fim da sua carreira,
Ou a vizinha senhora Eduarda que foi à terra prometida;
Sim, com segurança que a poupança se manifestava na algibeira...
Eu sei que são bocas.
Mas é que há bocas para alimentar.
Quem é o idiota que não gosta de viajar?
Mas não foi isso que se prometeu no altar;
Cinemas e mais cinemas com ou sem pipocas.
Há que poupar.
Enquanto isso não acontecer
O meu país só vai empobrecer,
E como dizia o meu sábio povo, sem piedade:
"Quem compra sem ter,
Vende sem querer!"
E já alienámos tanto, meu Deus!
Negócios da china, mas prá china, como a venda da Fidelidade,
Não ver luz ao fundo do túnel, pois a venda obriga-nos a passar às escuras os Pirenéus...

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