sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Escola de Monges



Fui educado numa escola de monges;
Rigor, trabalho e honestidade,
Eram o leit motiv de verdade.

É que os vinte anos que na Suiça passei,
Nunca noutra terra encontrei.
Arrendar um apartamento,
Por exemplo,
Eram três meses de avanço.
E isto por uma clara razão:
Havia que avisar com dois meses de antecedência
Que se ia embora.
O mês extra de caução
Era para o senhorio descontar eventuais danos.
Se os não houvesse,
Era devolvido na totalidade.

Aqui é uma espécie de coisa igual;
Sempre gostamos de imitar os outros;
Mas sempre a pensar na maldade.
Paga-se dois meses:
Um para o senhorio e outro para a imobiliária.
Está mais um mês, como convém.

É, que aquela alimária
Qual agente de futebolista,
Tudo fará para que se mude de novo;
E assim consiga uma nova vista.

Por isso o nosso povo,
Age de forma irracional:
Centenas de milhares de casas devolutas,
Só para não ter problemas com todos esses filhos da....

Se não houver intermediário,
O inquilino ordinário,
Não paga caução alguma,
Alega que não possui, por isto ou por aquilo,
Mas dá as melhores referências sobre a sua pessoa:
Sou sobrinho do sr tomás, que já foi professor;
Você conhece-o;
Ou então apresenta-se como segurança,
Naquele rigor e seriedade que a qualquer um descansa.

E que bem que ele lancha!
Mas de pagar à instituição se esquece...

Pagam uns meses, depois esquecem-se e levam a chave;
Ou avisam na véspera, por e-mail,
Claro, a bem moderna casa na hora,
Que vão embora e que no dia seguinte,
Deixam a chave na caixa do correio.

Isto acontece no dia seis,
Quase que no máximo do prazo
Para se pagar todo o mês.

E lá vai o freguês.

Se se vai tentar a bem,
Como convém,
Ainda ameaçam que não se tem documento algum.

Fartos de leis, fartos de documentos estamos nós.
É coisa que temos a mais.

Falta é dignidade às pessoas.

O resto, o resto existe tudo a mais...

E nós que tantos conventos tivemos
Não nos restou nada de verdadeiramente útil.
Agora, só se dá importância ao que é fútil.

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