sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Mar calhado



Que coisa és tu?
Se vens por bem diz o que queres,
Não consumas mais estas pobres mulheres;
Se és do diabo vai para o mar calhado,
Onde não canta galinha ou galo...
Vai Belzebu!

E quase morta a possessa
Eis que arranja força interior
De cuja fonte se lhe conheça:
É que mulher gorda, tabalho magro;
E se for adjectivada à máxima exponência;
Não há mesmo força nenhuma.
É a vida! paciência...

Se a velhota não se desvia para trás
O pescoço apertado veria logo ali,
Sufocada entre os inúmeros circunstantes...

Há que ter cuidado
Entre os vivos e os mortos;
São todos, uns mais, outros menos
Valha-nos isso ao menos!
Tratantes...

Mas isso era bom mas era dantes...
Os exorcismos de outrora,
Já não vêm em boa hora...

Quando há dias se foi à senhora maria, de friestelas,
E no terreiro contíguo se encontrava a sua vizinha,
E ante uma curiosidade nossa apenas,
Contrastando com o desejo firme que lhe disséssemos qual era o nosso problema,
Surge o inevitável:
Este senhor que anda nos oitenta,
Já não tem força no vergalho.
Acha que a dona maria,
Que todas as almas consola,
Vai-lhe dar uma nova mola?

Nem uma nem duas.
Fica com o olhar fixo;
Como o diabo perante o crucifixo...

Foi este mar que mandou este povo para a sua triste sina...
Imagina!

Uma graça do cristo ressuscitado.
Agora que a funcionária de Vitorino de Piães melhorou,
O meu pescoço bloqueou.

Os olhos não conseguem ler a notícia.
Então a cervicalgia e a lombalgia degenerativas,
Após várias operações ocorridas,
Ficaram em nada no santuário do Bom Jesus?...

Sentiu um calor por ela abaixo
Após o rogo à divindade do afilhado,
Que queria ver a dor da madrinha ultrapassada.
Hoje não usa colar cervical, braçadeira,
Ou cinta lombar.

Já anda lentamente, sem qualquer ajuda, a passear.
Emagreceu do exercício.

Aconteceu o milagre no corpo de Deus.
E ainda dizem que não há milagres;
E ainda dizem que não é bom ter afilhados?

Só o meu não é dessa opinião.
E digamos: com toda a razão:
Em vez do tostão, arranjei-lhe trabalho;
Trata-me como se fosse bandalho.

Agora anda de baixa por causa da coluna;
Vai fazer operações e mais operações,
Até o ministro da fazenda de Espanha se vai como o nosso indignar,
Contra uma junta médica que o vai por a trabalhar;

Vai tentar a reforma como a Ana Maria Brandão.

E no fundo, bem no fundo;
Bastava eu pedir para ele melhorar;
Bastava sentir um calor por ele abaixo,
E ficar bom para trabalhar.

Pode ler no correio da manha de hoje.

Como aliás, manhas de todo o sempre,
Neste nosso Tugal.

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