segunda-feira, 17 de julho de 2017

braga é goodenough

Na senhora que ainda agora,
Antes de se ir embora
Me avisou que eu deixara cair a carteira.
Obrigado. O meu muito obrigado.
Nem imagina do que me poupou.
Enorme trabalheira!
Mas sabe, tudo se deveu ao que hoje se passou.
A porta não abria; o que se passaria?
Os senhores dos painéis fotovoltaicos,
Energia em conserva - em reserva -, leu o vizinho.
Que não pôde ir lá ver. Disse-me que fosse
à farmácia pedir uma velha radiografia.
Fui.Mas como não tinham, pois foram lá na véspera recolher,
A farmacêutica, uma belíssima mulher,
São tão belas as farmacêuticas!
Até pela forma como mexem o café,
Se sabe que uma profissional assim o é:
Da direita para a esquerda, 
assim uma, há mais de seis lustros assim fazia.
Se despende menos energia.
Aconselhou-me um BI dos antigos.
Utilizei, sem sucesso, a carta de caçador.
Caducada a 30/09/2013.
O trinco não cedeu.
Fui embora. Ao ir pela rua,
Vejo o mexicano.
Acompanho o magano.
Ao meter a chave errada,
Vi que a fechadura fora mudada.
Dizia nela" plácido"!
O velho que era o extinto dono.
-Será que me comeu do sono?!
Vendeu-mo e agora quis recuperá-lo?!
Aqui há mas é galo.
Vi logo o que aconteceu..
- Anda, vamos à Polícia mas é de Braga, que é  goodenough:
Aos 12 nem ler sabia,
Aos 24 o professor  de física o dissuadia;
Mas aos 57, este alemão, em 86, em Oxford
Criou as revolucionárias baterias de lítio,
Este cientista que na segunda grande guerra, como meteorologista nos açores
Nunca esperaria um dia, no momento certo,
Entrar-lhe a portuguesa que revolucionaria.

E fomos. Tentou dissuadir-me.
Explicou-me o que fizera Pedro, no domingo.
O que se alucinou, pois as nove horas da noite no quarto ouviu o meu ressono.
E como lhe faltaram umas batatas verdes,
Esturricadas ao sol,
Que despejei no.lixo, pois o mexicano disse que ao juan pertenciam,
Achou-se pelo furto das ditas cujas,
O verdadeiro dono.
E eu sem em casa poder entrar,
Tendo sido apodado pelo tipo de bipolar,
Já não bastava o médico de família que me rotulou com aquilo que nenhum especialista ousou.
Que ressonava quando no aeroporto a essa hora me encontrava,
Ponho em causa o dom da minha ubicuídade.
Na verdade,
Tresandava tanto a álcool, meu deus...

Uma feira do livro a desenrolar-se,
Um cantor de rua a afirmar-se;
Uma cliente de causídico a recordar-se
Do tempo em que roçar ostras,
E na roupa montanhas de pérolas a encrustrarem-se...
Uma praia de sonhos a remodelar-se;
Romarias de vista a perder-se;
Um pessegueiro de rua a não conter-se;
Um painel fotovoltaico de trampa a apagar-se;
Outros, numa avenida a afirmarem-se.
Um mundo a definhar-se...
- não viste a notícia do iceberg gigantesco de 700 km2 a separar-se e indo depois a boiar?
- Não! Ando preocupado em viver no mundo que estamos a matar...

Nenhum comentário: