Hoje senti de novo o prazer de ser domingo.
Não por me faltar a missa;
Se calhar muitas me estão a faltar!...
Mas porque há já muito sentia saudades do pedalar.
O ar fresco da manhã,
O sol meio envergonhado
Na margem direita do lima presenciado.
Mas porque não a esquerda?
A esquerda a mim não me diz nada;
No entanto, a memória de uma adolescência
Na outra margem do rio tão intensamente passada.
Aquela linda moça das cucas,
Que viera da ribeira, não sei de onde..
Um olhar atento para a cabeça
E os piolhos a passearem-se livremente.
Nunca mais soube nada,
Desta rapariga,
Com a cabeça já bem comprometida.
É isso: tenho receio de apanhar o piolho no outro lado,
Só em pensar já me começa a cabeça a coçar!
Salivar de pavlov, certamente...
Por isso venho sempre por este lado.
Não é tão sombrio,
A margem direita sempre foi mais solarenga.
A vila limiana,
É a honrosa excepção.
É que nunca há regra sem uma honrosa excepção.
2800 residentes.
Até vêm cá presidentes
À ópera, ver bodas de fígaro,
Cujos actores lituanos até conheci no cais da garrida...
Inaugurar museus de arte sacra,
Investindo no filho dos outros.
Autarcas que desenterram
Os machados de guerra da regionalização,
Que há muito nunca mais nisso se pensava.
Mas tem razão:
O norte está a perder atraso em relação ao sul;
Com a Ota esquecida,
Irá avolumar essa ferida.
Um dia tem de haver um rei sábio,
Que faça o mesmo como se fez à ordem dos Templários,
Ou enormes riquezas poderão desaparecer...
Onde do hospital,
Cuja existência é como aquela igual,
Correm campeões do downtown;
E o primeiro campeonato do mundo
Da modalidade inventada em frança,
Mas cujas raízes se deverão procurar no "Bouzkachi" afegão,
Mas principalmente no "pato" argentino,
Verá aqui a luz do dia.
A imagem é a dos bordados de viana,
Conhecida por lenços dos namorados,
Representada na "bola mundo".
Antes era um pato,
Mas agora esse regala-se no rio lima...

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